Saúde
Fim de ano e depressão: como evitar os gatilhos emocionais da época?
Tristeza e melancolia podem ser comuns nesse período do ano, mas pessoas com diagnóstico de depressão devem ficar mais atentas
A época do fim de ano desperta emoções, lembranças e reflexões que podem mexer com a saúde mental — especialmente depois de dois anos de pandemia da covid-19, que deixou as pessoas mais fragilizadas. Nesse momento, quem já passou por quadros de depressão precisa estar mais atento a um possível retorno dos sintomas.
De acordo com Vanessa Favaro, psiquiatra e coordenadora dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/FMUSP), mesmo que os cuidados com os transtornos mentais sejam indicados a todas as pessoas, aquelas com o diagnóstico de depressão podem estar mais vulneráveis nesse período, e demandam mais atenção.
O cuidado com a saúde mental perpassa diferentes abordagens, como:
• Psicoterapia;
• Medicamentos, quando necessário;
• Exercícios físicos regulares;
• Encontros com amigos e familiares;
• Atividades que contribuam para o bem-estar emocional.
Segundo Favaro, por meio dessas atitudes, o paciente é capaz de desenvolver o autoconhecimento necessário para avaliar os próprios sentimentos e evitar que os sintomas se tornem dominantes ou prejudiquem a qualidade de vida. “Assim você consegue fazer as medidas que vão cursar com uma melhoria daquela situação ou daquela tendência”, destaca.
Recaída
Por ser uma doença crônica, os pacientes diagnosticados com depressão têm períodos de melhora dos sintomas e, caso parem de tomar a medicação, podem ter uma recaída e o retorno do quadro depressivo.
Os sinais que devem chamar atenção variam de acordo com cada indivíduo: alguns podem ficar mais retraídos, e não querer mais sair de casa, e outros podem ter dificuldades de concentração ou uma tristeza sem origem definida. Os mais comuns são:
• Mudança no apetite: comer demais, muito além do habitual e ganhar peso, ou não comer o necessário para se manter bem, e perder peso;
• Mudança no sono: dormir demais, muito além do que está acostumado, ou dormir pouco e passar a noite em claro;
• Mudança no comportamento: deixar de fazer as atividades que antes eram importantes, como passeios e encontros com amigos;
A especialista explica que essas alterações na rotina não ocorrem de um dia para outro, mas levam semanas ou meses. Ainda assim, identificar esses sinais é o primeiro passo.
O segundo, de acordo com Favaro, é avisar as pessoas próximas, familiares, amigos, médico psiquiatra ou psicólogo e pedir ajuda. Em algumas situações, pode ser necessário ajustar a medicação, alterar o remédio ou mesmo aumentar a dose.
Amigo com depressão: o que eu posso (e o que não posso) fazer?
Estar perto de alguém com depressão pode gerar sentimentos de impotência e frustração, e uma dificuldade em aceitar a própria limitação. Isso não significa que não há nada que possa ser feito.
Segundo Favaro, ser um ouvido atento, ter um olhar amoroso e se municiar de argumentos que façam sentido para a pessoa são algumas atitudes indicadas. “[Para ajudar o familiar ou o amigo, a pessoa deve] ver quais são as entradas possíveis. Ficar atento para ver o que faz sentido, qual argumento, qual momento em que você pode falar que vai segurar a pessoa na busca por uma vida melhor, ou por uma vida mais gostosa”, explica.
A principal atitude na lista do que “não fazer” é: não subestimar os sentimentos do amigo ou familiar com depressão. Isso fará com que a pessoa se sinta mais incompreendida e se afaste. Por mais que seja difícil compreender os motivos para ela estar assim, a especialista explica que é importante entender que os sentimentos são inevitáveis, aceitar o que está acontecendo e buscar ajuda.
Fim de ano ou depressão?
Nem todo sentimento de tristeza ou melancolia é, necessariamente, um sinal de depressão. O período de fim de ano traz o balanço emocional dos últimos meses e pode carregar essas sensações.
“Existem sentimentos que são necessários. Se você perdeu um familiar neste ano, lógico que estará mais triste no fim de ano, porque você sempre se reunia com essa pessoa. Vão brotar muitas memórias”, explica Favaro. Sentir essa tristeza é permitido, porque isso dará tempo e ritmo de cura para a sua mente, segundo a especialista. “Sentir tristeza não é algo ruim, necessariamente”, completa.
Se eles se tornarem dominantes, vale maior atenção. De acordo com a Vanessa, para fazer o diagnóstico de depressão os especialistas se baseiam nos prejuízos causados pelo sofrimento, como a perda de possibilidades, oportunidades e satisfações; a duração em que ocorre e o impacto que exerce nas pessoas próximas.
São também considerados sinais relevantes para a doença a perda de interesse em atividades que antes traziam prazer e aliviavam os sentimentos de tristeza, como encontros com amigos, passeios ao ar livre e distrações cotidianas. “A pessoa que está com depressão não é capaz de correr atrás e usufruir das possibilidades de saída, que muitas vezes são através dos outros relacionamentos, das coisas positivas que trazem uma elevação para o nosso ânimo”, explica a especialista.
*Sob orientação da jornalista Amanda Milléo.
(Fonte: Agência Einstein)
Notícias
Anvisa bloqueia venda ilegal de insulina e tirzepatida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A medida foi oficializada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União.
Segundo comunicado da Anvisa, a empresa distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir a devida Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE), em descumprimento às normas sanitárias vigentes.
Uma inspeção da vigilância sanitária de Petrópolis (RJ) realizada no início de setembro revelou que a empresa não opera no endereço registrado e que não possui licença sanitária naquele local.
A Agência Brasil tentou contato com a Costa Mar Comércio Licitatório Ltda., sem sucesso até a data de publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Peptídeos
A resolução também interditou a venda de diversos peptídeos sem registro, comercializados por meio do site indicado pela Anvisa.
Peptídeos são moléculas produzidas pelo corpo humano que desempenham diversas funções, podendo atuar como hormônios ou na regulação de processos biológicos, como cicatrização e resposta imunológica.
Recentemente, um hormônio peptídeo específico ganhou destaque: o glucagon-1 (GLP-1), produzido naturalmente pelo organismo e responsável pelo controle da saciedade e dos níveis de açúcar no sangue.
Duas substâncias que imitam o efeito do GLP-1 surgiram como tratamentos para diabetes e obesidade: a tirzepatida e a semaglutida, popularmente chamadas de canetas para emagrecimento.
Conforme a Anvisa, os produtos vendidos no site mencionado, sem registro, estão proibidos de serem comercializados, fabricados, distribuídos, promovidos, transportados ou utilizados. A restrição vale para pessoas físicas, jurídicas e meios de comunicação.
A proibição alcança também peptídeos sem notificação ou cadastro na Anvisa, fabricados por empresas desconhecidas e disponíveis no mercado online.
Lista de produtos proibidos para apreensão:
- BPC157 & TB500 40 mg – Alluvi Healthcare
- NAD+ 1000 mg – Synedica Labs
- Tirzegen 60 mg Tirzepatida – Oxygen Pharm
- Retagen 40 mg Retatrutide – Oxygen Pharm
- Glow GHK-CU 70 mg – Alluvi Healthcare
- Retatrutide 40 mg – Alluvi Healthcare
Recolhimento de medicamentos
A Anvisa também determinou a suspensão da venda, distribuição e uso do lote JNYJ1201 do antibiótico Imaavy – 300 mg, após comunicação da empresa Janssen – Cilag Farmacêutica sobre um recolhimento voluntário do produto.
Segundo a fabricante, existe a possibilidade de presença de partículas de vidro nos frascos deste lote.
Além disso, a agência ordenou o recolhimento do lote 0000207107 do medicamento Lizbi – 2 mg/ml, produzido pela Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A..
Foi constatada uma falha na qualidade relacionada à perda de esterilidade da solução, decorrente da integridade comprometida da embalagem primária.
A Agência Brasil entrou em contato com a Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A. e aguarda uma resposta.
Notícias
Nobel de Medicina 2026 promete avanços no estudo do cérebro
Karl Deisseroth, pesquisador dos Estados Unidos que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, é um psiquiatra, neurocientista e engenheiro de bioprocessos com mais de vinte anos dedicados a desvendar os segredos do cérebro.
Este professor da Universidade de Stanford falou à AFP sobre o Nobel concedido na segunda-feira (5) por sua pesquisa em optogenética — uma técnica que combina luz e genética — compartilhado com os cientistas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.
O grupo foi premiado “pela descoberta de um interruptor molecular para as células nervosas”, declarou o Comitê do Nobel.
Qual é o diferencial do método?
“Este é um objetivo buscado há muito tempo pela neurociência, pois o cérebro é extremamente complexo, com bilhões de células lado a lado desempenhando funções muito distintas”, explicou Deisseroth à AFP.
“Precisávamos de uma maneira de identificar essas células, controlar uma sem afetar as outras. A solução encontrada foi usar algo que normalmente elas não respondem: a luz, e tornar apenas algumas células sensíveis à luz”.
“Assim, temos uma forma eficaz de ser específico.”
Como essa descoberta impacta a psiquiatria?
Com a luz, os cientistas podem ativar ou desativar circuitos neurais específicos no cérebro. Também identificaram circuitos que controlam memórias, emoções e comportamentos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
“Ao contrário da maioria das áreas médicas, a psiquiatria não tem um modelo claro das diferenças biológicas”, disse Deisseroth.
“Na cardiologia, por exemplo, podemos analisar a insuficiência cardíaca como uma falha na bomba que é o coração, quantificando seu desempenho.”
“No cérebro, não temos essa medida objetiva. Isso sempre foi um desafio na psiquiatria, mas a optogenética ajuda a determinar quais células estão superativas ou subativas, guiando os tratamentos de forma mais precisa.”
Há possibilidades de tratamentos?
“Ao identificar as células envolvidas, podemos testar medicamentos mais eficazes e reduzir as incertezas nos ensaios clínicos”, falou Deisseroth.
“Isso é muito promissor. Já há grandes estudos clínicos avançando para fases finais, focados em tratamentos baseados na optogenética para autismo e esquizofrenia, com resultados animadores.”
Quais seriam os benefícios para os pacientes?
“Por exemplo, no autismo, os tratamentos atuais para irritabilidade — comportamento agressivo e descontrole — são antipsicóticos fortes, que causam efeitos colaterais como ganho de peso e sedação, mas ainda são usados devido à falta de opções.”
“Agora, estão sendo testados medicamentos não antipsicóticos para essa condição, que são totalmente diferentes.”
Deisseroth também comentou sobre a doença de Parkinson.
“O Parkinson envolve a morte dos neurônios dopaminérgicos, que influenciam várias funções como movimento, motivação, vômito e lactação.”
“Os medicamentos atuais afetam todos esses sistemas, criando problemas. Com a optogenética, esperamos desenvolver tratamentos que atuem especificamente no movimento, principal sintoma da doença.”
Qual o impacto para a neurotecnologia?
“As interfaces cérebro-computador hoje usam principalmente eletricidade para captar e estimular a atividade cerebral.”
“Os métodos ópticos poderiam oferecer uma nova forma de comunicação, usando luz em vez de eletricidade. Porém, essa aplicação ainda está distante e precisará de mais desenvolvimento.”
Notícias
Anvisa autoriza novo remédio para tratar doença de Fabry
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Fabry. O remédio Elfabrio, que é o nome comercial da alfapegunigalsidase, é indicado para adultos que necessitam de terapia de reposição enzimática (TRE) por um longo período.
Essa doença rara é genética e lisossômica, causada pela falta da enzima α-galactosidase A, o que provoca o acúmulo da substância globotriaosilceramida (Gb3) em vários órgãos e tecidos do corpo.
Entre os sintomas da doença de Fabry estão problemas renais, doenças cardíacas, distúrbios cerebrovasculares, neuropatia periférica, perda de sensibilidade, problemas auditivos, lesões características na pele chamadas angioqueratomas, e sintomas gastrointestinais como diarreia e dores abdominais.
Elfabrio age substituindo a enzima que falta no organismo, a alfagalactosidase, ajudando a quebrar essa substância acumulada e facilitando sua eliminação. Isso contribui para evitar o avanço dos danos cardíacos e da insuficiência renal. O medicamento é fornecido em frascos de 10 ml em forma de solução estéril para diluição e é administrado através de infusão intravenosa, conforme explicou a Anvisa.
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