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Dados falsos de Flávio sobre urnas causam reação no TSE e ministros mencionam punições
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL-RJ, afirmou em encontro com diplomatas suspeitas sem fundamento acerca das urnas eletrônicas e reiterou o discurso adotado por seu pai em 2022, quando realizou reunião com representantes estrangeiros para questionar o sistema eleitoral do Brasil. Essas declarações fizeram ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resgatarem um precedente que estabeleceu a jurisprudência da Corte para punir ataques ao sistema de votação eletrônica: a cassação do mandato do então deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR), em 2021.
Durante a reunião com embaixadores, o pré-candidato mencionou informações falsas sobre a empresa venezuelana Smartmatic em relação ao Brasil.
Esses documentos apontam que a mesma companhia foi citada em documentos da CIA liberados recentemente pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ocasião, Flávio Bolsonaro repetiu uma alegação que já havia sido desmentida pelo TSE, dizendo que a Smartmatic teria fornecido urnas eletrônicas para o Brasil.
“Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, originária da Venezuela, seja responsável por programações que alteram votações naquele país”, afirmou o senador, acrescentando: “Não vou entrar em detalhes, mas é importante destacar que muitas máquinas usadas nas eleições brasileiras têm origem nessa empresa venezuelana.”
Ministros do TSE apontam que o caso remete não à condenação que tornou Jair Bolsonaro inelegível em 2023, mas ao julgamento do deputado Francischini, considerado marco na mudança de postura do tribunal diante da disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas.
Nesse processo, o tribunal passou a reconhecer que ataques intencionais ao sistema eleitoral podem caracterizar abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, abrindo caminho para futuras decisões.
O precedente data de outubro de 2021, quando o TSE cassou o mandato de Francischini por uma transmissão ao vivo no segundo turno das eleições de 2018, na qual ele alegou falsamente que as urnas impediam votos em Jair Bolsonaro e denunciou fraude sem provas.
Por seis votos a um, o tribunal concluiu que tais declarações configuraram abuso de poder e uso indevido da comunicação, comprometendo a legitimidade das eleições.
A punição incluiu cassação do mandato e inelegibilidade por oito anos, sendo o primeiro caso de condenação eleitoral por desinformação contra a votação eletrônica.
O relator, ministro Luis Felipe Salomão, ressaltou que a liberdade de expressão não ampara a divulgação deliberada de informações falsas que possam abalar a confiança popular nas eleições, consolidando uma nova linha jurisprudencial para combater a desinformação eleitoral.
Dois anos depois, essa base jurídica apoiou a ação que tornou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos devido a reunião com embaixadores em julho de 2022. Embora semelhantes, os casos apresentam diferenças relevantes.
No julgamento do ex-presidente, o TSE entendeu que, além da divulgação de informações falsas, houve abuso de poder político e uso indevido de meios públicos, já que o encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, foi organizado com recursos públicos e foi transmitido pela TV Brasil.
No episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, ainda não existem procedimentos abertos na Justiça Eleitoral. Caso haja alguma medida caberá a partidos, candidatos ou ao Ministério Público Eleitoral investigar eventuais abusos ou infrações legais.
Ao tratar do sistema eleitoral na reunião, Flávio Bolsonaro afirmou não estar contestando as urnas brasileiras, mas defendeu maior presença internacional para acompanhar as eleições brasileiras, garantindo processos mais seguros e transparentes.
“Não questiono o sistema de votação nacional. Gostaria que muitos países enviassem o maior número possível de observadores para as eleições brasileiras, assim como especialistas que possam ajudar o Brasil a promover eleições mais seguras e transparentes.”
O evento, que teve declarações questionáveis do senador sobre o sistema eleitoral, fez parte do ciclo “Debatendo o Brasil”, organizado pela Novo Selo Comunicação em parceria com The Brazilian Report, com a participação de representantes de mais de 40 países e organismos internacionais, entre eles Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Japão, Israel, Canadá, México, Paraguai, Ucrânia, além da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes.
Cultura
Mário Hélio assume vaga na Academia Paraibana de Letras
O escritor e jornalista Mário Hélio assumiu na última sexta-feira (31) seu posto como membro da Academia Paraibana de Letras, marcando mais de quarenta anos dedicados à literatura, jornalismo cultural, história e antropologia. Ele agora ocupa a Cadeira nº 15, anteriormente de Francisco Pereira da Silva Júnior. A cerimônia foi no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa.
Eleito em abril, Mário Hélio ingressa na principal instituição literária da Paraíba após uma carreira de destaque nacional. Com grande parte de seu trabalho realizado em Pernambuco, mantém forte ligação com a cultura paraibana, tema central em seu recente livro “Mosaico Paraibano”, uma coletânea de ensaios sobre escritores, artistas e personalidades que ajudaram a formar a identidade cultural da Paraíba. Este livro foi lançado na própria Academia pouco antes de sua eleição, fortalecendo seus laços com a instituição.
Trajetória
Nascido em 1965 em Sapé, na Zona da Mata paraibana, Mário Hélio iniciou sua carreira literária cedo. Com menos de 20 anos, ganhou o Prêmio Literário Cidade do Recife de poesia, que resultou na publicação de seu primeiro livro, Livrório/Opus Zero, em 1995. Desde então, sua obra abrange poesia, ensaio, crítica literária e de arte, biografia, história cultural e antropologia.
Formado em Comunicação Social, mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, Mário Hélio também atua como professor, pesquisador e editor, dedicando-se especialmente às relações entre literatura, memória, religiosidade e cultura popular.
Na imprensa cultural, é uma referência importante, tendo colaborado na criação e fortalecimento de publicações renomadas como as revistas Massangana, Continente e Pernambuco, reconhecidas pela qualidade editorial e cobertura cultural.
Desempenhou cargos na administração pública cultural, incluindo diretor de Cultura da Fundaj e atualmente é superintendente de Periódicos e Projetos Especiais da Cepe, que lidera políticas públicas de edição e difusão do livro no Nordeste.
Seu trabalho intelectual inclui dezenas de publicações que transitam entre história e literatura. Obras de destaque incluem O Recife melhor do que Paris, um poema-retrato do Recife dos anos 80/90; Brasil Profundo, Espanha Negra, pesquisa sobre manifestações religiosas; Cícero Dias – Uma vida pela pintura; e A História Íntima de Gilberto Freyre, estudo profundo sobre o sociólogo.
Inclui também estudos sobre escritores como João Cabral de Melo Neto, entre outros artistas e intelectuais brasileiros, sempre com rigor documental e linguagem acessível, sendo um divulgador importante da história cultural brasileira. Participa de instituições nacionais e internacionais dedicadas à literatura, pesquisa e memória cultural.
Em 2023, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras, tornando-se um dos poucos escritores a integrar simultaneamente academias literárias de estados diferentes.
A eleição e posse foram vistas como reconhecimento de uma carreira multifacetada. Recebido pelo acadêmico Francisco de Sales Gaudêncio, da Cadeira nº 18 da APL, Mário Hélio representa a ligação entre tradições literárias da Paraíba e Pernambuco, que ao longo do século XX compartilharam projetos, revistas e movimentos culturais que construíram o Nordeste como polo intelectual nacional.
Discursos na Cerimônia
Durante a cerimônia, os discursos enfatizaram a literatura como meio de preservar e construir memória. No discurso de acolhida, Sales Gaudêncio destacou a trajetória de Mário Hélio que transcende a literatura, envolvendo pesquisa, jornalismo e preservação cultural.
Enfatizou o retorno do novo membro à Paraíba como um reencontro com suas raízes e a importância da Academia Paraibana de Letras: “Entrar nesta Casa é receber uma herança e assumir um compromisso. Cada cadeira conta uma história, cada patrono representa uma tradição e cada acadêmico integra uma comunidade que vai além do presente. Aqui convivem vivos e mortos; os escritores e aqueles que deixaram de escrever, mas continuam falando por meio de suas obras.”
Mário Hélio, por sua vez, desviou o foco da homenagem pessoal para uma reflexão sobre o tempo, símbolos e a responsabilidade coletiva ao entrar na academia: “Ao ser eleito, o novo integrante deve aceitar as responsabilidades em prol do coletivo. Sem isso, ingressar numa academia seria apenas uma confirmação de egos.”
Esporte
Atleta olímpico Daniel Ferreira é encontrado vivo após 44 dias desaparecido
O ex-maratonista Daniel Ferreira do Nascimento foi localizado com vida no último sábado (1º). O ex-atleta, que representou o Brasil na maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi encontrado na zona leste da cidade de São Paulo. Com 28 anos, o corredor conhecido como Danielzinho estava desaparecido desde 19 de junho de 2026.
Ele foi visto pela última vez em Paraguaçu Paulista, no interior paulista. Após 44 dias de sumiço, um pedestre o reconheceu na Rua Dr. Ubaldino do Amaral, no bairro do Belenzinho, em São Paulo. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada e, após a checagem, o próprio Daniel confirmou sua identidade. O reencontro com os familiares aconteceu no 30º Distrito Policial, situado no Tatuapé.
Durante o período em que esteve desaparecido, familiares e amigos organizaram diversas campanhas nas redes sociais na tentativa de encontrá-lo.
Além de participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, Daniel é detentor do recorde sul-americano na maratona, estabelecido com o tempo de 2:04:51 em abril de 2022, na cidade de Seul, Coreia do Sul. Este feito quebrou o recorde brasileiro e sul-americano anterior, que durava 24 anos e pertencia a Ronaldo da Costa, que completou a Maratona de Berlim em 1998 com 2:06:05, um recorde mundial na época. A marca de Daniel é a mais veloz já obtida por um maratonista não africano.
Em abril de 2023, Danielzinho garantiu o índice para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, ao terminar em quarto lugar na Maratona de Hamburgo, com o tempo de 2:07:06. Contudo, em julho de 2024, pouco antes dos Jogos, ele foi suspenso preventivamente após um teste surpresa da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) indicar substâncias anabolizantes em seu organismo.
Foram encontrados resíduos de drostanolona, metenolona e nandrolona, hormônios anabolizantes. Devido a esses resultados, Daniel foi suspenso e impedido de participar das Olimpíadas. Em maio de 2025, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) anunciou uma suspensão de cinco anos para o corredor, retroativa a 15 de julho de 2024, data do teste positivo. Assim, o atleta está afastado das competições até julho de 2029.
Mundo
Milei acusa Lula de corrupção e roubo
O presidente da Argentina, Javier Milei, reafirmou neste domingo (2) suas acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o como corrupto e ladrão, uma semana após suas declarações causarem um atrito diplomático entre as maiores economias da América do Sul.
Milei declarou em uma entrevista à emissora LN+ que Lula foi condenado por crimes de roubo e corrupção, tendo cumprido pena, o que justifica chamá-lo de preso. Ele ainda ressaltou que a soltura de Lula decorreu de um erro administrativo no processo, e não por inocência.
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