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Bolsonaro em prisão domiciliar aproxima Michelle e Tarcísio e aliados tentam reverter candidatura presidencial

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CAROLINA LINHARES E CATIA SEABRA
SÃO PAULO, SP, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) veem na atuação dele junto com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) uma chance de fortalecer a candidatura presidencial do governador de São Paulo.

Embora o ex-presidente tenha indicado o filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu representante na eleição deste ano, um grupo próximo ao governador acredita que a situação ainda pode mudar.

Na quinta-feira (15), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, transferiu Bolsonaro para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Papudinha, o que foi visto como uma vitória pelos bolsonaristas. Eles frisam que o objetivo final é conseguir a prisão domiciliar.

O ex-presidente estava em prisão domiciliar até novembro, quando tentou tirar a tornozeleira eletrônica e foi levado para uma sala na Superintendência da Polícia Federal.

A mudança para a Papudinha, próxima ao complexo da Papuda, ocorreu poucas horas depois que Michelle Bolsonaro se reuniu com Moraes. Ela e Tarcísio também falaram com outros ministros para tentar conseguir a prisão domiciliar para Bolsonaro.

Fontes do STF comentaram que a conversa de Michelle com ao menos um ministro foi positiva, e que ela apresentou um documento detalhado com informações importantes sobre a saúde de Bolsonaro.

Chamou atenção a forma respeitosa com que ela se comportou e a qualidade do memorial apresentado, que detalha a situação do ex-presidente.

Mesmo que Moraes resista em liberar a prisão domiciliar, aliados de Tarcísio acreditam que outros ministros podem pressioná-lo a mudar de ideia.

De acordo com bolsonaristas próximos a Tarcísio, esse esforço faz parte da estratégia para convencer Bolsonaro a desistir da candidatura do filho Flávio e apoiar a candidatura do governador, que é visto por parte do centrão e mercado financeiro como mais forte para enfrentar Lula (PT).

Interlocutores de Tarcísio e Michelle negam que haja interesses eleitorais diretos no movimento, dizendo que a preocupação principal é a saúde debilitada de Bolsonaro, que sofreu uma queda e bateu a cabeça enquanto estava preso na PF.

Por outro lado, defensores da candidatura de Flávio Bolsonaro afirmam que nem mesmo a prisão domiciliar faria Bolsonaro desistir do apoio ao filho e que a candidatura do senador é firme.

Aliados de Flávio dizem que a estratégia de Tarcísio pode ser prejudicial, dando a entender que está conspirando contra a escolha do ex-presidente.

Um líder do centrão declarou que a candidatura de Flávio Bolsonaro está consolidada e que ligar a prisão com a candidatura é teoria conspiratória, mas outro dirigente acredita que o cenário ainda pode mudar.

Bolsonaristas apontam que Michelle Bolsonaro prefere a candidatura de Tarcísio e lembram que ela compartilhou em redes sociais um post da esposa do governador sobre um novo CEO para o país. A aproximação entre eles indicaria que Michelle poderia ser candidata a vice na chapa de Tarcísio.

Para muitos políticos, o público bolsonarista pode associar a melhora nas condições da prisão de Bolsonaro — que agora tem cela maior e mais estruturada — à atuação dos dois, especialmente de Michelle Bolsonaro.

O pastor Silas Malafaia saudou a ação da dupla em rede social, afirmando: “Parabéns a Michelle e Tarcísio! Souberam articular para tirar Bolsonaro da PF para um lugar melhor. Certas vitórias se conquistam por etapas”.

Perfis de apoio a Tarcísio destacam a dupla nas redes sociais

Na sexta-feira (16), Michelle Bolsonaro publicou em suas redes sociais que a saúde de Bolsonaro exige que ele fique em casa, sendo cuidado pela família. Ela também negou que estivesse fazendo pressão política ao visitar Moraes.

Ela afirmou: “Para mim, a família está acima de qualquer narrativa, acima de qualquer conveniência política. Peço que não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou criar rótulos políticos”.

Outro filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PL), que teve desentendimentos com a madrasta, insinuou nas redes que há uma disputa de poder com o ex-presidente.

Ele escreveu: “Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro. O verdadeiro objetivo, ainda que disfarçado, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro“.

Aliados de Tarcísio que apoiam sua candidatura dizem que a atuação para a prisão domiciliar não é uma troca eleitoral. A expectativa é que tanto o governador quanto Michelle ganhem mais prestígio que Flávio com o ex-presidente, o que poderia levar a uma mudança de posição sobre a eleição.

O empresário Filipe Sabará, ligado a Flávio Bolsonaro, afirmou que há uma tentativa de tirar o senador da disputa.

Ele destacou: “De um lado, uma carta, escrita de próprio punho por Jair Bolsonaro, líder da direita, com uma missão para seu filho mais velho. Do outro, uma manobra por grupos de interesse, usando a luta legítima da esposa desesperada pelo alívio do marido, para enfraquecer a candidatura de Flávio Bolsonaro usando o governador Tarcísio“.

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