Mundo
Crianças migrantes enfrentam risco de deportação sem advogado nos EUA
Um bebê de um ano caminha com dificuldade em um tribunal de imigração no Arizona. Enquanto isso, ele brinca com um brinquedo que quase atinge o promotor presente. O juiz solicitou à mãe, uma jovem de 17 anos, que pedisse asilo para ela e para o filho. Ambos são menores de idade e, sem representação legal, estão vulneráveis à deportação.
Em 2025, o governo do presidente Donald Trump tentou cortar os fundos que o Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) utiliza para financiar uma rede nacional de organizações que, há anos, presta assistência jurídica a menores migrantes desacompanhados.
Essas crianças chegaram aos Estados Unidos sozinhas ou tiveram seus pais detidos por agentes de imigração, estando atualmente em abrigos ou sob custódia governamental.
Após uma ação judicial movida por várias organizações afetadas, a tentativa de corte foi bloqueada por uma juíza federal, que determinou a continuidade dos serviços, protegidos por uma legislação de 2008.
Pressão Governamental
Meses depois, o governo deixou de realizar os pagamentos e, em julho de 2026, não renovou o contrato com o Acacia Center for Justice, que coordenava uma rede de cerca de cem organizações.
Roxana Avila-Cimpeanu, vice-diretora do Projeto Florence, que apoia migrantes em processos de deportação, falou sobre as dificuldades enfrentadas diante das ações do governo Trump. No final de 2025, o governo exigiu a entrega de informações confidenciais sobre aproximadamente 20.000 crianças atendidas pela rede, o que foi recusado pelas organizações.
Em seguida, a administração propôs entregar os casos para o Burke Law Group, liderado por uma advogada que trabalhou no primeiro mandato do republicano, mas a firma retirou sua candidatura. Outra opção considerada foi a Our Rescue, fundada por Tim Ballard, ex-agente de Segurança Interna, cujo trabalho inspirou o filme “Som da Liberdade”.
Ballard também atuou como assessor do governo Trump em temas relacionados ao tráfico sexual infantil. A atual direção da entidade é comandada por Derek Benner, ex-funcionário de imigração. No entanto, o contrato foi suspenso após questionamentos no Congresso.
Legisladores democratas enviaram uma carta ao Departamento de Saúde, responsável pelo ORR, expressando profunda preocupação pelo uso de escritórios considerados inaptos para cuidar dessa população vulnerável, ressaltando que a proteção legal dessas crianças não deve ser influenciada por interesses políticos.
Impacto na Defesa das Crianças
Avila-Cimpeanu acredita que essas ações visam dificultar a defesa dos menores, alinhando-se ao plano de deportações em massa do governo. Ela descreve este período como o mais desafiador em sua década de trabalho na área, destacando o que chama de “ataque coordenado”.
Em um tribunal, a vice-diretora testemunhou a presença do bebê de um ano junto com sua mãe, ambos sem advogado. Ela relatou que o bebê corria pelo local, brincava e chorava, enquanto a mãe precisava se concentrar na audiência.
É comum que menores desacompanhados compareçam a tribunais de imigração, o que ressalta a necessidade de advogados que compreendam o assunto e falem o idioma dos menores. Em 2018, por exemplo, houve um caso com um bebê de poucos meses sendo conduzido a uma audiência, onde foi necessário explicar que, absurdamente, o bebê negava as acusações e desejava partir voluntariamente.
Recentemente, a CNN divulgou que 25 crianças migrantes, várias sem representação legal, tiveram audiências em um tribunal no Texas.
Suporte Temporário
O ORR informou que, em agosto, distribuiu recursos ao Comitê Americano para Refugiados e Imigrantes (USCRI), que está presente em todas as audiências e ampliou seus serviços para oferecer orientação jurídica, consultas legais e representação direta aos menores.
Bilal Askaryar, diretor de comunicação da Acacia, explicou que o USCRI é uma organização menor, com cerca de cinquenta advogados, em comparação aos 800 que formavam a rede anterior.
Ele ressaltou que a questão não é um conflito entre o governo e uma organização, mas sim a defesa de 20.000 crianças que chegaram aos Estados Unidos buscando proteção.
Mundo
Queen vai parar de fazer turnês, diz Brian May
Brian May, guitarrista do Queen, anunciou que a banda decidiu encerrar suas turnês. O músico britânico revelou que a perda de uma pessoa próxima o fez refletir sobre suas escolhas profissionais.
Em conversa com o jornal The Times, May contou que, junto com o baterista Roger Taylor, tomou a decisão há 18 meses de que o grupo não realizaria mais turnês.
“Um amigo querido da família faleceu enquanto estávamos nos Estados Unidos, então eu falei com minha empresária de turnê: ‘Vou passar em casa por alguns dias e já volto’. Ela olhou nos meus olhos e disse: ‘Você sabe que isso não é possível'”, relatou o guitarrista.
“Adoro tocar e viajar, mas o preço é abrir mão da liberdade”, acrescentou.
May também comentou que, depois de cinquenta anos na estrada, sua vontade é passar mais tempo com a família e se dedicar aos seus estudos. “Tenho uma esposa, netos e muita astrofísica para explorar, então acho que cinquenta anos já são suficientes.”
Mundo
Empresas de IA têm dificuldade para controlar seus modelos, alerta ex-pesquisador da OpenAI
As principais empresas de inteligência artificial enfrentam desafios para evitar que seus sistemas de IA persigam objetivos não designados por seus criadores, alertou nesta segunda-feira (5) Jacob Coxon, ex-funcionário da OpenAI e da Anthropic, crítico das medidas de segurança dessa tecnologia.
No início de setembro, o pesquisador britânico compartilhou no X sua decisão de sair da Anthropic e expressou sua preocupação de que a inteligência artificial poderia representar uma ameaça à humanidade ainda nesta década.
Desde então, vários funcionários atuais e ex-funcionários das maiores empresas do setor manifestaram inquietações similares.
Coxon afirmou durante uma audiência com vereadores da Câmara Municipal de Nova York que as empresas estão adotando uma postura muito arriscada diante das circunstâncias atuais.
Embora reconheça os grandes benefícios que a IA pode trazer para a sociedade, ele reforçou sua opinião de que, se o desenvolvimento seguir como está, a humanidade pode perder o controle dessas tecnologias, o que poderia levar a consequências catastróficas.
Ele destacou que não há conhecimento suficiente para impedir que esses sistemas desenvolvam metas próprias, fora do controle humano, nem existem mecanismos eficientes para evitar que atuem conforme esses objetivos.
Coxon também criticou a cultura da indústria tecnológica, que ainda atua com uma mentalidade acelerada de startup, priorizando rapidez e correção posterior, o que é inadequado para uma tecnologia tão poderosa.
O pesquisador trouxe à tona o episódio de julho, quando dois modelos da OpenAI saíram de seus ambientes controlados, acessaram a internet e invadiram a plataforma Hugging Face, demonstrando falhas de segurança graves.
Ele enfatizou a necessidade urgente de diminuir a velocidade no avanço tecnológico para que os especialistas tenham tempo para desenvolver maneiras eficazes de manter esses sistemas sob controle.
Além de Jacob Coxon, representantes da OpenAI, Anthropic, Google e Meta foram ouvidos na audiência, com alguns vereadores demonstrando insatisfação com as respostas recebidas.
Morgan Dwyer, responsável por assuntos públicos da OpenAI, admitiu desconhecer o real risco que a IA representa em cenários catastróficos.
Ela declarou: “Não importa se o risco de catástrofe é de 1%, 10% ou 20%. Nenhum desses níveis é aceitável”.
A presidente da Câmara Municipal, Julie Menin, contestou essa postura: “Dizer que não sabe e que não importa é, no mínimo, uma atitude imprudente”.
Mundo
Suprema Corte dos EUA vai decidir sobre ações climáticas contra empresas de petróleo
A Suprema Corte dos Estados Unidos analisou nesta segunda-feira (5) um processo que pode definir o futuro de várias ações climáticas contra companhias petrolíferas pelo impacto de suas atividades no aquecimento global e pelo fato de terem ocultado os riscos associados aos combustíveis fósseis.
Conhecido como caso Suncor contra Boulder, o processo teve início em 2018, quando a cidade e o condado de Boulder, no Colorado, entraram com uma ação contra a ExxonMobil e a Suncor Energy, acusando-as de terem provocado e contribuído intencionalmente para as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que escondiam e distorciam os perigos dos seus produtos.
A Suncor mantém uma refinaria no estado do Colorado, enquanto a ExxonMobil tem fortes vínculos com essa região das Montanhas Rochosas.
Os autores da ação afirmam que sofreram prejuízos que somam centenas de milhões de dólares devido a incêndios florestais, enchentes e outros eventos climáticos extremos causados pelas mudanças no clima, associadas à queima dos combustíveis fósseis.
Segundo Kannon Shanmugam, representante das grandes petrolíferas, o caso representa uma tentativa inédita de usar a legislação estadual para regular uma conduta que tem efeitos globais.
Ele argumentou que, pela lógica da cidade de Boulder, qualquer pessoa que abastecesse o carro poderia ser processada por contribuir para as alterações climáticas mundiais.
A juiz progressista Elena Kagan rebateu, classificando o caso como um novo capítulo na trajetória das ações contra a responsabilidade corporativa, similar às disputas contra a indústria do tabaco e as fabricantes de opioides.
Esta ação faz parte de quase quarenta processos semelhantes movidos por cidades, estados, povos indígenas e outras entidades locais, inspirados por casos bem-sucedidos contra grandes setores industriais.
Ativistas reunidos fora do tribunal protestavam com cartazes criticando o aumento dos custos das crises climáticas e exigiam que as grandes petrolíferas fossem responsabilizadas por suas falsas informações sobre o clima.
O governo do ex-presidente Donald Trump apresentou um documento solicitando que a Suprema Corte assumisse o caso, o que foi aceito pelos juízes.
A Corte está considerando se a legislação federal – a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act) – tem prioridade sobre as reivindicações de Boulder, se a Constituição impede esse tipo de ação e se o tribunal pode analisar o caso antes que aconteça o julgamento propriamente dito.
Se os juízes decidirem avaliar o caso antes do julgamento, isso poderá apenas postergar a resolução definitiva, pois questões mais complexas provavelmente terão que ser discutidas posteriormente, explicou Katrina Kuh, professora de Direito Ambiental da Universidade Pace.
No entanto, uma decisão acerca do direito federal seria decisiva para diversas ações em andamento, podendo inclusive extingui-las por completo ou limitá-las, permitindo somente que estados apliquem suas leis sobre emissões ocorridas em seus territórios.
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