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Magnata pró-democracia de Hong Kong é condenado por acusações de segurança nacional
Jimmy Lai, um empresário e defensor da democracia em Hong Kong, foi considerado culpado nesta segunda-feira (15) por duas acusações relacionadas a conspiração com agentes estrangeiros e uma acusação de publicação sediciosa. O caso provocou reações diversas por parte de nações ocidentais.
A juíza Esther Toh, da Alta Corte, afirmou que não restam dúvidas de que Lai tinha a intenção constante de desestabilizar o governo do Partido Comunista da China.
Ela destacou que tais ações resultaram em prejuízo para os interesses tanto da China quanto de Hong Kong.
Fundador do jornal Apple Daily, atualmente extinto, Jimmy Lai está preso desde 2020, e suas acusações têm sido vistas como um reflexo da redução das liberdades civis após a implementação da lei de segurança nacional pela China, que entrou em vigor após os protestos pró-democracia de 2019 em Hong Kong.
De acordo com os promotores, Lai, que tem 78 anos, teria liderado duas conspirações para solicitar a países estrangeiros a imposição de sanções ou ações hostis contra Hong Kong e a China. Ele também foi acusado de publicar matérias que, segundo o processo, incitavam descontentamento contra o governo.
A juíza também mencionou que Lai demonstrava ressentimento e animosidade em relação à República Popular da China ao longo de sua vida adulta, evidenciado nos seus escritos.
Durante a leitura da sentença, Jimmy Lai permaneceu calmo, com os braços cruzados e em silêncio.
Ele enfrenta a possibilidade de uma pena de prisão perpétua, cuja sentença será anunciada em data futura, e poderá recorrer da decisão.
Ao sair do tribunal, Lai fez um aceno para sua esposa, Teresa, e seu filho, Lai Shun-yan, que estavam presentes.
Reações internacionais
O advogado de defesa, Robert Pang, afirmou que Lai mantém o bom ânimo. A segurança foi reforçada com dezenas de policiais em torno do tribunal, incluindo um veículo blindado nas proximidades.
Representantes consularestes de países ocidentais como Estados Unidos, França, Reino Unido e da União Europeia estiveram presentes durante a sentença, demonstrando interesse no caso.
Organizações globais que defendem os direitos humanos criticaram a sentença como uma tentativa de censurar a oposição.
Sarah Brooks, diretora da Anistia Internacional para a China, declarou que a decisão evidencia que as leis de segurança nacional em Hong Kong visam silenciar os cidadãos, não protegê-los.
Ela acrescentou que esta decisão é mais um passo na repressão sistemática da liberdade de expressão em Hong Kong, atingindo não somente manifestantes e políticos, mas a própria ideia de exigir responsabilidade do poder.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) qualificou a sentença como uma farsa e um ato vergonhoso de perseguição.
Segundo o CPJ, a decisão revela o desrespeito total à liberdade de imprensa em Hong Kong, apesar de esta ser supostamente garantida pela lei local.