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Economia

CPI da Enel na Alesp pede fim do contrato, intervenção e indiciamento de executivos

(Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), entregou nesta quarta-feira, 13, o relatório final dos trabalhos realizados para apurar possíveis irregularidades cometidas pela concessionária de energia. O documento pede ao poder público uma intervenção na empresa, bem como o indiciamento de executivos e o encerramento da concessão, que era prevista para terminar em 2028.

De acordo com a relatora da CPI, deputada Carla Morando (PSDB), a empresa foi negligente e ineficiente na prestação de serviços, entre 2018 e 2023, mas especialmente nos eventos durante o “apagão”, causado por fortes chuvas no início do mês de novembro em São Paulo e na região metropolitana. Ao Estadão, a Enel afirmou que “vem cumprindo com todos os indicadores de qualidade previstos no contrato de concessão” e que ” atendeu a todos os questionamentos” da CPI.

A conclusão do colegiado foi de que a empresa descumpriu o contrato de concessão. A CPI pediu uma intervenção na empresa e uma auditoria na gestão realizada entre 2018 e 2023, “para fim de apurar eventuais irregularidades e infrações que culminaram com os expressivos índices de insatisfação dos usuário”, como informa o documento.

Também é requerido que o contrato de concessão com a Enel seja caducado, ou seja, perca a validade. Como informado no relatório “a caducidade é a previsão da rescisão contratual, que consiste no encerramento do contrato pela ocorrência de situações irregulares elencadas pelo Legislador”.

O relatório pede ainda o indiciamento no Ministério Público Estadual e Federal por “presumível cometimento de crimes contra o consumidor” de Max Xavier Lins, presidente da Enel São Paulo; Nicola Cotugno, ex-presidente da Enel Brasil e Vicenzo Ruotolo, diretor de operações de rede da Enel Brasil.

O documento ainda recomenda medidas a serem tomadas em novos contratos de concessão, como redução do prazo de revisão tarifária, previsão para melhorias nas ações de fiscalização do sistema de subestações de energia, melhoria no serviço de atendimento ao consumidor e revisão dos critérios de apuração de eventos climáticos extremos, para ajudar a evitar casos como o apagão de novembro, entre outras.

A CPI foi instalada no início de novembro para investigar a demora da concessionária de energia para mitigar os efeitos do apagão, que afetou mais de 2 milhões de paulistas entre os dias 3 e 7 do último mês.

A comissão, presidida pelo deputado Thiago Auricchio (PL), foi marcada por episódios como o que a Alesp ficou sem energia elétrica durante a reunião do colegiado que tomaria o depoimento do diretor da Enel.

Procurada pelo Estadão, a Enel disse, em nota, que atendeu aos questionamentos da CPI e seguirá comprometida com a qualidade do serviço prestados.

Leia a nota da Enel na íntegra:

“A Enel Distribuição São Paulo informa que vem cumprindo com todos os indicadores de qualidade previstos no contrato de concessão regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em compromisso com seus clientes e com todas as autoridades, a companhia atendeu a todos os questionamentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) realizada pela Alesp, apresentou os investimentos que vem sendo realizados e reforça que seguirá comprometida com a melhoria contínua do serviço prestados.

Desde que adquiriu a Eletropaulo em 2018, a companhia tem realizado uma média anual de investimentos da ordem de R$ 1,35 bilhão por ano, contra cerca de R$ 800 milhões por ano investidos pelo controlador anterior. Em 2022, foram aportados R$ 1,96 bilhão, volume recorde de investimento destinado, principalmente, à digitalização e automação da rede elétrica, à expansão da capacidade do sistema de distribuição e à execução de obras estruturais como construção de novas subestações e modernização das subestações existentes.

Esses investimentos nos últimos anos levaram a uma melhoria dos indicadores de duração e frequência das interrupções de energia medidos pela agência reguladora (ANEEL). Entre 2017 e 2022, a duração das interrupções reduziu 47%, enquanto o número de vezes em que o cliente fica sem energia caiu 46%.

A companhia reforça o compromisso com seus clientes e reitera que seguirá investindo para melhorar cada vez mais os serviços prestados. A Enel São Paulo entende que, apenas por meio da cooperação entre os diferentes agentes e entidades, será possível superar desafios que serão cada vez mais frequentes com os impactos das mudanças climáticas sobre as redes elétricas.”

Economia

Justiça suspende bloqueio de bilhões de reais do ex-CEO e sócios da Americanas

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Um tribunal da Justiça Federal no Rio de Janeiro (TRF-2) decidiu suspender o bloqueio de R$ 3,7 bilhões dos recursos de Sérgio Rial, ex-CEO da Americanas, no contexto da segunda fase da Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal no final de junho.

O bloqueio que atingia também até R$ 54 bilhões dos bens de Beto Sicupira, acionista importante da Americanas; Eduardo Saggioro, presidente do conselho de administração da empresa, e Paulo Lemann, ex-membro do conselho e filho de Jorge Paulo Lemann, foi igualmente suspenso, conforme informações de uma fonte próxima ao processo.

Recentemente, os indivíduos investigados pela Polícia Federal começaram a ser convocados para prestar depoimento nas próximas semanas, e Sérgio Rial solicitou ser ouvido.

Nove executivos foram alvos de mandados de busca, incluindo Sérgio Rial, ex-presidente do Santander, Carlos Alberto Sicupira, acionista de referência da Americanas, e representantes de grandes instituições financeiras como Bradesco e Itaú. Até o momento, os investigados e seus representantes legais não tiveram acesso completo aos autos da investigação.

Manifestação do Ministério Público Federal

Em 20 de julho, quatro procuradores do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro integrando o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) solicitaram ao Tribunal Regional da Justiça Federal da Segunda Região (TRF-2) a suspensão do bloqueio de até R$ 54,2 bilhões determinado na operação Disclosure.

O pedido foi encaminhado também para a juíza Giovanna Teixeira Brantes Calmon, responsável pela determinação do sequestro de bens e valores a pedido da Polícia Federal.

Os procuradores argumentaram que a decisão da magistrada baseou-se na presunção de que os principais acionistas teriam conhecimento das fraudes por serem controladores. Contudo, destacaram que não há evidências de envolvimento direto ou conhecimento das irregularidades por parte dos sócios, ressaltando o aporte de R$ 12 bilhões feito por eles durante a reestruturação da companhia.

A investigação da fraude

A Polícia Federal investiga uma fraude bilionária na empresa, com base em delações de ex-diretores da Americanas, e sustenta que os investigados teriam conhecimento das irregularidades, com indícios de crimes de manipulação de mercado e formação de quadrilha.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e São Paulo, bem como autorizado o bloqueio de até R$ 54 bilhões, valor correspondente à fraude detectada.

Contexto da fraude

Sérgio Rial assumiu a posição de CEO da Americanas em janeiro de 2023 e renunciou nove dias depois, quando veio à tona um escândalo envolvendo inconsistências contábeis nos balanços financeiros da empresa, posteriormente confirmadas como fraudes sistemáticas.

As práticas fraudulentas incluíram operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), estratégias comuns no varejo, mas que foram utilizadas para inflar os lucros da Americanas.

Esses contratos funcionavam da seguinte forma: a varejista solicitava uma quantidade de produtos ao fornecedor por um valor estabelecido, com condições como destaque para esses produtos nas lojas e metas de vendas. Ao alcançar essas metas, o fornecedor oferecia descontos, o que é uma prática normal no mercado.

A fraude resultou na recuperação judicial da Americanas em janeiro de 2023. A companhia passou por reestruturação, recebeu aportes significativos dos acionistas de referência, reduziu sua rede de lojas e vendeu ativos.

O impacto da crise da Americanas afetou o mercado, encarecendo e reduzindo a oferta de crédito no varejo.

Recentemente, os presidentes dos bancos Itaú e Bradesco reconheceram que o sistema financeiro foi bastante prejudicado pela fraude da Americanas, sofrendo perdas bilionárias.

Até o momento, a defesa de Sérgio Rial e dos principais acionistas da Americanas não se manifestou sobre o caso.

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Economia

Anp cancela permissão da Refinaria de Manguinhos após bloqueio do Cnpj

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Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anulou na última sexta-feira a autorização para operação da Refinaria de Manguinhos (Refit).

Essa decisão foi tomada pela diretoria do órgão regulador depois que a Receita Federal suspendeu o CNPJ da companhia.

De acordo com a ANP, manter um CNPJ ativo é um requisito essencial para obter e conservar a autorização para funcionamento das refinarias concedida pela agência.

Essa medida ocorreu após um processo administrativo de cancelamento, durante o qual, conforme a ANP, a empresa teve assegurados os direitos de defesa e contraditório. A Refit ainda não se manifestou sobre o caso.

Na quarta-feira, na 5ª Vara Empresarial da Justiça do Rio, o governo do estado solicitou que a recuperação judicial do Grupo Manguinhos, controlador da refinaria, seja convertida em falência.

O governo estadual fundamenta o pedido alegando que a empresa perdeu sua viabilidade econômica e não cumpriu requisitos básicos durante o processo, acumulando um débito tributário superior a R$ 25,7 bilhões.

Relatórios indicam um declínio constante das operações do grupo, que, após registrar faturamento mensal superior a R$ 1 bilhão em 2025, apresentou uma queda brusca nas receitas até registrar um resultado financeiro quase nulo no início do ano corrente.

Em novembro de 2025, a Refit foi alvo da Operação Poço de Lobato, uma grande ação conjunta da Receita Federal e dos Ministérios Públicos de cinco estados para apurar um suposto esquema de fraude fiscal no setor de combustíveis.

Foram cumpridos 126 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas associadas ao grupo, dono da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio, e outras empresas do segmento.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, as apurações indicam um esquema estruturado para fraudes fiscais que teria causado mais de R$ 26 bilhões em débitos inscritos na dívida ativa. Os investigados enfrentam acusações relacionadas a crimes contra a ordem econômica e tributária, lavagem de dinheiro e outras infrações.

Durante a operação, bens avaliados em R$ 10,2 bilhões dos membros do grupo foram bloqueados, incluindo imóveis e veículos. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional também adotou medidas judiciais visando congelar outros R$ 1,2 bilhão ligados à empresa.

As investigações revelam que as empresas associadas ao grupo Refit utilizaram estruturas societárias complexas e operações interestaduais de combustíveis para evitar o pagamento do ICMS e dificultar a responsabilização dos envolvidos.

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Economia

CNJ estima pagar R$ 1,1 bilhão a 782 juízes por penduricalhos atrasados

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A Corregedoria-Geral de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira os primeiros valores devidos a magistrados referentes a verbas reconhecidas antes da imposição do teto para os chamados penduricalhos.

De acordo com a auditoria, 782 juízes poderão receber R$ 1,1 bilhão, dependendo da autorização do STF. O juiz com o maior saldo a receber tem direito a R$ 3,9 milhões.

Os beneficiários incluem magistrados do Superior Tribunal de Justiça, Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Tribunal Regional Federal da 3ª Região e Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A liberação dos pagamentos ainda depende da decisão do STF.

Esses valores fazem parte da primeira fase de passivos auditados pelo CNJ, com pagamentos suspensos desde fevereiro, após decisão da Corte sobre os limites dos penduricalhos.

Quando a Suprema Corte definiu quais verbas indenizatórias seriam permitidas no Judiciário e estabeleceu um teto para os pagamentos, indicou que os desembolsos retroativos poderiam ser liberados a partir de agosto, desde que fossem previamente avaliados pela Corregedoria Nacional de Justiça, liderada pelo ministro Mauro Campbell Marques.

O ministro e sua equipe analisaram minuciosamente os dados enviados pelos tribunais de todo o país, confirmando a validade e forma de cálculo das verbas.

Agora, os primeiros saldos foram encaminhados ao STF para deliberação sobre sua liberação.

A auditoria incide especificamente sobre o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), conhecido como quinquênio, destinado a magistrados que ingressaram no Judiciário antes de 2006.

Ao todo, 62 tribunais remeteram valores referentes ao ATS a pagar aos juízes, porém o CNJ validou somente os montantes de quatro tribunais, pois diversos cálculos apresentados estavam incorretos.

No relatório encaminhado ao STF, a Corregedoria ressaltou que o total de R$ 1,1 bilhão validado não representa a dimensão total nacional dos débitos.

Mauro Campbell afirmou no documento que qualquer tentativa de estimar o passivo nacional com base nestes números seria inadequada.

Entre os quatro tribunais validados, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal detém o maior saldo, com R$ 455 milhões, seguido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo com R$ 331 milhões, Tribunal Regional Federal da 3ª Região com R$ 283 milhões, e por último o Superior Tribunal de Justiça cuja soma validada é menor.

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