Economia

Feira de Aviação Executiva Pode Gerar Até US$ 200 Milhões em São Paulo

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O mercado brasileiro de aviação de negócios tem se mantido resistente às variações econômicas mais intensas, impulsionado pela necessidade de conectar centros produtivos além dos principais eixos comerciais do país.

Com esse cenário, a 21ª edição da LABACE foi inaugurada nesta terça-feira (4), no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, apresentando 55 aeronaves e aguardando movimentar até US$ 200 milhões em negócios durante três dias.

Este otimismo reflete a consolidação do Brasil como a segunda maior frota mundial do setor, com 11.375 aeronaves registradas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Nos primeiros seis meses de 2026, a malha aérea registrou mais de meio milhão de operações, enquanto o saldo dos últimos doze meses indica um aumento de 12,18% no número de pousos e decolagens no país.

— A movimentação no primeiro semestre foi a maior já registrada, e a previsão é atingir a marca de 1,2 milhão de pousos e decolagens em 2026. O mercado brasileiro está amadurecendo, onde os operadores buscam veículos mais avançados, migrando para turboélices e helicópteros com turbina — analisa Flávio Pires, CEO da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG).

Diferente da ideia associada apenas ao luxo, o verdadeiro impulsionador das vendas está na cadeia produtiva.

A grande extensão do Brasil define o consumo, exigindo que empresários e produtores invistam em aeronaves que possam operar em pistas curtas ou não pavimentadas.

— Nos últimos cinco anos, cerca de 40% das vendas são para o agronegócio. Empresas e fazendeiros precisam se deslocar para expandir os negócios, já que a aviação comercial atende cerca de 150 cidades em um universo de 5.700 municípios — detalha Leonardo Fiuza, presidente da TAM Aviação Executiva. O executivo também destaca uma mudança significativa na forma de pagamento: — Há cerca de quinze anos, 70% das vendas eram financiadas. Hoje, 70% das compras são feitas à vista.

A mesma percepção orienta a estratégia da distribuidora Synerjet, representante exclusiva das suíças Pilatus e Leonardo Helicópteros para o mercado civil e parapúblico.

A empresa apresenta na feira o turboélice PC-12 PRO e o jato PC-24, modelos adaptados para pistas não preparadas, essenciais para as fazendas brasileiras. Já a Cirrus Aircraft aposta no jato monopiloto Vision Jet G3, recentemente aprovado pela ANAC.

— Conheci um produtor que levava doze dias de carro para visitar todas as suas propriedades. Com o avião, ele faz isso em dois dias. Essas aeronaves são verdadeiras máquinas do tempo que devolvem ao ser humano seu recurso mais precioso — relata Ulisses Mones, diretor regional da Cirrus.

Com a saturação dos principais aeroportos do país e recentes incidentes que apontam os riscos do volume aéreo elevado, a inteligência artificial embarcada tem sido uma das atrações da feira. O sistema de pouso automático de emergência (Safe Return Emergency Autoland), presente nos aviões da Cirrus, promete reduzir o erro humano em situações críticas.

— É um avanço revolucionário, um verdadeiro trunfo. Se o piloto ficar incapacitado, com um simples toque o avião calcula tempo e distância, avalia as condições climáticas, comunica-se autonomamente com o controle de tráfego e realiza o pouso sozinho no aeroporto mais adequado — explica Ulisses.

Compartilhamento e a nova geração

Para equilibrar custos e indisponibilidades por manutenções programadas, o modelo de propriedade compartilhada ganhou destaque no primeiro dia da feira. Focada nesse segmento, a Avantto expandiu sua atuação de São Paulo e Rio de Janeiro para Goiânia, atendendo especialmente o centro do agronegócio. A operadora aposta em rigorosas certificações de segurança e na mudança de mentalidade dos clientes mais jovens para ampliar sua base.

— A geração atual é mais digital e compreende a economia compartilhada. Hoje, tem mais valor viver experiências do que possuir ativos que demandam grande administração — enfatiza o CEO da Avantto.

Sobre a futura transição para os eVTOLs (aeronaves de decolagem e pouso vertical), o executivo é pragmático quanto às limitações atuais das baterias.

— O alcance dos eVTOLs ainda é limitado. Eles servirão para mobilidade urbana, ideais para curtas distâncias na cidade, complementando deslocamentos, por exemplo, do cliente de casa até o aeroporto onde o jato está.

Sombra tributária no horizonte

Apesar das perspectivas positivas, o setor observa com cautela o cenário regulatório e fiscal. Com a reforma tributária em pauta, compradores e distribuidores estão antecipando aquisições de aeronaves novas e usadas para evitar possíveis aumentos nos impostos que envolvem IPI, ICMS, PIS e COFINS.

A indústria estima que os custos de importação podem subir dos atuais 17% para 26,5%.

— A falta de previsibilidade sobre o índice prejudica, pois nós, distribuidores, fazemos grandes investimentos e enfrentamos dificuldades para planejar o futuro. O Brasil precisa reconhecer a aviação executiva como ferramenta de trabalho que gera empregos — defende Sabino Freire, CCO da Synerjet, que prevê uma atividade baixa no primeiro semestre do próximo ano devido às antecipações atuais.

Essa estrutura tributária também explica uma característica do mercado nacional: o Brasil importa centenas de aeronaves por ano, mas não as revende ao exterior. Cerca de 600 aeronaves chegam anualmente, consolidando o país como um grande importador global.

No entanto, diferente de outros polos no exterior que compram e vendem aeronaves para fora em quantidade semelhante, a frota que entra no Brasil permanece no território.

Isso ocorre devido ao alto custo de nacionalização, já que o pagamento de impostos na importação aumenta o preço do bem.

Na revenda, torna-se inviável vender para o exterior pelo preço praticado fora, concentrando a liquidez dos seminovos quase exclusivamente no mercado interno aquecido.

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