Notícias
Jhc vence e será governador de Alagoas no primeiro turno
JHC foi eleito governador de Alagoas neste domingo (4), garantindo a vitória já no primeiro turno das eleições de 2026. O candidato do PSDB conquistou 52,09% dos votos válidos, somando 873.978 votos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até as 21h38, 98,28% das urnas estavam totalizadas no estado, confirmando matematicamente sua eleição.
JHC superou o concorrente Renan Filho, do MDB, que obteve 47,48% dos votos válidos, equivalentes a 796.530 sufrágios.
Outros candidatos receberam poucos votos:
- Lenilda Luna (UP), 0,38%
- Márcio Jambo (Democrata), 0,05%
A vitória no primeiro turno ocorre quando um candidato alcança mais da metade dos votos válidos, eliminando a necessidade de um segundo turno para o governo de Alagoas.
João Henrique Caldas, conhecido como JHC, já atuou como deputado estadual e federal antes de ser eleito prefeito de Maceió em 2020 e reeleito em 2024. Ele deixou o cargo de prefeito em abril de 2026 para se candidatar ao governo do estado.
A votação para governador aconteceu simultaneamente às eleições para presidente, senador e deputados federais, estaduais ou distritais, como no Distrito Federal.
Cultura
Dia do Compositor Brasileiro: conheça os autores das músicas que o Brasil canta
Todo mundo sabe cantar alguma música, mesmo que quase ninguém saiba quem a escreveu. Essa é uma das curiosidades da música popular: a voz se torna famosa, o refrão vira parte da memória coletiva, mas o nome de quem criou a canção muitas vezes fica esquecido nos créditos.
É justamente esse profissional que o Dia do Compositor Brasileiro homenageia. Celebrado em 7 de outubro, foi instituído em 1948 por iniciativa de Herivelto Martins, cantor e compositor marcante na música popular brasileira e um dos fundadores da União Brasileira de Compositores (UBC), que surgiu para promover maior valorização dos autores.
Michael Sullivan conhece bem essa realidade de quem está por trás da voz. Junto com Paulo Massadas, escreveu músicas que conquistaram o Brasil nas vozes de Tim Maia, Fagner, Alcione, Sandra Sá, Roupa Nova, Xuxa e muitos outros. Clássicos como “Me Dê Motivo”, “Deslizes”, “Estranha Loucura”, “Joga Fora”, “Retratos e Canções”, “Whisky a Go Go” e “Lua de Cristal” compõem um repertório que atravessou gerações.
Em várias delas, a ligação com o intérprete se tornou tão forte que o nome do compositor quase se perde da lembrança do público.
Exemplos são “Lua de Cristal”, feita para Xuxa, e “Me Dê Motivo”, imortalizada por Tim Maia. Para Sullivan, no entanto, a criação não termina quando a música encontra outra voz, mas começa uma nova fase.
“Fazer músicas é ser um instrumento vivo, é se conectar com a melodia, ser fiel à linguagem, sincero com o povo e leal às batalhas. […] Compositor é quem lê o tempo; devemos entender a música de forma global, escrevendo com inovação”, destaca Sullivan.
Versatilidade
Essa inquietação explica a trajetória de Sullivan longe de uma única fórmula. Ele continuou compondo para vários públicos e estilos, inclusive música infantil, e atualmente trabalha com novos parceiros como Erika Ender, Marcelo Adnet e Juliano Holanda.
Incentivo
Em 2024, essa atenção ao futuro da criação ganhou forma com o projeto Composição Plural, idealizado por ele em parceria com a UBC para democratizar o acesso à arte, apoiar novos talentos da música brasileira e fomentar a formação de compositores.
A iniciativa levou oficinas de composição gratuitas a centros culturais, aproximando novos autores de profissionais da música.
O projeto também reflete a preocupação com o legado que quer deixar para as próximas gerações.
“Tenho carregado comigo toda a música que existe em mim, equilibrando esse peso com sucesso. Ser simples é a harmonia perfeita entre minha música e o êxito, porque legado não é o que você entrega, mas o que deixa nas pessoas”, resume Sullivan.
Nem só inspiração
Enquanto Sullivan tem décadas de sucesso, Juliano Holanda representa uma geração que encontrou na parceria e circulação da música autoral formas diferentes de construir legado. Em Pernambuco, suas composições foram interpretadas por artistas como Zélia Duncan, Simone, Almério, Elba Ramalho, Gonzaga Leal e Ceumar.
Músicas como “Na Primeira Cadeira”, “Onde É Que Isso Vai Dar”, “Boca em Brasa”, “Do Avesso” e “Eu e Vocês” revelam que uma composição pode ganhar novos sentidos ao ser interpretada por outros cantores. Para Holanda, contudo, inspiração sozinha não sustenta o trabalho.
“Às vezes, uma composição é uma mistura de inspiração e técnica. Como qualquer ofício, ser compositor exige prática, atenção, atualização e dedicação”, afirma ele.
Essa visão inspirou a criação da Mostra Reverbo, em 2016, idealizada por Holanda e a produtora Mery Lemos, que reúne músicos e compositores da cena autoral de Pernambuco.
O projeto, que ajuda a fomentar uma nova geração de autores, parte da ideia de que uma obra pode crescer quando é vista por diferentes perspectivas.
“Essa geração representa o momento atual. É essencial conhecer o passado e projetar o futuro, mas a canção, por sua rapidez, é o meio ideal para discutir o presente. […] O autor é, acima de tudo, um observador. É possível ouvir uma música e sentir as memórias da infância ou compreender melhor a dor de outra pessoa ou cultura. Compositores são como fotógrafos do tempo”, destaca Holanda.
Brasil
Esquerda aposta na esperança de reviravolta de Lula
“Vocês acham que não fiquei frustrado?”, perguntou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a seus apoiadores na noite de segunda-feira (5) em Brasília. Após ficar em segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais, o petista ainda acredita em suas chances de reversão, apesar de ter pouca margem para manobras.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentará Lula com vantagem no segundo turno, marcado para 25 de outubro, depois de obter 47% dos votos no domingo, contra 45% do petista, contrariando todas as expectativas.
Nas eleições legislativas, a esquerda foi duramente derrotada por uma onda conservadora.
“Vamos dormir menos, trabalhar mais”, prometeu Lula. “Estou convicto: não há motivo para que não sejamos eleitos presidentes da república”.
Mas será que Lula, com 80 anos, pode realmente virar o jogo?
“É difícil, improvável, mas não impossível”, declarou à AFP Beto Vasques, coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Focar nos abstenções do primeiro turno
Para Luciana Veiga, cientista política e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), “o mais preocupante é essa impressão de que Lula tem poucas opções para conquistar novos votos”.
É improvável que ele consiga os 8% dos votos que foram para outros candidatos no primeiro turno, pois quase todos são conservadores.
Assim, o presidente mira principalmente os abstenções. Mais de 33 milhões de pessoas não votaram no último domingo – 21% do eleitorado.
Essa reserva poderia, segundo Lula, ajudá-lo a diminuir a diferença de 2,2 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
“Há possivelmente uma razão: desinteresse. A responsabilidade é nossa, é trazer de volta o interesse pela participação no processo eleitoral. É simples assim”, afirmou Lula após encontro com aliados em Brasília.
“Uma pequena alteração na abstenção pode alterar o resultado de uma eleição”, afirmou Beto Vasques.
Para Luciana Veiga, no entanto, os eleitores que não votaram, número que cresce a cada eleição no Brasil, não são “uma fonte garantida de votos”. Ela vê maiores chances em persuadir quem votou em branco ou nulo, cerca de 5% do total de eleitores.
Marco Aurelio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Lula, está confiante na capacidade da esquerda de enfrentar esse desafio.
“O mundo todo está de olho no Brasil pela importância dessas eleições. Nós temos que assumir essa responsabilidade e temos capacidade de virar o jogo”, disse à AFP.
Sem líder substituto à vista
Com seu carisma e vasta experiência em campanhas eleitorais, Lula continua sendo um trunfo importante para a esquerda brasileira, diz Beto Vasques.
“Se outro candidato tivesse representado a esquerda, a vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter sido ainda mais expressiva”, assegura.
Luciana Veiga, por sua vez, observa que a longa liderança de Lula dificultou o surgimento e fortalecimento de outros nomes na esquerda.
A especialista acredita que o futuro da esquerda pode estar nas novas gerações, de onde vários dos eleitos no último domingo surgiram.
É o caso de Luna Zarattini (PT-SP), de 32 anos, deputada federal eleita, que defende uma mobilização constante para derrotar novamente o bolsonarismo. Para isso, é necessário fazer a juventude acreditar.
Mas Lula conta com poucos recursos estratégicos.
Antes do primeiro turno, ele enfatizou a soberania diante das pressões do presidente americano, Donald Trump, e ampliou programas sociais.
Agora, a esquerda busca mobilizar os eleitores com o argumento de ser a barreira contra o avanço da extrema direita, lembrando a gestão de Jair Bolsonaro, especialmente na condução da pandemia de covid-19, considerada desastrosa.
Também pretende avançar com a votação do fim da jornada 6×1, uma proposta de reforma constitucional que prevê dois dias de descanso semanal aos trabalhadores, em vez de um, como ocorre em muitas categorias atualmente.
Contudo, a proposta enfrenta oposição em um Congresso que já tem maioria conservadora, que será ainda mais forte com os novos parlamentares a partir de 2027.
Brasil
Lula vence Flávio Bolsonaro na seção eleitoral do Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 146 votos na seção eleitoral onde vota Flávio Bolsonaro (PL), superando o senador e candidato à Presidência da República. Enquanto isso, Flávio obteve 127 votos no mesmo local, o que representa cerca de 43% dos votos, contra 49% de Lula.
No total do país, porém, o candidato do PL lidera com 47% dos votos, à frente do petista que tem 45%. Ambos avançaram para o segundo turno, que ocorrerá em 25 de outubro. Caso seja eleito, Lula será o único a assumir a presidência por quatro mandatos, enquanto Flávio Bolsonaro pode se tornar o 40º presidente do Brasil.
Ronaldo Caiado (PSD) recebeu 9 votos no local de votação de Flávio, Renan Santos (Missão) teve 7, Romeu Zema (Novo) alcançou 3, Augusto Cury (Avante) marcou 2, e Hertz Dias (PSTU) 1 voto. Além disso, foram registrados 5 votos brancos e 6 nulos. A abstenção ficou em cerca de 28%, acima da média nacional de 21%.
Na zona eleitoral do adversário de segundo turno, Lula também liderou contra Flávio Bolsonaro, com 51,3 mil votos (55,5%) contra 33,6 mil (36,4%). Cury, Santos e Caiado somaram cerca de 2% cada, e Zema ficou abaixo de 0,5%.
Na disputa pelo Palácio Guanabara na seção onde vota Flávio Bolsonaro, a chapa de Lula também teve vantagem, com Eduardo Paes (PSD) obtendo 59,8% contra 30,8% de Douglas Ruas (PL). Foram 53,4 mil votos para Paes contra 27,5 mil para Ruas.
Na seção onde vota o presidente Lula, em São Bernardo do Campo (SP), o petista liderou por apenas um voto, 104 a 103. Na zona eleitoral, Lula teve 47,8% contra 40,5% de Flávio Bolsonaro, com uma diferença de 5,4 mil votos para o petista.
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