Esporte
História do pai de Messi: empresário e primeiro treinador do astro argentino
Jorge Horacio Messi faleceu na última sexta-feira aos 68 anos, em um hospital em Rosário, Argentina. Pai de Lionel Messi, ele foi agente e gestor das carreiras do filho, acompanhando de perto a jornada esportiva e a expansão dos negócios que o craque argentino construiu fora dos gramados.
Jorge Messi teve papel essencial durante toda a trajetória do filho. Foi o seu primeiro treinador nos campos de Rosário e seu único apoio nos primeiros anos difíceis em Barcelona, antes de se tornar seu empresário e negociar contratos milionários. Além disso, era a pessoa com quem o craque sempre buscava conversar sobre seu desempenho após cada jogo.
“Meu pai me ajudou muito. Ele sempre foi muito crítico comigo, o que me motivava a sempre querer melhorar”, declarou o jogador em entrevista à DirecTV Sports, em 2022.
Em entrevista ao portal Soho.com, em 2012, Jorge falou sobre a infância do filho, a mudança para a Espanha e os primeiros anos no Barcelona. Revelou que a família considerou retornar à Argentina por problemas com documentos, mas que a decisão de permanecer na Espanha foi tomada pelo próprio Lionel.
“Nunca faltou dinheiro. Pelo contrário, fomos muito bem tratados desde o início. Estivemos quase voltando à Argentina devido a problemas de documentação que impediram Messi de jogar por um tempo, o que o deixou muito triste. Em casa, queríamos voltar, mas perguntei a ele, e Lionel pediu para continuar na Espanha”, relatou Jorge.
Na mesma entrevista, o pai de Messi comentou sobre o tratamento hormonal que o jogador recebeu na infância e desmentiu que a família tenha passado necessidade financeira.
“Ele nunca foi frágil, sempre forte. Eu mesmo aplicava as injeções nas pernas dele durante o tratamento”, disse. “Nunca estivemos mal financeiramente; éramos de classe média. Eu tinha um emprego que nos proporcionava uma boa qualidade de vida, com carro e férias anuais, mesmo sendo uma família grande.”
Jorge também expressou decepção com o Newell’s Old Boys, clube de Rosário onde Messi jogou na base, por oferecer apoio financeiro insuficiente para o tratamento do filho.
“O Newell’s nunca pagou mais que 400 pesos argentinos por mês, muito abaixo do custo real do tratamento. O pior período foi em 2006, quando surgiram lesões. Com os serviços médicos do Barcelona, concordamos que um especialista era necessário. Juanjo Brau foi fundamental no tratamento e uma pessoa maravilhosa”, afirmou.
O pai descreveu Lionel como alguém muito ligado à família e que evita os holofotes fora do campo.
“Ele é uma pessoa normal e divertida. Gosta de estar junto da família, assistir futebol na TV e sair para comer”, contou. “Lionel gosta de ser mimado, sempre foi assim. Adora os bifes à milanesa que sua mãe faz, e a casa é seu maior conforto. Ele não gosta de entrevistas ou gravações em que é o centro das atenções, se sente incomodado.”
Em 2019, Jorge Messi também apareceu na mídia fora do esporte após ser detido em Rosário acusado de atropelar um motociclista. O acidente ocorreu por volta das 20h na província de Santa Fé. A vítima sofreu escoriações leves e foi hospitalizada. A polícia realizou teste do bafômetro em Jorge e analisava a possibilidade de abertura de processo.
Durante a Copa do Mundo deste ano, a família divulgou comunicado sobre a saúde de Jorge Messi, em 16 de junho, informando que ele apresentava “recuperação constante, apesar da complexidade do quadro clínico”. O anúncio veio logo após a Argentina estrear no Mundial, quando Messi marcou três gols contra a Argélia. No final do jogo, o craque chorou, mostrando que as lágrimas não tinham relação com o futebol, mas sim com a situação delicada de seu pai. Quase dois meses depois, infelizmente, Jorge Messi não resistiu.