Mundo
Departamento de Justiça diz que Trump pode impedir jornalistas de entrar na Casa Branca
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos declarou na terça-feira (22) que o presidente Donald Trump possui autoridade para negar o acesso à Casa Branca aos canais CNN, MS NOW e ao site Politico, um dia antes de uma audiência judicial sobre o tema.
As três organizações de mídia recorreram à Justiça contra a ordem, emitida na sexta-feira (18) pelo presidente republicano, que proíbe sua entrada na residência presidencial como punição por divulgarem informações que ele considera falsas.
Um juiz federal americano marcou uma audiência para esta quarta-feira (23) a fim de avaliar o processo.
Em documento apresentado ao tribunal, o Departamento de Justiça argumenta que Trump tem a capacidade de controlar a entrada de jornalistas em áreas restritas da presidência, como o Salão Oval.
“O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”, acrescentou o documento.
Também foi informado que cartas explicando os motivos da proibição foram enviadas aos meios de comunicação na terça-feira, e as empresas têm até sexta-feira para contestar a decisão.
As cartas destacam diversos “incidentes de reportagem” dos veículos que, segundo o documento, colocaram em risco a segurança nacional e divulgaram inverdades.
A carta para a CNN menciona uma reportagem sobre os planos do presidente Trump para construir um bunker sob o salão de baile da Ala Leste, atualmente em reforma, revelando “detalhes ultrassecretos da construção”, além de vários artigos sobre o conflito com o Irã.
No sábado, foi instaurada a proibição do acesso para os jornalistas destes três meios, e suas credenciais foram retidas.
Em ação conjunta, CNN, MS NOW e Politico pediram ao tribunal a suspensão imediata do veto, alegando que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa.
“Esta proibição representa um ataque direto à Primeira Emenda e uma violação grave dos princípios constitucionais essenciais”, afirmaram os veículos no documento judicial.
Os ataques de Trump contra a imprensa não são recentes. O presidente republicano frequentemente critica repórteres que fazem críticas à sua administração, chegando a chamar a imprensa de “inimiga do povo”.
O veto ocorre em um momento em que sua popularidade está em baixa, e o Partido Republicano enfrenta o risco de perder a maioria no Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato de novembro.
Mundo
Avião que capturou Maduro está em base aérea no Brasil
Uma das aeronaves utilizadas para capturar o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro está estacionada na Base Aérea de Campo Grande (BACG), localizada no Mato Grosso do Sul, para participar de um exercício militar.
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Comando de Preparo (COMPREP), confirmou a presença da aeronave HC-130J, da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), na Base Aérea de Campo Grande (BACG), em Mato Grosso do Sul (MS).
O modelo Lockheed Martin HC-130J Combat King II é uma versão especializada para busca e salvamento em combate da tradicional aeronave Hércules.
O Exercício Operacional Conjunto Tápio 2026 é um treino militar que ocorre de 14 de agosto a 24 de setembro, abrangendo as cidades de Campo Grande, Aquidauana, Miranda e Bodoquena.
Segundo a fabricante Lockheed Martin, o HC-130J Combat King II é a única aeronave fixa dedicada exclusivamente ao resgate de pessoal, operada pelo Comando de Combate Aéreo (ACC) dos Estados Unidos.
Este modelo é projetado para realizar missões táticas e operações de resgate e evasão em ambientes hostis. O Comando de Educação e Treinamento Aéreo dos EUA também utiliza o HC-130J para formar tripulações em missões operacionais.
A Força Aérea dos Estados Unidos destaca que o HC-130J Combat King II é a única plataforma de asa fixa dedicada exclusivamente às operações de resgate e recuperação de pessoal em seu inventário.
Concebida pela Lockheed Martin como uma versão de alcance estendido do cargueiro C-130J Hércules, a aeronave realiza operações em condições meteorológicas adversas, incluindo lançamentos de paraquedistas e suprimentos, evacuações médicas aéreas e reabastecimento de helicópteros tanto no ar quanto no solo, em áreas avançadas.
O sistema de propulsão da aeronave compreende quatro turbopropulsores Rolls-Royce AE2100D3, cada um gerando 4.591 cavalos de potência.
O combustível permite um alcance operacional superior a 6.430 quilômetros, que pode ser aumentado com a utilização de reabastecimento em voo.
A tripulação típica é composta por cinco militares: três oficiais — piloto, copiloto e oficial de sistemas de combate — e dois graduados responsáveis pelo gerenciamento e lançamento de cargas.
A aeronave está equipada com sistemas integrados de navegação inercial e GPS, sensores infravermelhos frontais, receptores de alerta de aproximação de mísseis e dispositivos para dispensa de contramedidas como chaff e flare.
Para minimizar a detecção por radares inimigos e armas, as tripulações realizam voos principalmente à noite, em altitudes baixas ou médias, mantendo silêncio nas comunicações e com iluminação externa desligada. Os sistemas de iluminação interna e externa são compatíveis com óculos de visão noturna.
Mundo
EUA liberam CNN e outros dois veículos para retorno à Casa Branca
Jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico foram autorizados a voltar à Casa Branca na tarde desta quinta-feira (24).
A liberação aconteceu depois que os veículos solicitaram uma audiência emergencial, devido ao descumprimento contínuo por parte do governo Trump de uma ordem judicial que já tinha revogado o veto.
Nesta mesma quinta-feira, o chefe da assessoria de imprensa da Casa Branca confirmou em um documento oficial que as credenciais de imprensa dos jornalistas dos três meios de comunicação, que anteriormente haviam sido bloqueadas, foram restabelecidas.
Segundo a CNN dos Estados Unidos, o juiz Tim Kelly pediu uma resposta do governo às alegações feitas pelos veículos na manhã de quinta-feira, onde afirmaram que seus jornalistas continuavam impedidos de acessar a Casa Branca.
A repórter Betsy Klein e um fotojornalista da CNN tiveram o acesso aos jardins da Casa Branca negado diversas vezes, inclusive após as 9h da manhã local.
Até as 11h (horário do leste dos EUA), o acesso foi recusado, mas às 12h29, o retorno das equipes dos três veículos foi autorizado.
Na semana anterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado a proibição do acesso desses veículos em retaliação ao que ele classificou como “notícias falsas”.
Em sua rede social Truth Social, ele declarou que pessoas e veículos que só produzem conteúdo negativo e que ameaçam a segurança nacional com informações infundadas não deveriam ter entrada no escritório presidencial.
Os meios de comunicação entraram com uma ação judicial argumentando que Trump violou seus direitos ao cancelar as credenciais de repórteres que cobrem a Casa Branca, citando ainda a Quinta Emenda da Constituição dos EUA, que assegura o direito ao devido processo legal.
Os veículos alegaram que a suspensão imediata e sem aviso prévio é arbitrária, e que a justificativa apresentada, de publicação de notícias falsas, é imprecisa e insuficiente para tal punição.
Segundo a nota conjunta dos veículos, caso esta medida não seja contestada, ela representa uma ameaça à liberdade de imprensa e ao direito do público de receber jornalismo independente e sem interferência do governo.
Mundo
Netanyahu fala na ONU isolado e na defesa
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, enfrenta isolamento global e desafios políticos em seu país enquanto se prepara para discursar na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24). Em seu discurso, ele deverá abordar tanto críticos quanto aliados que nos últimos meses se posicionaram contra ele.
O líder israelense também pode mencionar o grave ferimento do filho do embaixador de Israel em Washington, um soldado, em um suposto atropelamento intencional na Cisjordânia.
Entre seus opositores destacados em Nova York está o prefeito socialista Zohran Mamdani, que apoia a ordem de detenção emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Netanyahu. No entanto, Mamdani reconheceu que não tem autoridade para implementar essa ordem.
O tribunal, sediado em Haia, determinou em 2024 que existiam fundamentos para julgar Netanyahu por supostos crimes de guerra relacionados à ofensiva militar israelense em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Antes do discurso, Netanyahu acusou Mamdani de apoiar terroristas do Hamas e de incitar distúrbios contra judeus em Nova York, sem apresentar evidências.
Mahmoud Abbas, presidente palestino e crítico fervoroso de Netanyahu, não esteve presente na Assembleia após ter seu visto negado pelos EUA. Ele condenou essas ações e alertou para o risco que as políticas israelenses representam para a solução de dois Estados e para a existência do povo palestino.
Aliados antigos e tensões internacionais
Países tradicionalmente aliados de Israel, como Reino Unido e França, devem ser alvo de críticas do primeiro-ministro. O Reino Unido e a França adotaram sanções limitadas contra produtos israelenses provenientes da Cisjordânia.
Netanyahu mantém uma relação tensa com o presidente francês, Emmanuel Macron, que liderou em 2023 uma iniciativa para o reconhecimento da Palestina como Estado na ONU.
O Irã, em conflito com Israel e Estados Unidos desde fevereiro, também deve ser mencionado, com Israel pressionando por ação militar americana mais rigorosa para impedir o avanço nuclear iraniano.
A guerra gerou alta nos preços dos combustíveis e descontentamento entre os americanos. Após o discurso do presidente iraniano, o embaixador israelense na ONU, Danny Dannon, acusou Teerã de armar vários grupos militantes na região.
Expectativas e contexto
Netanyahu pode ainda criticar a ONU e seu secretário-geral, António Guterres, que mencionou medidas do TPI acusando Israel de genocídio em Gaza.
O governo israelense acusa repetidamente uma agência da ONU de apoiar militantes do Hamas.
Como em anos anteriores, o discurso deve ser marcado por protestos tanto dentro como fora da sede da organização. Os israelenses estão prestes a votar em 27 de outubro, em uma eleição crucial para o país.
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