Economia

Evento Multimodal no Nordeste cresce 35% e atrai mais de 12 mil visitantes em Recife

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A terceira edição da Feira Multimodal Nordeste encerrou-se na quinta-feira (6), firmando-se como uma das principais reuniões dos setores de logística, transporte, comércio e tecnologia da região.

Durante três dias de evento, houve um aumento de 35% em comparação ao ano anterior, com mais de 180 empresas expositoras e mais de 12 mil visitantes no Recife Expo Center.

Esse desempenho reforçou o ambiente empresarial do encontro, levando os organizadores a anunciarem uma nova expansão para a edição de 2027.

Segundo Tatiana Menezes, diretora da Multimodal Nordeste, a edição foi um “sucesso absoluto” e destacou a ampliação da infraestrutura para atender à crescente demanda.

“Registramos um crescimento de 35% em comparação ao ano passado, incluindo a ocupação de um novo pavilhão, e planejamos expandir ainda mais em 2027. Nosso objetivo é conectar diversas marcas do setor logístico em Pernambuco e concluímos o evento com total êxito”, afirmou.

O diretor Rodrigo da Fonte também destacou os bons resultados alcançados, confirmando a próxima edição para os dias 3 a 5 de agosto de 2027, em Recife.

Setor integrado

Os expositores também avaliaram positivamente o evento, ressaltando o fortalecimento do networking, a geração de oportunidades de negócios e a aproximação com clientes de várias regiões. Para Iara Freire, diretora da CSK Log, a estreia da empresa superou as expectativas.

“Conseguimos contatos valiosos, novos clientes e parceiros. O evento realmente atendeu às nossas expectativas.”

Alceu Keller, diretor da NDD Log, observou que o avanço da Multimodal Nordeste tem gerado resultados concretos. Uma negociação iniciada na edição passada resultou em um cliente que voltou este ano para retomar contato com a equipe da empresa, demonstrando o potencial do evento para fortalecer relacionamentos e criar oportunidades comerciais.

Palestras

No último dia do Conecta Multimodal, espaço de conteúdo realizado em parceria pela Folha de Pernambuco e pelo Movimento Econômico, especialistas discutiram os impactos do cenário internacional sobre a logística, os desafios da descarbonização do transporte marítimo e a importância da experiência do cliente para a competitividade das empresas.

Igor Muniz, chief commercial officer da Scan Global Logistics para América Latina, abordou os efeitos da geopolítica e da sazonalidade nos fretes internacionais entre Ásia e Brasil, explicando que conflitos globais, variações na oferta e demanda e restrições em rotas estratégicas aumentam a volatilidade dos custos logísticos, exigindo planejamento rigoroso dos importadores.

“O objetivo da palestra é fornecer aos importadores informações relevantes para a tomada de decisão no momento mais oportuno, minimizando custos operacionais”, explicou.

Em seguida, Luiz Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), discutiu os desafios da descarbonização do transporte marítimo, afirmando que o Brasil pode transformar a agenda ambiental em vantagem competitiva.

Ele mencionou que futuras normas da Organização Marítima Internacional (IMO) devem trazer custos adicionais para embarcações que continuarem usando combustíveis fósseis, demandando uma transição energética que mantenha a competitividade da cabotagem frente ao transporte rodoviário.

“O concorrente do navio internacional é outro navio; na cabotagem, é o transporte rodoviário. Se o transporte aquaviário ficar mais caro, dependendo da carga, ela pode migrar para as estradas. Ninguém quer pagar mais só porque o transporte é ecológico”, afirmou.

Finalizando a programação, Fernando Trigueiro, presidente da Associação Nordestina de Logística (Anelog), falou sobre a importância de gerenciar as expectativas e percepções dos clientes, enfatizando que a qualidade dos serviços depende da capacidade das empresas de entender as necessidades reais dos consumidores.

“A principal tarefa das empresas hoje é identificar as verdadeiras expectativas dos clientes e atendê-las da melhor forma possível. Infelizmente, muitas vezes isso é esquecido.”

Durante a apresentação, ele destacou que falhas como promessas não cumpridas, atrasos, informações conflitantes e falta de preparo dos profissionais prejudicam a percepção de qualidade do serviço.

Também ressaltou a importância da tangibilidade — as evidências físicas que influenciam a experiência do consumidor, como instalações, equipamentos, comunicação e apresentação das equipes. Segundo ele, mais do que processos internos, são os atributos efetivamente entregues ao cliente que definem o valor percebido de uma empresa.

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