Mundo
Onda de calor provoca fortes chuvas no norte da Itália e incêndios florestais no sul

(Alexandros KOTTIS/AFP)
A onda de calor extremo segue provocando incêndios e interrupção de serviços essenciais na Europa e norte da África na mesma semana em que um novo estudo explicitou que as altas temperaturas são resultados das mudanças climáticas.
Na Itália, pelo menos duas pessoas já morreram por causa de chuvas fortes, enquanto no sul o aeroporto de Palermo precisou ser fechado por causa do calor da pista. Na Grécia, dois pilotos que combatiam os incêndios florestais morreram depois que seu avião caiu.
A soma de calor extremo e ventos fortes tem favorecido a propagação dos incêndios na Sicília, onde foram registrados 47 °C na última segunda-feira, 24, uma temperatura recorde desde 1999. Pelo menos 43 focos de incêndios devastam as vegetações italianas, principalmente na região de Palermo, onde rodovias foram fechadas e o fogo ameaça atingir o hospital Cervelló e o aeroporto local. O aeroporto Falcone e Borsellino, ainda em Palermo, precisou ser fechado.
O transporte ferroviário também foi interrompido pelos incêndios. “Vivemos na Itália um dos dias mais complicados das últimas décadas: inundações, tornados e forte granizo no norte, calor tórrido e incêndios devastadores no sul”, escreveu o ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, no Facebook nesta terça-feira, 25. “As mudanças climáticas que estão atingindo nosso país obrigam a todos, sem exceção, a mudar de atitude”, acrescentou.
Enquanto isso, no norte do país, fortes chuvas continuam provocando vítimas, principalmente por queda de árvores. Em Milão, as intensas precipitações de granizo e o forte vento provocaram inundações e quedas de várias árvores nas calçadas. A empresa de transporte público local relatou graves danos à rede elétrica local e também houve relatos de corte temporário de água no centro histórico da cidade.
“É com muita tristeza que tomei conhecimento da trágica notícia de dois acidentes provocados pelo mau tempo, em que uma jovem de 16 anos morreu num acampamento escoteiro em Brescia e uma mulher em Lissone devido à queda de árvores”, escreveu a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, numa mensagem na rede social X (anteriormente denominada Twitter).
Acidente na Grécia
Um avião da Força Aérea grega caiu ao tentar combater um incêndio florestal no sul da Grécia nesta terça, 25, matando os dois pilotos, enquanto as autoridades continuam lutando contra as chamas que já duram dias em todo o país em meio ao retorno das altas temperaturas.
Um vídeo da TV estatal ERT mostrou a aeronave liberando sua carga de água na ilha de Evia antes que sua ponta da asa aparentemente se prendesse em um galho de árvore. Momentos depois, o avião desapareceu em uma dobra profunda no chão de onde uma bola de fogo irrompeu. A Força Aérea disse que os pilotos, de 34 e 27 anos, morreram no acidente. O avião não tinha sistema de ejeção.
O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis cancelou uma visita planejada ao Chipre para quarta-feira, 26, e as Forças Armadas da Grécia declararam três dias de luto. “Eles ofereceram suas vidas para salvar outras vidas”, disse Mitsotakis sobre os pilotos. “Eles provaram o quão perigosas são suas missões diárias na extinção de incêndios. Em sua memória, continuamos a guerra contra as forças destrutivas da natureza.”
Uma terceira onda de calor consecutiva na Grécia empurrou as temperaturas para mais de 40 °C em partes do país nesta terça, 25, em meio a uma série de retiradas de pessoas devido aos incêndios que estão fora de controle há dias, agravados por fortes ventos.
Ainda não está claro como eles começaram, embora as condições de seca em meio ao calor do verão signifiquem que a menor faísca pode desencadear um incêndio que se espalhará rapidamente se não for extinto rapidamente. Várias pessoas foram presas ou multadas em toda a Grécia nos últimos dias por iniciar incêndios acidentalmente.
A isto se junta o recorde da temperatura da água do mar Mediterrâneo que regista 28 °C, 4 °C a mais do que o normal na zona sudeste da Península Ibérica, segundo a Agência Meteorológica do Estado, ou entre 2 °C e 3 °C acima do normal no Golfo da Biscaia; e a presença de neblina no Saara em vários períodos desde o início do verão.
Na Argélia a situação não é melhor, onde nas últimas semanas se regista uma onda de calor com temperaturas de 50 °C na sombra na capital, Argel, e em várias províncias costeiras, o que tem favorecido a propagação do fogo que deixou até agora 34 vítimas, entre as quais uma dezena de soldados e vários feridos.
Os incêndios são frequentes na Argélia, país com 4 milhões de hectares de florestas, onde os incêndios de 2022 deixaram pelo menos 38 mortos e 160 feridos, enquanto um ano antes as vítimas do incêndio ascenderam a 90 pessoas, 33 delas militares que participaram na extinção das chamas.
Mudanças climáticas
As temperaturas extremas registradas neste mês de julho em quase todo o Hemisfério Norte, especialmente Europa e Estados Unidos teriam sido quase impossível sem a influência das mudanças climáticas causada pelo homem, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça, 25.
Graças a anos de pesquisa e computadores mais poderosos, os cientistas agora podem determinar quase em tempo real se a mudança climática está contribuindo para a intensidade do calor, tempestades, inundações e secas — e quanto.
Uma geração atrás, calcular essas conexões levava até um ano, mas os pesquisadores da World Weather Attribution tiraram suas conclusões sobre a onda de calor deste verão em menos de uma semana. Seu estudo é o primeiro a observar três ondas de calor simultâneas em três continentes diferentes.
Essas ondas de calor excepcionalmente fortes estão se tornando mais comuns, disse o estudo. A mesma pesquisa descobriu que o aumento dos gases que retêm o calor, em grande parte da queima de carvão, petróleo e gás natural, tornou outra onda de calor — a da China — 50 vezes mais provável.
Uma atmosfera estagnada, aquecida por dióxido de carbono e outros gases, tornou a onda de calor europeia 2,5 °C mais quente, a dos Estados Unidos e do México 2 °C mais quente e a da China 1 °C mais quente, segundo o estudo.
“Sem as mudanças climáticas, não veríamos isso de forma alguma”, disse Friederike Otto, professora sênior de ciência do clima no Imperial College London e cofundadora da World Weather Attribution. “Ou seria tão raro que basicamente não estaria acontecendo.”
Baseando-se em dados coletados de anéis de árvores e outros substitutos para registros de temperatura, vários cientistas do clima dizem que o calor deste mês é provavelmente o mais quente da Terra em cerca de 120 mil anos, o que o tornaria facilmente o mais quente da civilização humana.
A temperatura média global foi mais quente em 22 dos primeiros 24 dias de julho do que em qualquer outro dia registrado, de acordo com cálculos do Climate Reanalyzer da Universidade do Maine.
Mundo
Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos
A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.
Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.
Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.
Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.
A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.
Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.
Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.
As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.
O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.
Mundo
Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul
Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.
“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.
A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.
Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.
O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.
“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.
Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.
Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.
O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.
No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.
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Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.
Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.
“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.
As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.
“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.
A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.
Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.
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