Saúde
Bebês prematuros: ensaio fotográfico aproxima pais e filhos que chegaram antes do tempo
Nove meses para se transformar no bebê que conhecerá o mundo pela primeira vez. Nem sempre esse é o tempo que dura uma gravidez. E quando a criança chega antes do esperado, o nascimento vem acompanhado de uma série de riscos. O número de semanas ideais não fazem mais parte do plano e os abraços contínuos entre mãe e filho precisam esperar.

É assim para as mães e seus 23 bebês prematuros internados nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) e de Cuidados Intermediários Neonatais (Ucin) do Hospital Regional de Sobradinho (HRS). A apreensão diária, contudo, foi dissipada pelo tempo de um ensaio fotográfico, no qual a distância provocada pela internação deu lugar ao toque e ao amor.
Na tarde de terça-feira (7), as lentes da fotógrafa Andreza Lopes registrou o início das boas lembranças entre os nenéns e suas famílias. Com a temática “Lutando Contra a Prematuridade”, o HRS dá continuidade às ações do Novembro Roxo, mês de eventos ligados à prematuridade. Mães e bebês ganharam, respectivamente, maquiagem e fantasias. Cada neném recebeu um kit com roupinhas e letras confeccionadas pela própria equipe do hospital.
O objetivo da atividade é, principalmente, oferecer às mães um momento de proximidade e recordação. “Esse é um cuidado importante com as mulheres e seus bebês assistidos por nós. Toda a equipe da Utin e da Ucin do hospital se empenha para criar boas lembranças, mesmo que no período da internação”, diz a coordenadora de Enfermagem da Utin do HRS, Valquíria Vicente da Cunha Barbosa.

Novembro é o mês internacional de conscientização sobre a prematuridade. O intuito é chamar a atenção para o aumento do número de partos prematuros, como evitá-los e informar sobre as consequências do nascimento antecipado tanto ao bebê, quanto à sua família e à sociedade.
Tradição em fotos
Os bebês da Unidade Neonatal (Uneo) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) também foram modelos por um dia, no final de outubro. O fundo do mar enfeitou os sorrisos clicados pelos fotógrafos Alessandra Moraes Oliveira Nardes, Marcos Bontempo dos Santos e Ricardo Khalil Lamia.
Desde 2016, a Uneo HRC faz o ensaio e a exposição das fotos em alusão ao mês da prematuridade. “É um momento que enche de orgulho todos os envolvidos. Tem muito amor e emoção. As mães, a equipe e os fotógrafos voluntários se unem para celebrar os pequenos guerreiros, que lutam bravamente para sobreviver”, relata a supervisora de Enfermagem da Uneo HRC, Raíssa Alves de Sousa.

Neste ano, o tema foi “Um Mergulho na Unidade Neonatal do HRC”. Segundo a supervisora, a ação é um convite para se aprofundar no universo da prematuridade, conhecer os desafios, as lutas, as incertezas diante da nova vida e as vitórias dessas famílias.
Paloma Gonçalves é mãe do pequeno Isac de Jesus, um dos bebês da UTI Neo do HRC, e ficou emocionada durante as fotos com o filho. “Esses registros ficarão guardados para sempre. Toda vez que olharmos, vamos lembrar do que passamos e ver que deu tudo certo no final”, diz. “Aproveito para agradecer todo o cuidado da equipe do hospital com os bebezinhos prematuros e o carinho que eles têm, inclusive, com as famílias”, finaliza.
Psicóloga da Uneo do HRC, Denise Percílio destaca a importância do acolhimento à “família prematura”, que nasce junto ao bebê. “Nós, da equipe, precisamos entender esse bebê e a sua família. Estar na neonatologia não é algo mecânico.”

Novembro Roxo
Em 2023, a campanha global do Novembro Roxo traz o lema “Pequenas ações, grande impacto: contato pele a pele imediato para todos os bebês, em todos os lugares.” A cor roxa simboliza a sensibilidade e individualidade, que são características típicas dos bebês prematuros.
Para celebrar o mês, diversas unidades da rede do DF planejam ações entre as famílias e os bebês. O foco será, entre outros, proporcionar momentos de leveza, descontração e suporte principalmente às mães que “vivem” nos hospitais. Além dos ensaios fotográficos, terão atividades como bingo, artesanato, cinema, rodas de conversas e música.

Segue abaixo a programação:
Hospital Regional de Sobradinho (HRS)
08/11 – 16h – Importância do contato pele a pele (somente para os profissionais)
09/11 – 14h – Bingo com as mães
14/11 – 15h – Oficina de artesanato
17/11 – 15h – Sessão solene com a direção, servidores e mães
24/11 – 9h30 – Conversa de mãe para mãe
Hospital da Região Leste (HRL)
08/11 – Projeto Música nas Incubadoras
21/11 – 10h – Café da manhã com painel sobre o Novembro Roxo, o papel da equipe multidisciplinar e relatos de mães de prematuros
Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib)
14/11 – 8h – Sessão de cinema, rodas de conversa e distribuição de kits na Ucin Canguru
16/11 – Ensaio fotográfico para mães e bebês prematuros
Hospital Regional de Ceilândia (HRC)
17/11 – 8h – Café da manhã em homenagem às famílias de prematuros
Hospital Regional de Santa Maria (HRSM)
17/11:
8h30 – Abertura
9h – Parto prematuro, causas e como prevenir
9h40 – Intervalo
10h – Medidas neuroprotetoras, ambiência
10h40 – Manuseio Mínimo
11h20 – Medicamentos mais usados na prematuridade
12h a 13h30 – Almoço
13h40 – Aspectos do desenvolvimento motor e respiratório
14h20 – Pele a pele e a promoção do aleitamento materno
15h – Atuação fonoaudiológica em prematuros
15h40 – Cuidados paliativos neonatais
16h20 – Quando o bebe chega antes: aspectos psicológicos da prematuridade
17h – Encerramento
Notícias
Anvisa bloqueia venda ilegal de insulina e tirzepatida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A medida foi oficializada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União.
Segundo comunicado da Anvisa, a empresa distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir a devida Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE), em descumprimento às normas sanitárias vigentes.
Uma inspeção da vigilância sanitária de Petrópolis (RJ) realizada no início de setembro revelou que a empresa não opera no endereço registrado e que não possui licença sanitária naquele local.
A Agência Brasil tentou contato com a Costa Mar Comércio Licitatório Ltda., sem sucesso até a data de publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Peptídeos
A resolução também interditou a venda de diversos peptídeos sem registro, comercializados por meio do site indicado pela Anvisa.
Peptídeos são moléculas produzidas pelo corpo humano que desempenham diversas funções, podendo atuar como hormônios ou na regulação de processos biológicos, como cicatrização e resposta imunológica.
Recentemente, um hormônio peptídeo específico ganhou destaque: o glucagon-1 (GLP-1), produzido naturalmente pelo organismo e responsável pelo controle da saciedade e dos níveis de açúcar no sangue.
Duas substâncias que imitam o efeito do GLP-1 surgiram como tratamentos para diabetes e obesidade: a tirzepatida e a semaglutida, popularmente chamadas de canetas para emagrecimento.
Conforme a Anvisa, os produtos vendidos no site mencionado, sem registro, estão proibidos de serem comercializados, fabricados, distribuídos, promovidos, transportados ou utilizados. A restrição vale para pessoas físicas, jurídicas e meios de comunicação.
A proibição alcança também peptídeos sem notificação ou cadastro na Anvisa, fabricados por empresas desconhecidas e disponíveis no mercado online.
Lista de produtos proibidos para apreensão:
- BPC157 & TB500 40 mg – Alluvi Healthcare
- NAD+ 1000 mg – Synedica Labs
- Tirzegen 60 mg Tirzepatida – Oxygen Pharm
- Retagen 40 mg Retatrutide – Oxygen Pharm
- Glow GHK-CU 70 mg – Alluvi Healthcare
- Retatrutide 40 mg – Alluvi Healthcare
Recolhimento de medicamentos
A Anvisa também determinou a suspensão da venda, distribuição e uso do lote JNYJ1201 do antibiótico Imaavy – 300 mg, após comunicação da empresa Janssen – Cilag Farmacêutica sobre um recolhimento voluntário do produto.
Segundo a fabricante, existe a possibilidade de presença de partículas de vidro nos frascos deste lote.
Além disso, a agência ordenou o recolhimento do lote 0000207107 do medicamento Lizbi – 2 mg/ml, produzido pela Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A..
Foi constatada uma falha na qualidade relacionada à perda de esterilidade da solução, decorrente da integridade comprometida da embalagem primária.
A Agência Brasil entrou em contato com a Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A. e aguarda uma resposta.
Notícias
Nobel de Medicina 2026 promete avanços no estudo do cérebro
Karl Deisseroth, pesquisador dos Estados Unidos que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, é um psiquiatra, neurocientista e engenheiro de bioprocessos com mais de vinte anos dedicados a desvendar os segredos do cérebro.
Este professor da Universidade de Stanford falou à AFP sobre o Nobel concedido na segunda-feira (5) por sua pesquisa em optogenética — uma técnica que combina luz e genética — compartilhado com os cientistas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.
O grupo foi premiado “pela descoberta de um interruptor molecular para as células nervosas”, declarou o Comitê do Nobel.
Qual é o diferencial do método?
“Este é um objetivo buscado há muito tempo pela neurociência, pois o cérebro é extremamente complexo, com bilhões de células lado a lado desempenhando funções muito distintas”, explicou Deisseroth à AFP.
“Precisávamos de uma maneira de identificar essas células, controlar uma sem afetar as outras. A solução encontrada foi usar algo que normalmente elas não respondem: a luz, e tornar apenas algumas células sensíveis à luz”.
“Assim, temos uma forma eficaz de ser específico.”
Como essa descoberta impacta a psiquiatria?
Com a luz, os cientistas podem ativar ou desativar circuitos neurais específicos no cérebro. Também identificaram circuitos que controlam memórias, emoções e comportamentos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
“Ao contrário da maioria das áreas médicas, a psiquiatria não tem um modelo claro das diferenças biológicas”, disse Deisseroth.
“Na cardiologia, por exemplo, podemos analisar a insuficiência cardíaca como uma falha na bomba que é o coração, quantificando seu desempenho.”
“No cérebro, não temos essa medida objetiva. Isso sempre foi um desafio na psiquiatria, mas a optogenética ajuda a determinar quais células estão superativas ou subativas, guiando os tratamentos de forma mais precisa.”
Há possibilidades de tratamentos?
“Ao identificar as células envolvidas, podemos testar medicamentos mais eficazes e reduzir as incertezas nos ensaios clínicos”, falou Deisseroth.
“Isso é muito promissor. Já há grandes estudos clínicos avançando para fases finais, focados em tratamentos baseados na optogenética para autismo e esquizofrenia, com resultados animadores.”
Quais seriam os benefícios para os pacientes?
“Por exemplo, no autismo, os tratamentos atuais para irritabilidade — comportamento agressivo e descontrole — são antipsicóticos fortes, que causam efeitos colaterais como ganho de peso e sedação, mas ainda são usados devido à falta de opções.”
“Agora, estão sendo testados medicamentos não antipsicóticos para essa condição, que são totalmente diferentes.”
Deisseroth também comentou sobre a doença de Parkinson.
“O Parkinson envolve a morte dos neurônios dopaminérgicos, que influenciam várias funções como movimento, motivação, vômito e lactação.”
“Os medicamentos atuais afetam todos esses sistemas, criando problemas. Com a optogenética, esperamos desenvolver tratamentos que atuem especificamente no movimento, principal sintoma da doença.”
Qual o impacto para a neurotecnologia?
“As interfaces cérebro-computador hoje usam principalmente eletricidade para captar e estimular a atividade cerebral.”
“Os métodos ópticos poderiam oferecer uma nova forma de comunicação, usando luz em vez de eletricidade. Porém, essa aplicação ainda está distante e precisará de mais desenvolvimento.”
Notícias
Anvisa autoriza novo remédio para tratar doença de Fabry
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Fabry. O remédio Elfabrio, que é o nome comercial da alfapegunigalsidase, é indicado para adultos que necessitam de terapia de reposição enzimática (TRE) por um longo período.
Essa doença rara é genética e lisossômica, causada pela falta da enzima α-galactosidase A, o que provoca o acúmulo da substância globotriaosilceramida (Gb3) em vários órgãos e tecidos do corpo.
Entre os sintomas da doença de Fabry estão problemas renais, doenças cardíacas, distúrbios cerebrovasculares, neuropatia periférica, perda de sensibilidade, problemas auditivos, lesões características na pele chamadas angioqueratomas, e sintomas gastrointestinais como diarreia e dores abdominais.
Elfabrio age substituindo a enzima que falta no organismo, a alfagalactosidase, ajudando a quebrar essa substância acumulada e facilitando sua eliminação. Isso contribui para evitar o avanço dos danos cardíacos e da insuficiência renal. O medicamento é fornecido em frascos de 10 ml em forma de solução estéril para diluição e é administrado através de infusão intravenosa, conforme explicou a Anvisa.
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