Economia
Lucro da BP Security cresce 34,8% com economia circular e redução de custos
Um levantamento realizado pela consultoria BIP para a BP Security, empresa especializada em papel-moeda e papéis de segurança, destaca o valor econômico gerado pela economia circular. Esta análise ocorre em um momento em que as empresas enfrentam maior pressão para demonstrar o impacto financeiro de suas ações ambientais, sociais e de governança (ESG).
O estudo comparou o método antigo de descarte dos resíduos de papel-moeda da Casa da Moeda do Brasil, que utilizava coprocessamento, com a estratégia de logística reversa e economia circular implementada pela BP Security em colaboração com a Casa da Moeda e coordenada pelo Instituto Tran$forma.
Os resultados indicam benefícios financeiros para todos os envolvidos e uma diminuição dos impactos ambientais. A modificação eliminou os custos de descarte dos resíduos para a Casa da Moeda, gerando uma economia anual estimada em cerca de R$ 249 mil.
Para a BP Security, a recuperação das fibras de algodão utilizadas no papel-moeda possibilita uma operação com lucro líquido estimado em 34,8%, além de um potencial de faturamento superior a R$ 692 mil com novos produtos elaborados a partir do material reaproveitado.
Patricio Malvezzi, fundador e CEO do Instituto Tran$forma, destaca que o mercado está passando por uma transformação na forma de encarar o ESG. “O mercado está mudando sua perspectiva sobre ESG. Durante muito tempo, as ações sustentáveis foram avaliadas principalmente sob o ponto de vista ambiental ou reputacional”, comentou.
Ele acrescenta que atualmente investidores, conselhos e líderes buscam entender como essas iniciativas impactam os resultados financeiros. A economia circular responde a essa demanda convertendo resíduos em ativos produtivos, reduzindo custos, criando novas fontes de receita e aumentando a competitividade empresarial.
“O estudo comprova que sustentabilidade e retorno financeiro são partes de uma mesma estratégia”, concluiu. Essa pesquisa é pertinente num contexto em que a agenda ESG está evoluindo.
Enquanto até recentemente o foco era em metas ambientais e compromissos públicos, hoje investidores, conselhos e o próprio mercado solicitam indicadores que comprovem o impacto financeiro dessas iniciativas.
Dados da PwC revelam que mais de 70% dos investidores defendem a continuidade dos investimentos em sustentabilidade, mas exigem evidências concretas de criação de valor a longo prazo. Paralelamente, a Fundação Ellen MacArthur estima que a economia circular pode gerar até US$ 4,5 trilhões em valor global até 2030. A consultoria McKinsey destaca que modelos circulares têm potencial para reduzir custos com matérias-primas e fortalecer a resiliência das cadeias produtivas.
Adicionalmente, normas internacionais como os padrões IFRS S1 e IFRS S2, juntamente com regulamentações como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) da União Europeia, reforçam a necessidade das empresas demonstrarem como fatores ambientais influenciam seu desempenho financeiro e sua estratégia a longo prazo.
Especificamente para a BP Security, o estudo destaca benefícios que ultrapassam os indicadores econômicos. A utilização das fibras recuperadas reduz em até 92% as emissões de CO2 comparado ao uso de algodão virgem, mantendo os padrões técnicos requeridos para papéis de segurança e provando que eficiência operacional e sustentabilidade podem coexistir.
Alexandre Ambrozio Gilberti, diretor de Operações da BP Security, avalia que essa experiência confirma que a economia circular pode ser uma vantagem competitiva da indústria.
“Economia circular representa uma chance de aumentar a eficiência industrial. O estudo demonstra que resíduos podem retornar à cadeia produtiva como insumos valiosos, diminuindo desperdícios e otimizando indicadores financeiros sem comprometer a qualidade técnica. Soluções assim tendem a se expandir à medida que o mercado exige resultados concretos das agendas ESG.”
A tecnologia desenvolvida pela BP Security, em conjunto com a Casa da Moeda do Brasil e coordenada pelo Instituto Tran$forma, apresenta que modelos de economia circular e logística reversa podem converter resíduos industriais em insumos valiosos, reduzindo custos, diminuindo a dependência de matérias-primas novas e fortalecendo a competitividade da indústria brasileira.
Segundo os responsáveis pelo projeto, o potencial de aplicação vai além do setor de papel-moeda e pode servir de modelo para outros segmentos que buscam combinar sustentabilidade, inovação e geração de valor econômico.