Brasil
Passeio de Helicóptero no Rio: O Que Conferir Antes de Voar
Após uma queda de helicóptero que resultou em quatro mortes no último sábado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Prefeitura do Rio estão analisando as medidas a serem implementadas em relação aos voos panorâmicos na cidade.
De acordo com a Anac, a documentação da empresa responsável pelo helicóptero estava regular. Entretanto, muitas pessoas desconhecem como verificar se uma aeronave está autorizada a realizar voos turísticos, que transportam milhares de passageiros mensalmente.
Quem planeja fazer esse tipo de passeio pode seguir algumas orientações para garantir que a aeronave esteja apta para operar com segurança. Veja o que conferir antes de embarcar.
Prefixo da Aeronave
Antes do voo, confirme com a empresa o prefixo da aeronave designada para o passeio. O prefixo tem um formato específico: duas letras, hífen e três letras, por exemplo, AA-XXX.
Com o prefixo, acesse o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) no site da Anac para verificar:
- Modelo do helicóptero;
- Situação da aeronave;
- Operador;
- Autorização para Serviço Aéreo Especializado (SAE);
- Se estiver em “SITUAÇÃO NORMAL”, significa que não há restrições administrativas relevantes.
No mesmo local, é possível confirmar a validade do Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA), que certifica que a inspeção foi concluída favoravelmente e que a aeronave pode operar com segurança até a data estipulada.
Identificação da Aeronave
Conforme a Anac, todos os helicópteros que realizam voos panorâmicos devem estar identificados com a inscrição “VOO PANORÂMICO”. É recomendável verificar isso presencialmente antes de embarcar.
Briefing de Segurança
Antes do embarque, certifique-se de que a equipe da empresa faz um briefing de segurança, explicando como usar e ajustar o cinto, procedimentos para embarque e desembarque, onde guardar objetos pessoais, o que não pode ser levado e os passos a seguir em caso de emergência.
Voo Turístico no Rio
O mercado de voos panorâmicos na capital é ativo, com várias empresas e centenas de turistas. Entre outubro e dezembro de 2025, foram realizados 31.759 voos na cidade.
Segundo a Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio de Janeiro (Aotherj), a média é de 70 voos panorâmicos diários, com cerca de 6.771 passageiros por mês, chegando a 223 por dia. O maior movimento ocorre em fevereiro, no Carnaval.
A Anac destaca que voos panorâmicos são para turismo, utilizando equipamentos certificados e operados por profissionais qualificados. O serviço deve iniciar e terminar no mesmo local sem paradas intermediárias.
As empresas devem ter o Certificado de Operador Aéreo (COA) e as Especificações Operativas (EO) que autorizam o serviço.
Os principais pontos de saída incluem helipontos na Zona Sul, como Lagoa e Urca, e o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca. Os passeios variam entre 30 e 45 minutos, com rotas predefinidas e eventuais ajustes para mostrar pontos turísticos.
Os preços oscilam entre R$ 640 para voos curtos de até 10 minutos e R$ 3.710 para passeios de 60 minutos.
As rotas geralmente passam por Cristo Redentor, Arpoador, praias da Barra da Tijuca, Jardim Botânico, Jóquei Brasileiro, Copacabana, Leme, Gávea, Vidigal, Floresta da Tijuca, São Conrado, Lagoa Rodrigo de Freitas e Rocinha.
Tragédia no Último Sábado
O acidente ocorreu durante um voo familiar para celebrar os 15 anos de uma adolescente. As turistas colombianas Rocio Cubillos (59 anos), Wendy Manrique (37 anos) e Sofia Murillo (17 anos) faleceram na queda em área de mata perto da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, juntamente com o piloto Alessandro Rocha, que possuía 20 anos de experiência.
O grupo estava no Rio desde segunda-feira e se dividiu para o voo panorâmico. No momento da queda, outros três familiares aguardavam para embarcar no voo seguinte.
Investigação do Acidente
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) iniciou as investigações imediatamente após o ocorrido, utilizando técnicas específicas para coletar dados e avaliar os danos da aeronave, além de reunir informações importantes para identificar causas e fatores envolvidos. O objetivo é emitir recomendações que evitem futuras ocorrências similares.