Brasília
Cobertura vacinal contra poliomielite cresce no DF, mas abaixo da meta
Em um ano, índice de crianças protegidas subiu de 72,7% para 77,4%, quando o ideal é chegar a 95%. Secretaria de Saúde disponibiliza vacina em mais de 100 locais e reforça vigilância contra a doença
A cobertura vacinal contra a poliomielite no Distrito Federal aumentou de 72,7% para 77,4% entre 2021 e 2022, mas ainda está abaixo da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde. O dado consta no boletim epidemiológico lançado pela Secretaria de Saúde nesta sexta-feira (24). “A baixa cobertura deve ser encarada como um problema grave a ser combatido”, afirma a secretária de Saúde, Lucilene Florêncio. “Conclamamos a todas as mães, a todos os pais e responsáveis que levem seus filhos para vacinar”, completa.

A população do Distrito Federal conta com mais de 100 locais de vacinação onde é possível imunizar as crianças contra a doença. Aos sábados, ações itinerantes também levam os imunizantes para espaços alternativos, como centros comerciais, instituições de ensino e parques. A lista com os endereços e horários de atendimento fica disponível no site da Secretaria de Saúde. Em uma única ida ao local de vacinação, a criança pode receber uma dose da vacina contra a poliomielite e de outra doença, como a covid-19.
“A baixa cobertura deve ser encarada como um problema grave a ser combatido. Conclamamos a todas as mães, a todos os pais e responsáveis que levem seus filhos para vacinar”Lucilene Florêncio, secretária de Saúde
O esquema vacinal contra a poliomielite é de três doses injetáveis aos dois, quatro e seis meses de vida, complementadas por duas doses orais (gotinhas) aos 15 meses e aos quatro anos. No Distrito Federal, somente em 2022 foram mais de 60 mil aplicações das doses injetáveis e de 80 mil da oral. Entre os menores de um ano, a cobertura chega a 89,5%, porém, muitas famílias não retornam para aplicação dos reforços e o índice cai para 77,4% quando se trata do percentual de crianças com o esquema vacinal completo.
Vigilância epidemiológica
Ainda que o DF não detecte nenhum caso desde 1987 e o Brasil desde 1989, a situação no país é classificada como de “risco muito alto” pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) por conta da cobertura vacinal abaixo de 80%.
A meta de vacinação elevada, de 95%, se explica pelo fato de a poliomielite ser facilmente transmissível: falar, tossir ou espirrar podem transmitir o poliovírus
Em 2022, o temor do retorno da doença foi reforçado pela confirmação de uma criança afetada pela poliomielite em Israel, onde não se tinha registro de casos há três décadas. Paquistão e Afeganistão continuam como áreas permanentemente afetadas.
“O risco existe e isso reforça a importância de que todas as crianças sejam vacinadas”, afirma a responsável técnica da vigilância da poliomielite no Distrito Federal, Joana Castro.
De acordo com a especialista, o ideal seria que todas as crianças se vacinassem, mas há aquelas que não podem receber o imunizante, como é o caso das imunocomprometidas. A meta de vacinação elevada, de 95%, se explica pelo fato de a poliomielite ser facilmente transmissível: falar, tossir ou espirrar podem transmitir o poliovírus. Para piorar, na maioria das vezes a pessoa com o vírus não apresenta sintomas, mas pode contaminar outras pessoas. O período de incubação é de dois a 30 dias, sendo mais comum um período de sete a 12 dias.
Para detectar os casos rapidamente, a Secretaria de Saúde monitora os casos de Paralisia Flácida Aguda, situação em que a pessoa perde a força nos músculos.
Os profissionais de saúde, tanto da rede pública quanto privada, são obrigados a notificar a Gerência de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar (Gevitha) e o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) sempre que esse quadro for detectado em crianças e adolescentes até 15 anos ou em pessoas de qualquer idade que tenham viajado para países onde há circulação do vírus.
Em 2022, foram oito casos de paralisia flácida aguda no Distrito Federal. Nenhum, porém, foi provocado por poliomielite: o sintoma está atrelado a outras 40 causas, que vão de infecções até a síndrome de Guillain-Barré. A meta da vigilância epidemiológica para minimizar a reintrodução da doença no Distrito Federal é investigar cada notificação em até 48 horas e obter uma amostra de fezes do indivíduo até 14 dias após o início dos sintomas. Se a contaminação for confirmada, a Secretaria de Saúde vai ativar as medidas de contenção para evitar um número maior de doentes. Quem já estiver com poliomielite receberá tratamento para aliviar os sintomas, porém, a deformidade causada pela doença afetará a pessoa para o resto da vida.
*Com informações da Secretaria de Saúde
Motoristas que passaram pelo local estranharam a fumaça preta que sai das torres, que se trata, na verdade, de uma simulação de incêndio

Fumaça no Congresso assusta brasilienses – (crédito: Redes sociais)
Uma fumaça no Congresso Nacional assustou os brasilienses nesta sexta-feira (21/6). Quem passou pelo local, observou uma fumaça preta saindo pelas torres do órgão e se preocupou. Vídeos gravados pelos moradores da capital mostram o momento, confira:
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A fumaça se trata, na verdade, de um procedimento para exercício de enfrentamento de emergência, realizado pela Seção de Prevenção e Combate contra Incêndios do Departamento de Polícia Legislativa (Seprin/Depol) no Anexo I.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBM-DF) confirmou que a fumaça se trata da simulação.
A data da simulação não foi incialmente anunciada e terá duração de aproximadamente duas horas. A energia do edifício foi desligada e não é autorizada movimentação de veículos no estacionamento até o término da ação.
Brasília
Governo federal libera mais R$ 1,8 bilhão para ações de apoio ao RS
Crédito extraordinário foi autorizado por meio de medida provisória

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para não perder a validade.
A maior parte do montante irá para ações da Defesa Civil e o Auxílio Reconstrução, somando mais de R$ 1,4 bilhão. Os recursos autorizados hoje poderão também ser usados para volta das atividades de universidades e institutos federais, assistência jurídica gratuita, serviços de conectividade, fiscalização ambiental, aquisição de equipamentos para conselhos tutelares e atuação das polícias Federal, Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública.
No último dia 11, o governo federal já havia destinado R$ 12,1 bilhões, também por MP, ao estado, para abrigos, reposição de medicamentos, recuperação de rodovias e outros.
>> Veja como será distribuição do crédito extraordinário de R$ 1,8 bilhão:
– Retomada de atividades das universidades e institutos federais (R$ 22.626.909)
– Fortalecimento da assistência jurídica integral e gratuita (R$ 13.831.693)
– Suporte aos serviços de emergência e conectividade (R$ 27.861.384)
– Ações de fiscalização e emergência ambiental (R$ 26.000.000)
– Aquisição de equipamentos para Conselhos Tutelares (R$ 1.000.000)
– Ações da Defesa Civil (R$ 269.710.000)
– Auxílio Reconstrução (R$ 1.226.115.000)
– Ações integradas das Polícias Federal, Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública (R$ 51.260.970).
De acordo com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o crédito visa atender “a diversas despesas relativas ao combate às consequências derivadas da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul, tanto no aspecto de defesa civil e logística, como também o enfrentamento das consequências sociais e econômicas que prejudicam toda a população e os entes governamentais”.
No total, já foram destinados R$ 62,5 bilhões ao estado, arrasado pelas chuvas, conforme a Presidência da República.
Por Agência Brasil
Brasília
Senador abastece carros da família com verba pública; gasto por mês daria para cruzar 4 vezes o país

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB) manteve perfil discreto desde que assumiu o cargo por ser suplente de Major Olímpio (do antigo PSL), que morreu em 2021 durante a pandemia vítima de Covid-19. Ele tem chamado atenção no meio político, porém, pela prestação de contas com combustíveis e seu périplo por restaurantes caros de São Paulo.
Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que gastos de mais de R$ 336 mil abasteceram carros de Giordano, de seu filho e também de uma empresa da família. Com o combustível em preços atuais, o total seria o suficiente para dar 17 voltas na Terra. A média mensal de gastos com o item, de cerca de R$ 9.000, possibilitaria cruzar o país, em uma linha reta do Oiapoque ao Chuí, quatro vezes por mês.
O senador diz não haver irregularidade nos gastos e que não utiliza toda a verba disponibilizada. Ele ainda justifica o uso de veículos particulares para economia e afirma que o STF (Supremo Tribunal Federal) já arquivou questionamento sobre gasto de combustível. A apuração, porém, não esmiuçava todos os detalhes dos gastos do senador ao longo de três anos.
Os dados no site do Senado apresentam limitações por misturar despesas com locomoção, hospedagem, combustível e alimentação uma minoria de senadores traz um detalhamento ampliado, o que não ocorre nos dados relativos a Giordano. Nessa categoria mais ampla, Giordano tem o sexto maior gasto desde que assumiu, com um total de R$ 515 mil. A reportagem localizou R$ 336 mil em despesas exclusivamente com postos de gasolina por meio da análise do nome dos estabelecimentos, que é de longe o maior entre senadores por São Paulo.
Pelo mesmo recorte, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL), por exemplo, gastou por volta de R$ 10 mil em postos de gasolina e centros automotivos nos últimos três anos. Já Mara Gabrilli (PSD) gastou R$ 26 mil. No caso de Giordano, a maioria das notas está concentrada no Auto Posto Mirante (R$ 183 mil), zona norte da capital paulista, região do escritório político e empresas da família do senador. Outro posto, o Irmãos Miguel consta de reembolsos que somam por volta de R$ 122 mil. O estabelecimento fica na cidade de Morungaba, de menos de 14 mil habitantes, no interior de São Paulo.
O lugar abriga o Hotel Fazenda São Silvano, do qual Giordano é dono. O senador não detalhou por qual motivo concentra tamanho gasto em combustível na cidade. A Folha de S.Paulo também encontrou gastos em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Todas registradas em finais de semana, quatro notas, totalizam gastos de R$ 1.200 no Auto Posto Ipiranguinha, que fica na rodovia Oswaldo Cruz a reportagem localizou ação judicial do ano passado que cita um imóvel do filho de Giordano, Lucca, em condomínio a cerca de 2 km do local.
Em um dos domingos em Ubatuba, em janeiro de 2023, também foi registrado um gasto R$ 255 com um pedido de um abadejo para dois. Na época desse gasto, o Senado estava em recesso. A reportagem encontrou diversos gastos com refeições aos finais de semana, mesmo durante a pausa do Legislativo. As despesas do senador com alimentação chamam a atenção pela predileção por restaurantes caros, conforme foi revelado pelo Metrópoles.
Em março, há uma nota fiscal de R$ 681 da churrascaria Varanda Grill, na região da Faria Lima, que incluiu dois carrés de cordeiro por R$ 194 cada. Em 2022, o ressarcimento foi de R$ 810 na churrascaria Rodeio, em Cerqueira Cesar, com direito a uma picanha para dois no valor de R$ 385. A lista traz locais como Fogo de Chão, Outback, Jardim Di Napoli e Almanara.
A exigência não vai apenas para os pratos. Uma nota fiscal do restaurante Cervantes traz R$ 144 apenas em seis unidades de água, das marcas premium San Pellegrino e Panna. Em 2018, Giordano declarou R$ 1,5 milhão em bens à Justiça Eleitoral. Desafeto de Ricardo Nunes (MDB), Giordano levou para Guilherme Boulos (PSOL) seu apoio, mas também um histórico de polêmicas na política.
O caso mais ruidoso veio à tona em 2019, quando Giordano foi personagem de uma crise política no Paraguai envolvendo a usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Segundo as investigações, o então suplente usou o nome da família Bolsonaro para se credenciar na negociação da compra de energia. Ele nega ter falado em nome do governo ou do clã Bolsonaro.
SENADOR DIZ QUE USA CARROS PARTICULARES PARA ECONOMIZAR
O senador Giordano afirma que os os gastos já foram analisados pelo Senado, pela Procuradoria Geral da República e pelo STF, sendo que os dois últimos arquivaram procedimento preliminar “por entenderem que não há qualquer ilegalidade nos apontamentos realizados”.
O MPF havia pedido à corte que intimasse o senador após apurar gasto de R$ 3,9 mil em gasolina e diesel em um só dia. O arquivamento aconteceu após explicação de que esse tipo de gasto se referia a 15 dias ou mais, e não a uma única visita.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aceitou o argumento e ressaltou que os gastos não ultrapassam o limite mensal de R$ 15.000 para este tipo de item. Giordano diz que cota parlamentar contempla também de sua assessoria quando em atividade e afirma que “utiliza e disponibiliza para seus assessores, quando em apoio à atividade parlamentar, os veículos que possui”. Ele afirmou ainda que assessores utilizam, se necessário, os próprios veículos para deslocamentos no âmbito da atividade também.
A resposta aconteceu após a reportagem enviar quatro placas de veículos à assessoria de Giordano, no nome dele, do filho e de empresa da família, que constavam das notas. Ele justifica o uso dos automóveis para “evitar a ampliação do uso da verba de gabinete com aluguéis de veículos” e que os gastos nos postos citados ocorrem por questões logísticas. “Vale ressaltar que este parlamentar não utiliza toda a verba disponibilizada, tendo mensalmente sobras acumuladas”, afirma, em nota.
O senador ainda afirmou que atividade parlamentar não se restringe a dias úteis, “estando o parlamentar em contato constante com sua base para atender às demandas postas”. Giordano também afirmou que os gastos com alimentação ocorrem no exercício de atividades parlamentares e que as refeições mencionadas estão ligadas ao cumprimento do mandato, estando em conformidade com a lei.
A reportagem localizou recibos com placas de veículos em nome do filho do senador, Lucca Giordano, de empresa da família e do próprio parlamentar as notas citam o senador como cliente. A maioria dos comprovantes, porém, não especifica o carro abastecido.
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