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Humberto apoia participação da Petrobras para viabilizar ramal pernambucano da Transnordestina

O senador e candidato à reeleição pelo PT, Humberto Costa, propôs durante uma sabatina na Rádio Folha 96,7 FM na manhã desta quinta-feira (10), uma intervenção especial da Petrobras no ramal pernambucano da ferrovia Transnordestina. Segundo o senador, essa proposta será encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Humberto Costa afirmou que essa iniciativa beneficiaria a Petrobras, ampliando sua capacidade logística para distribuição de combustíveis. “A Petrobras poderá transportar o diesel da Refinaria de Abreu e Lima, instalar um centro de armazenamento em Salgueiro e posteriormente construir um ramal ferroviário que conecte à ferrovia Norte-Sul.”

O senador também destacou que a empresa teria a possibilidade de enviar diesel para as regiões Centro-Sul e Sudeste do país. “Este é um projeto modesto para a Petrobras. A forma legal para executar isso seria a união da Petrobras com a Infra, empresa vinculada ao Ministério dos Transportes, para formar uma terceira companhia.”

Obstáculos

Humberto Costa enfatizou que as dificuldades enfrentadas na construção do ramal pernambucano da ferrovia não decorreram da falta de empenho das bancadas federais de Pernambuco. Para ele, “o principal obstáculo político foi uma decisão do governo Bolsonaro” e do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

“O atual governador de São Paulo, que na época era ministro, Tarcísio de Freitas, permitiu o desmembramento da concessão originalmente dada para a construção dos dois ramais, liberando os responsáveis da obrigação de construir o ramal de Pernambuco. Ao mesmo tempo, manteve o andamento do ramal do Ceará”, explicou o senador.

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Economia

Governo manterá corte no Orçamento e deve aumentar déficit em 2026

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O governo federal planeja continuar com a restrição de gastos no Orçamento, mantendo o bloqueio próximo dos atuais R$ 17,9 bilhões de acordo com a revisão feita no relatório bimestral de receitas e despesas do quarto bimestre. Porém, a previsão de superávit primário deve piorar. O relatório será divulgado nesta quinta-feira (24).

Atualmente, existe um bloqueio de R$ 17,9 bilhões para respeitar o limite de gastos imposto pelo arcabouço fiscal. Entretanto, a previsão para despesas previdenciárias se mostrou superestimada em cerca de R$ 11 bilhões após a redução da fila de benefícios negados.

Apesar do aumento de 15,04% no valor do Bolsa Família, que custará R$ 5,8 bilhões este ano, espera-se que ainda haja margem para diminuir o bloqueio.

Por outro lado, o relatório deve revelar uma queda nas receitas e a necessidade de contingenciar despesas para atingir a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com tolerância até zero.

No último relatório, divulgado em julho, o governo projetava um superávit de R$ 10,8 bilhões após exclusão das despesas que não são consideradas para a meta, como parte dos precatórios.

A maior decepção está no comportamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre lucros e dividendos, criado para compensar a renúncia fiscal gerada pela ampliação do IR para pessoas físicas que recebem até R$ 5 mil mensais.

O governo previa uma arrecadação de R$ 29,9 bilhões, contudo, a Receita Federal já ajustou a previsão para R$ 10,5 bilhões.

Além disso, no início deste mês, o governo anunciou a redução parcial dos impostos federais sobre a gasolina e a isenção da cobrança sobre o etanol, visando minimizar o impacto dos efeitos da guerra no Irã nos preços dos combustíveis para os brasileiros. Também foi criada uma subvenção extra para o diesel, de R$ 1 por litro.

Essas medidas terão um impacto mensal na receita de R$ 7 bilhões. Embora a subvenção não seja computada no limite de gastos por ter sido autorizada via crédito extraordinário, ela afeta a meta fiscal.

Outro fator que tende a diminuir a arrecadação do governo é a revisão da projeção oficial para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que foi reduzida de 2,3% para 2,0%. Um crescimento econômico menor implica uma capacidade reduzida de arrecadação de impostos.

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Economia

Na ONU, Altman e Amodei solicitam união mundial para diminuir perigos da IA

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Sam Altman, fundador da OpenAI, e Dario Amodei, fundador da Anthropic, solicitaram união global para diminuir os perigos relacionados à inteligência artificial (IA) durante um encontro do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) — é a primeira vez que as questões de segurança da tecnologia são discutidas diretamente neste órgão.

Altman destacou dois cenários que devem ser evitados: a perda de controle e a concentração de poder. Ele expressou preocupação de que sistemas possam evoluir tão rapidamente que as pessoas deixem de conseguir monitorar, controlar ou intervir, especialmente com o advento do autoaperfeiçoamento recursivo, que é a habilidade dos sistemas de IA de criarem novas versões mais avançadas automaticamente — um conceito ainda não realizado, mas que gera apreensão entre especialistas.

No segundo ponto, Altman ressaltou o risco de que uma única pessoa, empresa ou país utilize os modelos mais avançados para impor sua visão ao mundo. Segundo ele, as decisões estratégicas não devem ser feitas isoladamente, por exemplo, apenas em laboratórios em São Francisco:

— É necessário estabelecer mecanismos para padrões nacionais e internacionais que complementem a IA de ponta. Padrões para medir habilidades, avaliar riscos, verificar se as proteções são adequadas e preservar a supervisão humana significativa à medida que os sistemas ganham autonomia — comentou.

Amodei afirmou que a regulação da IA é o maior desafio de segurança global atual e pediu que os países do Conselho deixem de lado suas diferenças geopolíticas:

— Precisamos superar essas divergências para lidar com essa oportunidade e ameaça global simultaneamente. Nenhum governo, líder ou empresa tem condições de gerenciar isso sozinho.

Para criação de normas seguras, Amodei sugeriu que as nações comecem com acordos pontuais e universais, como a proibição de uso da IA para desenvolvimento de armas biológicas.

Ele também pediu sistemas de inspeção para que os países possam ter transparência sobre as capacidades dos modelos avançados e possam comprovar compromissos mútuos.

Além disso, falou sobre a relevância de estabelecer critérios globais para testar riscos de perda de controle e um sistema unificado para reportar incidentes importantes para a segurança mundial.

Os dois líderes prometeram reduzir o ritmo do desenvolvimento tecnológico individualmente — entretanto, ambas as companhias lançaram novos modelos recentemente.

A OpenAI apresentou os modelos GPT-6 Luna e GPT-6 Sol, e a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5. Altman refutou a ideia de que empresas estejam presas a uma corrida incontrolável que impeça a desaceleração.

Antes das falas dos dois, Yoshua Bengio, copresidente do Painel Científico Independente da ONU sobre IA e uma autoridade no campo, destacou que empresas de IA reconhecem os riscos graves de seus produtos, mas ainda não oferecem soluções técnicas convincentes para mitigar esses perigos.

Ele ressaltou que as companhias estão envolvidas numa corrida comercial para aumentar o poder dos modelos.

— Esta corrida não é uma lei natural, mas resultado de escolhas feitas pelas próprias empresas. É uma disputa em que todos acabam perdendo — declarou na abertura do debate.

Apesar do apelo por colaboração global, tanto a OpenAI quanto a Anthropic defendem que os Estados Unidos devem assumir um papel de liderança na governança da IA. Recentemente, a empresa do ChatGPT compartilhou propostas para a regulação da tecnologia ressaltando o papel dos EUA.

— Acreditamos que os Estados Unidos deveriam liderar um esforço para colaborar globalmente na definição de padrões técnicos para IA avançada — afirmaram.

Amodei, por sua vez, indicou que uma liderança chinesa na IA representaria um risco grave para os EUA e para o mundo.

Entre suas recomendações estão o bloqueio de chips para a China, fiscalização contra técnicas de ‘destilação’ e combate ao roubo de configurações de modelos.

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Brasil

Velório de Zuenir Ventura na Academia Brasileira de Letras reúne jornalistas, artistas e políticos em momento de emoção e despedida

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Jornalistas, artistas e representantes políticos prestaram suas últimas homenagens a Zuenir Ventura. Falecido na terça-feira (22), aos 95 anos, o corpo do renomado jornalista, escritor e acadêmico foi velado na manhã seguinte na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), localizada no Centro do Rio de Janeiro.

Uma bandeira do Fluminense Football Club cobria o caixão. No início da tarde, o corpo foi transportado para o mausoléu da instituição, situado em Botafogo, Zona Sul da cidade, onde ocorreu o sepultamento. Zuenir ocupava a cadeira 32 da ABL.

O velório foi marcado por grande comoção, reunindo amigos, colegas e diversas gerações de discípulos de Zuenir. Também estiveram presentes o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e o secretário de Cultura, Lucas Wosgrau Padilha. O momento foi descrito pela jornalista e escritora Míriam Leitão, colega do falecido no jornal O Globo e na ABL, como um período de “imprensa de luto”.

— Muitas gerações foram tocadas pela gentileza e generosidade de Zuenir — afirmou Míriam. — Além do jornalismo, sua importância para o Brasil é imensa, pois ajudou o país a refletir sobre temas fundamentais. Ele revelou a tragédia da chegada do autoritarismo em seu livro 1968 – O ano que não terminou, demonstrando que esse regime já se fazia sentir antes da edição do AI-5. O que ele ensinou permanece, e cabe a nós dar continuidade ao seu legado.

O jornalista Mauro Ventura, filho de Zuenir, destacou a forte influência de seu pai para além da família.

— As pessoas sempre dizem que ele era um paizão para todos — contou Mauro. — É emocionante perceber que sua influência alcançava até mesmo aqueles que nunca conhecemos pessoalmente. Apesar da dor, escuto tantas histórias que me trazem risos.

Mauro exibiu um bloco cheio de anotações com relatos dos amigos:

— Senti-me estranho sendo jornalista no velório do meu próprio pai. Depois lembrei que ele aprovaria, pois também vivia com bloco na mão. Continuo seguindo seus passos.

Gilberto Gil, membro da ABL desde 2022 e colega de Zuenir, descreveu-o como um “militante cultural”.

— Ele foi um fruto extraordinário dessa grande e frondosa árvore brasileira — disse Gil. — Conheci-o quando me mudei para o Rio em 1972 e fui tocado por sua delicadeza. Na Academia, percebi em sua alma uma atitude profunda de generosidade, de dar e receber o máximo possível. Vou guardar essas memórias no coração, onde a lembrança permanece viva.

O compositor Paulinho da Viola conheceu Zuenir ainda nos anos 1960. A dupla costumava discutir o quadro político e a perseguição aos artistas. Zuenir também roteirizou o documentário Paulinho da Viola — Meu tempo é hoje (2003), dirigido por Izabel Jaguaribe.

— Era uma pessoa que sempre transmitiu conhecimento, cultura e sensibilidade — comentou o sambista. — Falava pouco, porém dizia muito, sempre o necessário.

O jornalista Merval Pereira ressaltou que, além de Cidade Partida e 1968 – O ano que não terminou, Zuenir escreveu Chico Mendes – Crime e castigo, um livro fundamental para entender o Brasil, com reportagens sobre o ecologista brasileiro.

— Foi um ambientalista antes do seu tempo — lembrou Merval. — A imortalidade está na obra que deixamos. Zuenir será eternamente lembrado por seus livros essenciais para compreender o país.

O jornalista Ascânio Seleme, que trabalhava no Globo em Brasília, coordenando a área nacional quando Chico Mendes foi assassinado, reconheceu o talento de Zuenir, que na época já trabalhava no Jornal do Brasil.

— Ele se destacou como grande repórter, e eu, concorrente, aprendi na prática o que era concorrer com Zuenir — disse Seleme. — Depois conheci o mestre do pensamento, autor de obras que iluminaram o país. Em 2001, trabalhei com ele e conheci o ser humano extraordinário que era. Foram três versões de Zuenir: o repórter que queria vencer, o pensador que eu admirava e a pessoa maravilhosa.

Arthur Dapieve, ex-colega do Globo e do Jornal do Brasil, expressou uma “sensação agridoce” ao se despedir de Zuenir.

— Perder Zuenir é como perder um pedaço da história de muita gente, pela importância que teve na vida profissional e pessoal de muitos. Ao mesmo tempo, é um momento de união em torno de sua generosidade.

O compositor Fausto Fawcett, autor do sucesso Rio 40 graus, nos anos 1990, lembrou que Zuenir deu visibilidade ao funk das favelas do Rio. Seu livro Cidade Partida documenta a efervescência cultural dos bailes, um tema pouco explorado então fora do meio acadêmico.

— O funk era o morro eletrificado — explicou Fawcett. — Assim como o samba, tornava-se uma força gigante.

Rubem César Fernandes, antropólogo e fundador da ONG Viva Rio, também retratado em Cidade Partida, lembrou que Zuenir participou das primeiras reuniões da organização, criada em 1993 para enfrentar a violência na cidade.

— Havia um sentimento de urgência, a necessidade de agir — contou Fernandes. — Zuenir trouxe seu estilo, típico da geração da Bossa Nova, que ajudou a construir a imagem do Rio até hoje. Em seu livro, ele conta a história do Viva Rio, dando sentido a essa mobilização contra a violência, um movimento pela cidade. Se a cidade estava partida, era preciso uni-la.

Nesta quinta-feira (24), às 16h, a ABL realizará a tradicional Sessão da Saudade, ritual de despedida do acadêmico antes que sua cadeira seja oficialmente declarada vaga.

Após a sessão, abrir-se-ão as inscrições para a cadeira 32, antes ocupada por Zuenir, cujo patrono é Manuel de Araújo Porto-Alegre. O médico e escritor Drauzio Varella é o favorito para a eleição do novo imortal.

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