Brasil
Projeto que cria uma poupança com monetização de dados pessoais avança na Câmara; entenda
O PL, apresentado em 2023, pretende criar um processo de monetização e comercialização dos dados de pessoas físicas e jurídicas, que pode gerar uma poupança social digital para os brasileiros

Reprodução
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), determinou na última semana a criação de uma comissão especial para discutir o Projeto de Lei Complementar nº 234/23, de autoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que estabelece um “Ecossistema Brasileiro de Monetização de Dados”. O PLP, apresentado em 2023, pretende criar um processo de monetização e comercialização dos dados de pessoas físicas e jurídicas, que pode gerar uma poupança social digital para os brasileiros.
Em agenda na Conferência Internacional do Trabalho, na Suíça, no início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu tratou indiretamente sobre o tema ao dizer que a Inteligência Artificial desenvolvida por grandes big techs é “a esperteza de empresas que acumulam todos os dados de todos os seres humanos sem pagar um único centavo de dólar para o povo”. Lula disse que era uma “tarefa revolucionária” mudar esse quadro.
A fala do presidente, apesar de não estar ligada diretamente ao PLP, detalha uma das principais ideias do projeto: que a população seja remunerada pela exploração de seus dados por grandes empresas.
Monetização de dados pessoais: um mercado de US$ 1,8 trilhão
Em entrevista à EXAME, Chinaglia, o autor do projeto, diz que a proposta é bastante “extensa e complexa”, pois trata de todos os aspectos para assegurar o direito à propriedade de dados. Em suma, o PLP traz novos mecanismos e também aprimora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGDP), em sua avaliação.
Chinaglia afirma que a determinação de criar a comissão é um primeiro passo, e que os líderes das bancadas devem definir os parlamentares que vão discutir — e aprimorar — o projeto. A expectativa do autor do PLP é que a discussão reúna diferentes campos políticos.
“O projeto de lei ultrapassa a disputa entre oposição e situação e a polarização entre “esquerda” e “direita””, afirma. “Não é um projeto ideológico, mas sim um projeto de lei que tem como objetivo o interesse público e voltado para garantir renda para o cidadão titular dos dados que são compartilhados, e que permitirá colocar o Brasil na vanguarda mundial nesse tema, inclusive para que possamos estabelecer um novo paradigma: o da soberania de dados.”
O parlamentar detalha ainda que os dados gerados no Brasil, por cidadãos brasileiros ou aqui residentes, poderão ser compartilhados para uso no exterior, mas deverão ser observadas as regras fixadas pelo projeto para a proteção do interesse dos titulares dos dados.
“A proposta é consistente, ainda, com recomendações de organizações internacionais, como a OCDE, o Fórum Econômico Mundial, a ONU e debates travados na Comissão Europeia há mais de 20 anos sobre a necessidade de garantir a propriedade de dados para o seu titular, ou seja, quem gera o dado a partir dos relacionamentos comerciais, bancários ou mediados por tecnologia”, afirma Chinaglia.
Segundo dados levantados por Chinaglia, o mercado potencial para a monetização de dados é estimado em cerca de US$ 1,8 trilhão, e que pelo menos 20% desse valor poderá ser revertido para os titulares dos dados, que hoje nada recebem pelo compartilhamento de seus dados.
O valor que será acumulado, individualmente, pela venda dos dados ainda será objeto de debate durante a tramitação do projeto. Estimativas iniciais citadas pelo autor do projeto indicam que a monetização de dados poderá assegurar uma remuneração média de US$ 50 por mês para cada titular de dados, ou seja, quase R$ 300 mensais.
João Leite Bezerra,João Bezerra Leite, Head de investimentos em fintechs na bossa invest e ex-CTO do Itaú Unibanco, vê o projeto como uma iniciativa pioneira e uma inovação sustentável para o país.
“A monetização dos dados pode ser a grande cereja do bolo para unificar o mundo progressista, que visa reduzir a desigualdade social, e o mundo tecnológico para a inclusão social. O Brasil tem a oportunidade de sair na frente dessa discussão”, diz Bezerra.
Com mais de 40 anos de experiência no setor de tecnologia e financeiro, Bezerra afirma que a discussão também está ocorrendo em outros países, como os Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, mas o Brasil parece estar com o assunto mais amadurecido no momento. O especialista acrescenta que a medida tem potencial de criar novos “campeões nacionais” baseados em tecnologia, e elevar o patamar do Brasil na arena internacional.
“Esse PLP pode trazer novos campeões nacionais, como Nubank, mas baseados em tecnologia, e não em commodities como é hoje”, afirma. “E o Brasil pode ser pioneiro no mundo.”
Detalhes da medida
Em resumo, a “Lei Geral de Empoderamento de Dados” visa estabelecer um marco legal para a proteção e monetização de dados pessoais no Brasil. A ideia é criar o Ecossistema Brasileiro de Proteção de Dados, que garantiria o direito de propriedade do titular dos dados, as regras para a cessão de uso desses dados, e sua participação na renda gerada pelo uso e compartilhamento desses dados.
O texto propõe também a tributação das receitas provenientes da monetização de dados pelas empresas participantes do ecossistema, com a adoção de alíquotas diferenciadas vinculadas ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.
A ideia da medida é abordar a necessidade de ajustes legais, como a inclusão no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor dos direitos de propriedade como base para a proteção dos dados pessoais, e a definição de conceitos como monetização de dados para fortalecer a regulação e garantir a participação efetiva dos titulares de dados no ecossistema de dados.
Como seria a poupança dos dados
O texto da medida afirma que a monetização de dados contempla a coleta e processamento de dados de uma pessoa física ou jurídica para a geração de receita ou um benefício econômico.
Isso envolve a coleta e análise de dados pessoais, a fim de criar perfis de consumidores e direcionar publicidade personalizada, desenvolver produtos e serviços, identificar padrões comportamentais, e gerar novos conjuntos de informações de interesse de quem os adquire, produzindo um benefício quantificável para quem coleta e processa os dados.
Segundo o autor do projeto, deverá ser disponibilizado ao titular de dados “um aplicativo digital para monitoramento e controle e gestão, do uso e compartilhamento de dados ou informações pessoais ou relacionadas a transações de qualquer natureza de que participe e do recebimento, em conta individual, de participação nas receitas auferidas pelos controladores ou operadores a título de monetização, mediante o uso de criptografia/blockchain ou tecnologia que assegure a privacidade e segurança do controle”.
A previsão é que seja criada uma “identidade individual de dados”, intransferível, digitalmente certificada, vinculada a uma conta individual de poupança de dados em instituição financeira ou instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central.
Essa conta, no caso de o titular não ter outra conta bancária, será o destino dos recursos que o cidadão terá direito a receber, e vai ser acumulada a cada transação que gere receitas.
É o início de um debate que pode colocar o Brasil na dianteira — e, dessa vez, por uma boa razão.
EXAME
Brasil
Lito Sousa fala sobre câncer de próstata, inflamação no cérebro e perda de movimento no braço
Lito Sousa, youtuber do canal Aviões e Músicas, revelou em vídeo que foi diagnosticado com câncer de próstata e uma inflamação cerebral que afetou os movimentos do seu braço esquerdo.
No vídeo publicado no domingo (2), ele detalha o diagnóstico e seu estado atual de saúde.
Há cerca de três meses, Lito soube do câncer de próstata após uma alteração no PSA em exames de rotina. Ressonância magnética e biópsia confirmaram um tumor classificado como nível 3.
Segundo ele, esse nível indica um câncer intermediário e não emergencial, mas que precisa de tratamento.
Lito optou por uma prostatectomia, remoção completa da próstata, visando cura total, já que outros tratamentos não garantiriam 100% de cura.
Perda de movimento no braço esquerdo
Durante o acompanhamento, começou a perder o controle e movimentos da mão e braço esquerdo, além de sentir dormência.
Exames neurológicos mostraram assimetria entre os hemisférios cerebrais.
Mesmo com o sintoma, manteve viagem aos Estados Unidos após orientação médica.
O uso de corticoide para tratamento, aliado ao diabetes tipo 2, agravou seu quadro, aumentando a dormência e perda de controle motora.
No aeroporto dos Estados Unidos, sua esposa Mila Seidl percebeu que Lito estava andando de forma alterada, levando à antecipação do retorno e internação em São Paulo.
Exames confirmaram inflamação no lado direito do cérebro.
Tratamento e recuperação
Após tratamento com corticoides e imunoglobulina, sofreu perda de peso de 7 kg, consequência do tratamento e uso temporário de insulina.
O foco atual é na recuperação neurológica com fisioterapia, terapia ocupacional e exercícios físicos intensos.
Lito demonstra determinação em se recuperar e continuar produzindo conteúdo para seu canal.
Importância da prevenção
Lito Sousa ressalta a importância dos exames preventivos para detecção precoce, que pode garantir mais de 99% de chance de sobrevida em 5 anos.
Ele enfatiza que o câncer de próstata pode atingir qualquer pessoa, independente dos cuidados com a saúde, e que o exame de rotina foi crucial para seu diagnóstico e tratamento precoce.
Brasil
Milei agrava tensão com Lula e atrasa retorno do embaixador do Brasil à Argentina
O presidente argentino, Javier Milei, intensificou recentemente suas críticas ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em uma entrevista para o canal LN+, dificultando o progresso para um acordo diplomático e atrasando o retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli a Buenos Aires. A retomada das relações diplomáticas dependia de sinais de acalmia.
Em 2 de abril, Milei reafirmou, em entrevista, declarações feitas anteriormente no Brasil, durante evento que marcou a candidatura presidencial do senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nesta ocasião, o presidente argentino defendeu ter chamado o petista de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”.
“Eu menti?”, questionou-se Milei na TV, acrescentando: “Ele é ladrão, corrupto. Foi condenado por crimes de corrupção e esteve preso, por isso é correto chamá-lo assim. Foi solto por um erro processual, não por inocência.”
Até o dia 31, o Itamaraty mantinha uma postura de espera por sinais positivos para a normalização e monitorava a situação política na Argentina por meio do trabalho diplomático a distância. A embaixada continuava operando sem o embaixador.
Julio Bitelli foi chamado a Brasília para consultas, uma resposta diplomática ao gesto de Milei na convenção bolsonarista. Após reuniões com o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, o embaixador recebeu orientação para permanecer no Brasil até que a situação política permita uma nova avaliação.
O governo brasileiro não deseja diminuir sua representação diplomática, desativar a embaixada ou romper relações, mas está adotando uma postura cautelosa. As recentes declarações de Milei vão na contramão das expectativas até então.
Diplomatas envolvidos nas reuniões do Itamaraty consideraram positiva, para o contexto do governo Milei, a fala do chanceler argentino Pablo Quirno, em 29 de março, na rádio Mitre, indicando que não há intenção de romper relações com o Brasil.
Bitelli permanece em Brasília, tendo realizado três encontros com membros do governo federal, duas vezes com o presidente Lula e uma última reunião somente com o ministro Mauro Vieira no dia 31 de março.
Brasil
Projeto seleciona quatro regiões para rede nacional de afroturismo
Estão abertas as inscrições para o edital do projeto Rede Memória Viva, que busca escolher quatro regiões para fazer parte de uma rede nacional dedicada a fortalecer a memória e a cultura afro-brasileira. O prazo para inscrição vai até 3 de outubro.
Detalhes do edital encontram-se no site oficial do projeto, onde também é possível realizar a inscrição. Os territórios escolhidos serão anunciados em 22 de outubro.
O projeto tem como objetivo identificar áreas que promovem a preservação da memória afro-brasileira e oferecer suporte para que ganhem maior reconhecimento e visibilidade por meio do afroturismo — uma forma de turismo focada em locais ligados à ancestralidade africana e à cultura negra.
Os quatro territórios selecionados participarão de um processo institucional que inclui formações, desenvolvimento de projetos e estratégias para turismo comunitário, economia cultural e fortalecimento das iniciativas locais.
Rede Memória Viva
A iniciativa faz parte das ações do Consórcio Viva Pequena África, composto pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), Diáspora.Black e Feira Preta.
Além disso, o projeto realiza um mapeamento nacional de experiências que preservam a herança africana no Brasil, abrangendo quilombos, comunidades tradicionais, museus comunitários, centros culturais, organizações da sociedade civil e outros espaços.
Esse levantamento contribui para ampliar a visibilidade de ações que desempenham papel fundamental na conservação da história e cultura afro-brasileira.
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