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Maxxing: descubra o que impulsiona a tendência de maximizar tudo, da aparência à fé
De acordo com os dicionários, maxxing (ou maximizar, em português) significa aumentar algo ao seu maior valor. Entre os jovens, o termo viral é um sinal de uma obsessão atual: “otimizar” tudo, do sono à aparência, transformando cada aspecto da vida em um “ativo de alta performance”, para usar um termo comum neste meio.
Nas tendências das redes sociais, o sufixo “-maxxing” aparece junto a um verbo ou rotina para indicar que determinado desempenho está sendo levado ao extremo, muitas vezes com métodos radicais.
O looksmaxxing, por exemplo, envolve exercícios faciais incomuns para um aprimoramento contínuo, fazendo com que os adeptos contem cada milímetro de definição no maxilar. O mindmaxxing defende a otimização mental e o aumento da produtividade com técnicas de controle de estresse e uso de nootrópicos. O smellmaxxing busca uma fragrância única para cada pessoa por meio de supostas “alquimias” caseiras. Já o catholicmaxxing converte a devoção religiosa em um rigoroso protocolo moral de metas de virtude.
Nesta busca pela melhor versão de si mesmo, a ideia de existir sem um propósito produtivo parece proibida. Do carisma pessoal na vida social (charismamaxxing) ao isolamento voluntário (by-yourself maxxing), o que importa é o aprimoramento constante. É como se ninguém mais pudesse se dar ao luxo de ser simplesmente “normal”, destaca a ensaísta e pesquisadora Paula Sibilia, autora de obras como Você merece!: culpabilização e sofrimento no império do desempenho e O show do eu: a intimidade como espetáculo.
— Nas últimas décadas, houve um foco crescente na autorrealização, na autoestima e no empoderamento do “eu”, mais do que qualquer sacrifício pelo bem comum ou coletivo — destaca a pesquisadora argentina que vive no Brasil. — O objetivo de todos é “maximizar” suas capacidades, impressionar e superar os outros em todas as áreas da vida.
Os livros de Sibilia exploram a transformação da intimidade em exposição pública, onde o corpo se torna um espetáculo constante nas telas. A febre do maxxing indica uma evolução ainda mais rigorosa dessa lógica. Agora, além da exposição, é necessário hiperotimizar o “personagem”.
— Esses novos hábitos e crenças refletem uma naturalização da dinâmica do mercado e do espetáculo, como se fossem as únicas formas de existência atualmente disponíveis — comenta Sibilia. — Ou seja, só vale o que gera algum tipo de retorno, em vários aspectos, mas esses critérios são definidos pela cotação instável de diversos mercados.
Antes de ser adotado até pelo Exército americano, que recentemente postou sobre “Americamaxxing” em sua conta oficial no Instagram, o maxxing era restrito a comunidades virtuais obscuras frequentadas por incels (celibatários involuntários).
O termo surgiu em um ambiente marcado pela frustração, onde indivíduos insatisfeitos com a própria aparência viam a rejeição social e afetiva como um “déficit métrico” da sua anatomia. Com o tempo, o vocabulário se expandiu, conquistou o público feminino (beautymaxxing) e passou a abranger qualquer aspecto da vida contemporânea.
Os impactos do maxxing na imagem corporal são, no entanto, a manifestação mais visível dessa fixação pela otimização. No universo incel, o hardmaxxing popularizou intervenções caseiras perigosas, sem comprovação, como o bonesmashing, onde jovens tentam remodelar os ossos faciais com marteladas. Já no gymmaxxing, que promove a ida à academia com o objetivo declarado de melhorar a aparência, o alvo é alcançar o “físico de deus grego” (ou Adonis-maxxing, para os iniciados).
Coautor do instituto Float e autor de uma obra em desenvolvimento sobre a relação dos homens com a imagem corporal, o psicanalista André Alves acredita que a moda está relacionada ao aumento de transtornos mentais ligados à aparência, como a dismorfia corporal.
— O maxxing revela a transformação do corpo biológico em um recurso econômico — explica André. — É como se o corpo tivesse que ser controlado, gerido e personalizado estritamente pela mente. Deixamos de aceitar as frustrações naturais da biologia e passamos a ver o corpo humano como sinônimo de decadência, limitação e falta de controle.
Segundo André, as promessas de autonomia promovidas pelo maxxing escondem, na verdade, uma nova forma de aprisionamento. Ao transformar a aparência em uma métrica de desempenho, essa “engenharia corporal”, como ele a denomina, sacrifica nossas singularidades.
— O que chamam de autocuidado é, na verdade, um fascismo corporal — aponta o psicanalista. — Todo corpo deve ser igual, todos devem seguir o mesmo protocolo. Estamos destruindo a ideia de que cada corpo tem sua maneira única de viver seus ritmos e processos, de interagir com o mundo e de expressar a beleza.
A necessidade de medir cada ação e transformar a disciplina pessoal em espetáculo público não começou com o maxxing. Em O culto da performance, o sociólogo francês Alain Ehrenberg analisa como a lógica esportiva da alta performance se uniu ao discurso empresarial de produtividade, ajudando a espalhar a ideia de superação dos próprios limites.
Com o crescimento das redes sociais e de apps de monitoramento, essa lógica foi estendida à vida diária, transformando pequenos esforços pessoais em indicadores de valor. É quase um balanço do esforço pessoal, com publicações exibindo calorias gastas, quilômetros percorridos, horas de sono ou livros lidos na semana.
As diversas vertentes do maxxing, por sua vez, bebem da cultura do eu “quantificado”, que transforma o indivíduo em fonte de dados. No career-maxxing, que foca em aumentar o valor de mercado e eficiência profissional, estimula-se o compartilhamento de gráficos de produtividade e horas de “foco líquido” no LinkedIn. Já no bio-maxxing, métricas biológicas são monitoradas por relógios inteligentes que geram relatórios diários sobre sono, batimentos cardíacos e atividades físicas.
— A exposição valida a virtude conseguida pelo sacrifício — analisa Maria Carolina Medeiros, professora da Escola de Comunicação da FGV e pesquisadora em socialização feminina. — Ao compartilhar algo que parece estar ao meu alcance, cria-se um ciclo de adoecimento.
A busca por otimização chega até sequer a atividades originalmente alheias à cultura do rendimento, como a ioga.
— Percebo em minhas alunas de ioga que mais da metade grava a aula inteira — conta Maria Carolina. — E nem eu estou imune, pois às vezes fotografo alguma postura. Depois me pergunto: qual o sentido de fazer ioga, uma prática para desligar a mente, e ficar registrando? A que apelo estou respondendo com isso?
Não é casual que a explosão do maxxing coincida com o crescimento da indústria do bem-estar, um mercado que pode alcançar quase US$ 10 trilhões até 2030, segundo o Global Wellness Institute. Para Paula Sibilia, no entanto, essas tendências de maximização têm gerado mais frustração que qualidade de vida.
— Diferente da normalização imposta pela sociedade industrial dos séculos XIX e XX, com padrões restritivos, mas que eram atingidos pela maioria, o mercado atual nunca satisfaz os consumidores — destaca a antropóloga. — Essa nova lógica apenas alimenta os algoritmos das redes sociais e enriquece poucos que lucram com esses fenômenos.
Ironicamente, mesmo quem se sente perdido diante de tanta pressão por desempenho possui uma forma de otimização própria. Nesse caso, a recomendação é o meaning maxxing, uma tendência que promete extrair mais propósito e realização do trabalho e da vida.
— Uma consequência problemática de aderir a esse estilo de vida é o sofrimento garantido — alerta Sibilia. — Sempre haverá algo a retocar ou melhorar, pois essa é a dinâmica da otimização constante.
Cultura
Roberta Rodrigues comemora seu primeiro papel principal em série da Globo
Uma crise no trabalho pode levar uma advogada a revisitar um passado que tentou deixar para trás. Essa é a trama de Verônika com K, nova série original do Globoplay lançada na última quinta-feira, dia 22, com oito episódios. Protagonizada por Roberta Rodrigues, a produção de José Junior acompanha uma mulher que precisa conciliar carreira, maternidade e os laços que mantém com a comunidade onde cresceu.
A história se transforma quando o escritório onde Verônika trabalha é envolvido em um escândalo de corrupção. Enfrentando dificuldades financeiras, ela recebe uma proposta que a coloca frente a Rod (Dhério Chagas), antigo amor que agora lidera o tráfico no Morro de São Jerônimo.
A decisão de aceitar o caso traz à tona questões pessoais. Anos atrás, Verônika deixou a comunidade com sua mãe, Glória (Maria Ceiça), enquanto estava grávida de Kenya (Emmy Neves). Desde então, construiu uma carreira na advocacia criminal, mas essa nova fase ameaça separar sua vida organizada das relações do passado.
Roberta Rodrigues destaca nova etapa em sua carreira
Com 27 anos de trajetória, Roberta Rodrigues enxerga na personagem a chance de liderar uma narrativa que também aborda maternidade e relacionamentos amorosos.
“Sou uma atriz que se dedicou durante toda a vida, sempre confiando em sua capacidade, mas que nunca teve essa oportunidade. De repente, alguém acreditou em mim e me deu esse papel para contar essa história”, declarou à Gshow.
A atriz também ressaltou o papel do amor na construção da protagonista, além dos desafios ligados à profissão e à família.
“Em 27 anos de carreira, essa é a primeira vez que vou interpretar uma história completa, com uma mãe, filha e um parceiro romântico, explorando também o tema do amor. Nunca ocupamos esse espaço do amor na arte. Isso é o que torna tudo tão transformador”, completou.
Conflitos pessoais e profissionais desafiam protagonista
Os obstáculos de Verônika vão além do tribunal. A advogada se envolve com André (Marcelo Serrado), promotor que representa o lado oposto nos processos judiciais. Cristiano (André Luiz Miranda), amigo de longa data e conhecido de Rod, atua como policial e está presente na trama.
Esse emaranhado de relacionamentos intensifica os dilemas da personagem, que luta para administrar sua vida enquanto enfrenta segredos que podem abalar sua família e futuro.
Ao falar sobre Verônika, Roberta destacou a independência da personagem em seguir seus desejos e relacionamentos.
“Verônica é uma mulher dona de si. Desejo que todas as mulheres tenham essa liberdade para viver como querem, agir conforme seus desejos e governar suas vidas, pois merecemos. O mundo só vai melhorar quando as mulheres estiverem no comando”, afirmou.
Série reúne atores com história em comum
Na produção, Roberta Rodrigues contracena com Marcello Melo Jr., que faz uma participação especial como Mikhael, personagem de Arcanjo Renegado.
Essa parceria junta dois artistas que começaram no projeto cultural Nós do Morro, no Vidigal, Rio de Janeiro, e mais tarde fizeram parte do grupo musical Melanina Carioca.
Para Roberta, compartilhar esse momento profissional com o amigo representa parte de sua trajetória na arte.
“Ele é um amigo querido e tenho muito orgulho. Nós, vindo do Nós do Morro, nos reencontrando e protagonizando séries, isso é realmente transformador. A arte modifica, é poderosa, quebra barreiras e está aí para usarmos e aproveitarmos”, concluiu.
Os oito episódios de Verônika com K estão disponíveis no Globoplay.
Cultura
Renner lembra parceiro musical Rick em vídeo por um mês de sua morte
O cantor Renner, conhecido por formar dupla sertaneja com Rick, usou o Instagram nesta quarta-feira (21) para prestar uma homenagem ao amigo, que faleceu aos 59 anos.
O tributo foi feito por meio de um vídeo antigo da dupla, em que os dois aparecem descontraídos caminhando em um aeroporto.
Renner valorizou a trajetória que construíram juntos e expressou o desejo de manter viva a presença do parceiro em sua carreira.
“Já faz um mês sem você. Valeu cada batalha ao seu lado. Sei que em todos os palcos onde eu me apresentar, você estará comigo”, escreveu ele. O vídeo havia sido originalmente compartilhado no perfil dos artistas em 26 de março.
A esposa de Rick, Geralda Helena, também prestou sua homenagem à mesma data. Ela recordou os muitos anos de união e destacou o tamanho da falta que sente.
“Um mês de tristeza profunda e muita saudade. Você foi o meu primeiro e único grande amor. Quarenta e quatro anos juntos. Te amarei para sempre, meu eterno amor”, afirmou.
Acidente fatal na Serra Catarinense
Rick faleceu no dia 22 de setembro, aos 59 anos, em decorrência da queda de um helicóptero próximo a Urubici, na Serra Catarinense.
Além dele, outras quatro pessoas perderam a vida na tragédia: o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, o copiloto Leopoldo Barros Teixeira, o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares.
Cultura
Nailson Vieira apresenta cultura da Mata Norte no Japão
A rica tradição popular da Zona da Mata Norte de Pernambuco está prestes a ser compartilhada com o público japonês, graças ao talento do cantor e instrumentista Nailson Vieira.
A partir de terça-feira, dia 27, Nailson Vieira, natural de Nazaré da Mata, embarca para o Japão para uma série de sete apresentações em cidades como Kyoto, Wajima e Tóquio, que irão se estender até o começo de novembro.
Ele estará acompanhado no palco por Homero Basílio, que cuidará da bateria e percussão, e por Chiquinho Moreira, que tocará os teclados.
O convite para essa turnê partiu da Embaixada do Brasil no Japão, fruto da participação de Homero Basílio em uma apresentação agendada para 2025 no país, na condição de produtor musical de Nailson Vieira.
O objetivo é aproximar os japoneses das manifestações culturais típicas de Pernambuco. Além das apresentações musicais, o grupo fará cortesjos com maracatu rural, bloco rural e ciranda, além de oferecer uma oficina sobre maracatu de baque solto em Tóquio.
Nailson Vieira destaca a felicidade de levar a cultura da Mata Norte para o Japão: “Estou levando a Mata Norte para lá. Toda a nossa cultura e brincadeiras irão comigo nessas apresentações e nos shows, vai ter bloco rural, maracatu rural e ciranda. Vou fazer até ensaio de maracatu. É um privilégio levar a força da cultura popular para o outro lado do mundo”.
O repertório será baseado no álbum de estreia do artista, “Sou, Estou”, lançado em 2025, que traz músicas autorais. A turnê também será oportunidade para lançar uma canção inédita.
A ligação de Nailson Vieira com essas tradições começou na infância, participando dos sambadas de maracatu de baque solto e dos festejos de carnaval da sua cidade natal. Essa conexão permanece viva em sua trajetória artística e no envolvimento com as agremiações locais, como presidente do Maracatu Estrela Brilhante e brincante do Bloco Rural Estrelinha, ambos de Nazaré da Mata.
Além do Japão, o músico já teve experiência internacional, como no Peru, onde ministrou uma oficina sobre maracatu de baque solto, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durante um congresso de etnomusicologia com participação da professora Cristiane Galdino.
Agenda do Nailson Vieira Trio no Japão
- 27/10 – Show Viva la Música – Kyoto
- 31/10 – Show Matsuri Crossing Noto – Templo Ganseiji (Wajima)
- 31/10 – Noto: Minisessão (Wajima)
- 3/11 – Bossa Aoyama – Tóquio
- 7/11 – Cortejo – Kyoto
- 7/11 – Matsuri Crossing KYOTO x BRASIL – Templo Higashi-Honganji
- 8/11 – Matsuri Crossing KYOTO x BRASIL – Templo Higashi-Honganji
Informações
Nailson Vieira Trio – Turnê Japão 2026
Período: 27 de outubro a 8 de novembro de 2026
Instagram: @onailsonvieira
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