Economia
Prefeito do Rio recorre a Lula em busca de uma solução para a queda de passageiros no Galeão
Em busca de resolver o esvaziamento do Galeão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, recorreu diretamente ao presidente, que teria prometido estudar o assunto, dizem fontes

(Infraerro/Divulgação)
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, recorreu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para buscar uma solução definitiva para a queda na oferta de voos e no fluxo de passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte da capital. Segundo fontes a par da conversa que os dois tiveram, o prefeito cobrou de Lula uma solução e ouviu a promessa de estudar o assunto.
Procurado ontem pelo GLOBO, Paes não retornou, mas usou as redes sociais para mais uma vez cobrar uma solução para o Galeão. Em publicação nas redes sociais, Paes fez uma paródia, em tom de brincadeira, com os chatbots baseados em inteligência artificial, como o ChatGPT, para listar e reforçar argumentos em favor da revitalização do Galeão e da importância dele para a economia da cidade e do Estado do Rio.
Ele repetiu que o fraco movimento no aeroporto internacional diminui empregos e renda.
Nos bastidores, o prefeito aposta no contato direto com Lula na tentativa de acelerar a construção de uma saída. Paes insiste na defesa da limitação da oferta de voos no Aeroporto Santos Dumont como solução. A ideia seria deixar o terminal no Centro dedicado apenas à ponta aérea Rio-São Paulo e aos voos para Brasília.
Em abril, Paes e o governador do Rio, Cláudio Castro, reuniram-se com representantes do governo federal para tratar dos terminais aéreos do estado, mas até agora nenhuma decisão foi tomada.
Limite no Santos Dumont
“Resolvi tratar aqui do absurdo que foi iniciado no governo (Jair) Bolsonaro”, diz um trecho da publicação de Paes no Twitter, referindo-se à decisão da Infraero de aumentar a movimentação no Santos Dumont nos últimos anos.
O prefeito afirma, logo em seguida, que o problema “certamente” será revolvido por Lula e pelo ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, marcando os perfis dos dois na postagem.
O Galeão chegou a embarcar 17 milhões de passageiros em 2014, mas terminou o ano passado com quase 6 milhões. A previsão para este ano é chegar a 7,2 milhões, de acordo com a RIOgaleão, concessionária que administra o aeroporto desde 2014 e é controlada pela Changi, de Cingapura, a maior do mundo no setor.
O Santos Dumont teve fluxo de pouco mais de 10 milhões de passageiros no ano passado, acima do nível de 9,2 milhões de 2013 e da capacidade máxima prevista até então de 9,9 milhões ao ano.
Diante da fraca demanda do Galeão, a Changi pediu para devolver a concessão à União em fevereiro de 2022. Um ano depois, afirmou que, caso as condições econômico-financeiras do contrato fossem revistas, poderia continuar gerindo o aeroporto.
O tema foi tratado na reunião de abril com Paes e Castro, mas o governo resolveu questionar o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de a Changi voltar atrás na devolução da concessão. Na semana passada, o ministro Vital do Rêgo, relator na consulta no TCU, disse ao GLOBO que pretendia oferecer uma solução ao plenário da Corte o mais breve possível.
Segundo especialistas, a ociosidade do Galeão seria resultado de uma combinação de fatores, da perda de dinamismo da economia fluminense à reorganização dos voos pelas companhias aéreas no pós-pandemia, focando em aeroportos mais movimentados e de maior capacidade de distribuição de passageiros em conexões. A maior oferta de voos no Santos Dumont acaba tirando atratividade do Galeão.
Samba carioca para SP
O post de ontem de Paes cita indiretamente o problema das conexões, ao usar como ilustração uma referência ao recente lançamento de um voo da britânica Virgin Atlantic para o Brasil. A empresa decidiu voar de Londres para Guarulhos e não para o Galeão.
Na campanha de divulgação do lançamento, a Virgin escalou a atriz Juliana Paes, uma das estrelas do carnaval carioca, o mais famoso do país no exterior, para surgir como passista num avião da companhia, como relatou a coluna Capital, do GLOBO
Economia
Fmi alerta sobre alta prolongada dos preços
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (6), que a alta contínua dos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, impulsionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, está durando mais tempo do que o esperado.
Os valores globais de diversas matérias-primas permanecem elevados por vários anos, inicialmente devido às interrupções nas cadeias de suprimentos causadas pela pandemia de covid-19 e, posteriormente, pelas guerras na Ucrânia e no Irã.
“Os preços dos itens essenciais, em comparação com outros produtos, continuam subindo há mais de um ano (…) e estão persistentemente altos”, disse o FMI em uma publicação em seu blog.
“Como consequência, as pessoas enfrentam não apenas um aumento temporário no custo de alimentos e energia, mas também uma redução prolongada no poder de compra desses produtos básicos em relação a outros bens”.
Os salários estão tendo dificuldades para acompanhar essas contínuas pressões inflacionárias.
O conflito no Irã, iniciado em fevereiro deste ano, elevou a inflação global e levou o FMI a ajustar para cima sua previsão do índice, que deve alcançar 4,7% mundialmente em 2026, contra 4,1% no ano anterior.
O FMI planeja divulgar na próxima semana a parte principal da atualização de seu relatório ‘Perspectivas da Economia Mundial’, com novas projeções para o crescimento e inflação globais.
O fundo ressaltou que os impactos dos chamados choques de oferta vão além de apenas alguns meses de inflação elevada, indicando que as consequências são profundas e de longo prazo.
Economia
Ibovespa ajusta e opera em torno de 205 mil pontos
O Ibovespa iniciou a terça-feira, dia 6, com leve alta de 0,01%, atingindo 206.924,61 pontos, chegando a alcançar a máxima de 209.522,60 pontos com um incremento de 1,26%, porém não sustentou esses níveis. Pouco tempo depois, o índice virou para queda, atingindo mínimas e caindo abaixo dos 205 mil pontos.
Esse ajuste pode ser atribuído em parte à correção após a forte alta registrada no dia anterior, influenciada pelos resultados do primeiro turno das eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, espera-se que, se eleito, o senador do PL possa adotar uma política menos expansionista.
“Trata-se de um ajuste às médias móveis, mas o movimento estrutural do Ibovespa permanece de alta”, comenta Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. “Se eleito, há a possibilidade de que Flávio Bolsonaro implemente uma política focada na retomada do superávit primário do país, o que poderia reduzir os juros e facilitar o custo de capital para as empresas”, acrescenta.
Além disso, o índice sofre com a queda de aproximadamente 2% no preço do petróleo no mercado internacional, influenciado por sinais de aumento nas exportações da commodity do Oriente Médio, em um contexto de agenda econômica fraca, tanto nacional quanto internacionalmente. Enquanto isso, em Nova York, os índices das bolsas registram avanços, impulsionados pela percepção de menor pressão inflacionária, em parte decorrente da queda consecutiva do preço do petróleo.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, atingindo o recorde de 206.911,89 pontos, após alcançar uma máxima de 209.605,70 pontos.
Mesmo com o avanço no dia anterior, o banco Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria um aumento de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.
O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, fechando a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de cortes na taxa Selic nos meses de novembro e dezembro de 2026 e em 2027. As operações nesta terça-feira continuam nessas linhas.
“A curva de juros demonstra quanto o país paga pela desconfiança em relação às suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui”, afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a queda do dólar frente ao real indica vendas significativas nas mesas institucionais da moeda americana, sugerindo entrada de capital estrangeiro no Brasil. “Isso pressiona o dólar para baixo.”
Os investidores agora aguardam pesquisas eleitorais que serão divulgadas na quinta-feira, relacionadas ao segundo turno.
O foco está também no Senado, com a possível abertura das discussões sobre o fim da escala 6×1, conforme opinião do economista sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultora. No entanto, ele ressalta que, segundo reportagens na imprensa, existem dúvidas sobre o avanço dessa pauta neste momento.
Às 11h26, o Ibovespa registrava queda de 0,82%, com 205.376,46 pontos, variando entre mínima de 204.832,36 pontos e máxima de 209.522,60 pontos (+1,26%). Entre os papéis de maior destaque, a Vale recuava 1,81%, enquanto Petrobras tinha perdas entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No setor bancário, apenas Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7% ON e +2,43% PN) apresentavam valorização. O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%), enquanto a maior alta ficou com Azzas (+5,14%).
Economia
BNDES financia R$ 21,8 milhões para digitalizar Unipac
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 21,8 milhões para impulsionar a digitalização da Unipac, uma empresa do Grupo Jacto especializada na transformação de polímeros. Este investimento tem como objetivo substituir vários processos manuais por alternativas digitais, incluindo a coleta de dados em tempo real e o uso de ferramentas avançadas de análise.
Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão utilizados para implementar tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e manufatura aditiva na sede em Pompéia (SP) e nas unidades em Paulínia (SP), Limeira (SP), Maracanaú (CE) e Uberaba (MG). No setor de compras, modelos de IA serão empregados para prever tendências de mercado e otimizar a gestão de contratos.
José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou que “o projeto engloba investimentos em digitalização, automação e análise de dados, aplicados em sistemas de produção, inspeção de peças, planejamento de estoques e fabricação de moldes, resultando em redução de custos e aumento da produtividade”.
Para o planejamento de vendas e operações, a Unipac contará com uma plataforma de gestão digital aprimorada por IA, visando melhorar a precisão na previsão da demanda e, assim, tornar mais eficiente a coordenação entre compra, venda, logística e manufatura.
O BNDES informou ainda que será instalado um sistema automático de inspeção visual para identificar defeitos nas peças durante a produção de embalagens. Essa verificação será feita por câmeras de alta resolução auxiliadas por ferramentas de IA, com o objetivo de alcançar a meta de “zero defeitos” em relação a problemas visuais nos produtos.
Além disso, será desenvolvido um conjunto integrado de sistemas inteligentes de manufatura para coletar, processar e armazenar dados de produção em tempo real. Os modelos de IA irão analisar esses dados para detectar padrões, anomalias e oportunidades de melhoria, permitindo um monitoramento rigoroso da produção e a criação de alertas automáticos para as equipes operacionais, reduzindo desperdícios e defeitos.
A manufatura aditiva será empregada para inovar um dos processos tradicionais de fabricação de moldes em Pompéia, São Paulo, com equipamentos capazes de produzir peças metálicas com alta precisão.
Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac, afirmou que “a transformação digital representa uma capacidade avançada que sustenta nossa estratégia centrada no cliente, fundamentada em três pilares principais: relacionamento duradouro, decisões baseadas em dados e profundo conhecimento dos clientes. Esta parceria com o BNDES acelera nossos investimentos contínuos em tecnologia e desenvolvimento humano, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do nosso negócio”.
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