Brasília
Companhias compensam a falta de teatro na cidade criando o próprio espaço
Grupos brasilienses investem em espaços culturais para reunir e levar ao público a produção criativa da cidade
Estabelecer novos espaços de criação na cidade e fortalecer o encontro entre artistas e moradores. São esses alguns dos principais objetivos de espaços culturais independentes de Brasília. A falta de grandes teatros e de iniciativas públicas não intimida grupos brasilienses empenhados na circulação da produção criativa do Distrito Federal. Espaços como a Casa dos 4, o Coletivo Janela e o Escambo se consolidam como importantes meios de expansão artística local. O objetivo é movimentar criativamente a cidade e seus ocupantes.
Para garantir a manutenção e sustentabilidade do espaço, a Casa dos 4, na Asa Norte, conta com fontes de renda diversificadas. As oficinas permanentes de teatro adulto e infantil, as aulas temporárias conduzidas por diferentes artistas da cidade, a área de coworking artístico, o espaço para ensaios e as apresentações de espetáculo dão conta da programação. Quem comanda as produções é o ator e jornalista Morillo Carvalho, ao lado de Alexandre Ribondi, Luísa Marillac e Elisa Mattos.
Morillo lembra que é nos espaços independentes que a experimentação fica mais livre para acontecer e a cadeia produtiva se oxigena e se renova com essa dinâmica. “É a cara do nosso teatro desde os primórdios: um teatro artesanal e que cria, dia após dia, a própria identidade — e identidade, sabemos, tem tudo a ver com as condições em que a obra começa e se desenvolve”, destaca o ator.
O espaço se torna vivo pela riqueza e variedade de seus frequentadores. Ensaios, oficinas e apresentações se misturam no local, que abriga pequenas exposições e está criando também uma biblioteca de artes. “A conquista de público constante e a falta de incentivo permanecem como desafios árduos. Mas somos uma cidade pulsante e criativa. Nos apoiamos e sobrevivemos”, lembra Morillo. A Casa promove ainda exibições de filmes seguidos de debates.
Novos caminhos
O Coletivo Janela inaugurou em 2018 movimentado espaço na quadra 205, na Asa Norte. Reunindo diferentes grupos da cidade, com estéticas e gêneros diversos, a iniciativa pretende tornar o local um eficiente ponto de encontro e criação para o teatro na capital. O coletivo é a união dos grupos: Liquidificador, S.A.I, Novos Candangos e Estúdio Janela. Apresentações, ensaios e atividades de formação estão dentro da proposta.
A principal força que impulsionou a criação do local foi a necessidade coletiva de um espaço eficiente para realizar ensaios, aulas e criações. Com a diminuição das alternativas culturais em Brasília, muitos grupos se encontram sem lugar para dar vazão às ideias criativas.
“Com toda certeza, a diminuição de espaços afeta a produção cultural da cidade, são muitos lugares fechados que eram importantes pontos de formação e realização. Por isso, a necessidade de criar espaços alternativos para que a produção continue”, destaca a atriz e produtora Nina Albuquerque, uma das integrantes do coletivo. O espaço se mantém com a contribuição financeira dos próprios grupos que o formam.
“Brasília, apesar de ser uma cidade setorizada, tem vivido um momento em que se mescla a convivência com atividades diferentes das já especificadas para aquele setor”, destaca a atriz. Sendo assim, a multiplicação de espaços culturais se encaixa perfeitamente com as necessidades da população de diferentes regiões do DF em seu momento atual.
Para ela, além da movimentação independente, uma importante solução para profissionalizar a cultura do DF seria a abertura dos espaços que se encontram fechados e a manutenção dos locais que estão em funcionamento, com uma estrutura planejada e eficaz. Um mercado cultural em movimento gera capital financeiro para a própria cidade em para a indústria criativa e, quando funcionando a pleno vapor, colabora com a identificação cultural de seus moradores.
É importante lembrar que não só o Plano Piloto tem criado espaços independentes. Diferentes regiões administrativas investem em polos culturais e fazem fluir suas produções. Locais conhecidos como a Casa Frida, em São Sebastião, e o Espaço Imaginário Cultural, em Samambaia, movimentam a cultura para além das linhas planejadas do Plano. O mais recente deles é o Escambo, em Sobradinho.
Fora do plano
O espaço cultural Escambo surgiu da vontade de ter um porto seguro para os trabalhos da companhia teatral e inicia seus trabalhos em 2018. A partir dessa vontade, o grupo criou a sede que promete movimentar a cena da região com teatro, dança, exposições, aulas de línguas e espetáculos. A atriz e professora de teatro Letícia Souza conta que a ideia é expandir a produção artística por meio do envolvimento com outras linguagens, possibilitando que um público maior e mais diverso tenha acesso às produções.
Para ela, o fechamento de importantes espaços de cultura do DF se reflete diretamente na produção local, que busca viabilizar seu crescimento com alternativas próprias. “A manutenção desses lugares deveria ser prioridade, bem como uma programação rica para a população. Isso se complementa aos espaços independentes, ampliando o acesso”, destaca Letícia. Enquanto isso, o Escambo pretende se firmar como ponto de encontro artístico em Sobradinho.
Os novos espaços culturais da cidade confirmam uma tendência multicultural que se desenvolve em Brasília, onde seus artistas aprendem a produzir e administrar as próprias criações e construir os espaços de que precisam. A característica colabora para a diversidade produtora de cada grupo, mas lembra o fato de que a cidade ainda tem muito o que aprender na profissionalização da produção artística. Enquanto isso, as iniciativas independentes ocupam novos espaços e expandem a criação para além dos modelos tradicionais.
Motoristas que passaram pelo local estranharam a fumaça preta que sai das torres, que se trata, na verdade, de uma simulação de incêndio

Fumaça no Congresso assusta brasilienses – (crédito: Redes sociais)
Uma fumaça no Congresso Nacional assustou os brasilienses nesta sexta-feira (21/6). Quem passou pelo local, observou uma fumaça preta saindo pelas torres do órgão e se preocupou. Vídeos gravados pelos moradores da capital mostram o momento, confira:
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A fumaça se trata, na verdade, de um procedimento para exercício de enfrentamento de emergência, realizado pela Seção de Prevenção e Combate contra Incêndios do Departamento de Polícia Legislativa (Seprin/Depol) no Anexo I.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBM-DF) confirmou que a fumaça se trata da simulação.
A data da simulação não foi incialmente anunciada e terá duração de aproximadamente duas horas. A energia do edifício foi desligada e não é autorizada movimentação de veículos no estacionamento até o término da ação.
Brasília
Governo federal libera mais R$ 1,8 bilhão para ações de apoio ao RS
Crédito extraordinário foi autorizado por meio de medida provisória

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para não perder a validade.
A maior parte do montante irá para ações da Defesa Civil e o Auxílio Reconstrução, somando mais de R$ 1,4 bilhão. Os recursos autorizados hoje poderão também ser usados para volta das atividades de universidades e institutos federais, assistência jurídica gratuita, serviços de conectividade, fiscalização ambiental, aquisição de equipamentos para conselhos tutelares e atuação das polícias Federal, Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública.
No último dia 11, o governo federal já havia destinado R$ 12,1 bilhões, também por MP, ao estado, para abrigos, reposição de medicamentos, recuperação de rodovias e outros.
>> Veja como será distribuição do crédito extraordinário de R$ 1,8 bilhão:
– Retomada de atividades das universidades e institutos federais (R$ 22.626.909)
– Fortalecimento da assistência jurídica integral e gratuita (R$ 13.831.693)
– Suporte aos serviços de emergência e conectividade (R$ 27.861.384)
– Ações de fiscalização e emergência ambiental (R$ 26.000.000)
– Aquisição de equipamentos para Conselhos Tutelares (R$ 1.000.000)
– Ações da Defesa Civil (R$ 269.710.000)
– Auxílio Reconstrução (R$ 1.226.115.000)
– Ações integradas das Polícias Federal, Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública (R$ 51.260.970).
De acordo com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o crédito visa atender “a diversas despesas relativas ao combate às consequências derivadas da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul, tanto no aspecto de defesa civil e logística, como também o enfrentamento das consequências sociais e econômicas que prejudicam toda a população e os entes governamentais”.
No total, já foram destinados R$ 62,5 bilhões ao estado, arrasado pelas chuvas, conforme a Presidência da República.
Por Agência Brasil
Brasília
Senador abastece carros da família com verba pública; gasto por mês daria para cruzar 4 vezes o país

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB) manteve perfil discreto desde que assumiu o cargo por ser suplente de Major Olímpio (do antigo PSL), que morreu em 2021 durante a pandemia vítima de Covid-19. Ele tem chamado atenção no meio político, porém, pela prestação de contas com combustíveis e seu périplo por restaurantes caros de São Paulo.
Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que gastos de mais de R$ 336 mil abasteceram carros de Giordano, de seu filho e também de uma empresa da família. Com o combustível em preços atuais, o total seria o suficiente para dar 17 voltas na Terra. A média mensal de gastos com o item, de cerca de R$ 9.000, possibilitaria cruzar o país, em uma linha reta do Oiapoque ao Chuí, quatro vezes por mês.
O senador diz não haver irregularidade nos gastos e que não utiliza toda a verba disponibilizada. Ele ainda justifica o uso de veículos particulares para economia e afirma que o STF (Supremo Tribunal Federal) já arquivou questionamento sobre gasto de combustível. A apuração, porém, não esmiuçava todos os detalhes dos gastos do senador ao longo de três anos.
Os dados no site do Senado apresentam limitações por misturar despesas com locomoção, hospedagem, combustível e alimentação uma minoria de senadores traz um detalhamento ampliado, o que não ocorre nos dados relativos a Giordano. Nessa categoria mais ampla, Giordano tem o sexto maior gasto desde que assumiu, com um total de R$ 515 mil. A reportagem localizou R$ 336 mil em despesas exclusivamente com postos de gasolina por meio da análise do nome dos estabelecimentos, que é de longe o maior entre senadores por São Paulo.
Pelo mesmo recorte, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL), por exemplo, gastou por volta de R$ 10 mil em postos de gasolina e centros automotivos nos últimos três anos. Já Mara Gabrilli (PSD) gastou R$ 26 mil. No caso de Giordano, a maioria das notas está concentrada no Auto Posto Mirante (R$ 183 mil), zona norte da capital paulista, região do escritório político e empresas da família do senador. Outro posto, o Irmãos Miguel consta de reembolsos que somam por volta de R$ 122 mil. O estabelecimento fica na cidade de Morungaba, de menos de 14 mil habitantes, no interior de São Paulo.
O lugar abriga o Hotel Fazenda São Silvano, do qual Giordano é dono. O senador não detalhou por qual motivo concentra tamanho gasto em combustível na cidade. A Folha de S.Paulo também encontrou gastos em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Todas registradas em finais de semana, quatro notas, totalizam gastos de R$ 1.200 no Auto Posto Ipiranguinha, que fica na rodovia Oswaldo Cruz a reportagem localizou ação judicial do ano passado que cita um imóvel do filho de Giordano, Lucca, em condomínio a cerca de 2 km do local.
Em um dos domingos em Ubatuba, em janeiro de 2023, também foi registrado um gasto R$ 255 com um pedido de um abadejo para dois. Na época desse gasto, o Senado estava em recesso. A reportagem encontrou diversos gastos com refeições aos finais de semana, mesmo durante a pausa do Legislativo. As despesas do senador com alimentação chamam a atenção pela predileção por restaurantes caros, conforme foi revelado pelo Metrópoles.
Em março, há uma nota fiscal de R$ 681 da churrascaria Varanda Grill, na região da Faria Lima, que incluiu dois carrés de cordeiro por R$ 194 cada. Em 2022, o ressarcimento foi de R$ 810 na churrascaria Rodeio, em Cerqueira Cesar, com direito a uma picanha para dois no valor de R$ 385. A lista traz locais como Fogo de Chão, Outback, Jardim Di Napoli e Almanara.
A exigência não vai apenas para os pratos. Uma nota fiscal do restaurante Cervantes traz R$ 144 apenas em seis unidades de água, das marcas premium San Pellegrino e Panna. Em 2018, Giordano declarou R$ 1,5 milhão em bens à Justiça Eleitoral. Desafeto de Ricardo Nunes (MDB), Giordano levou para Guilherme Boulos (PSOL) seu apoio, mas também um histórico de polêmicas na política.
O caso mais ruidoso veio à tona em 2019, quando Giordano foi personagem de uma crise política no Paraguai envolvendo a usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Segundo as investigações, o então suplente usou o nome da família Bolsonaro para se credenciar na negociação da compra de energia. Ele nega ter falado em nome do governo ou do clã Bolsonaro.
SENADOR DIZ QUE USA CARROS PARTICULARES PARA ECONOMIZAR
O senador Giordano afirma que os os gastos já foram analisados pelo Senado, pela Procuradoria Geral da República e pelo STF, sendo que os dois últimos arquivaram procedimento preliminar “por entenderem que não há qualquer ilegalidade nos apontamentos realizados”.
O MPF havia pedido à corte que intimasse o senador após apurar gasto de R$ 3,9 mil em gasolina e diesel em um só dia. O arquivamento aconteceu após explicação de que esse tipo de gasto se referia a 15 dias ou mais, e não a uma única visita.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aceitou o argumento e ressaltou que os gastos não ultrapassam o limite mensal de R$ 15.000 para este tipo de item. Giordano diz que cota parlamentar contempla também de sua assessoria quando em atividade e afirma que “utiliza e disponibiliza para seus assessores, quando em apoio à atividade parlamentar, os veículos que possui”. Ele afirmou ainda que assessores utilizam, se necessário, os próprios veículos para deslocamentos no âmbito da atividade também.
A resposta aconteceu após a reportagem enviar quatro placas de veículos à assessoria de Giordano, no nome dele, do filho e de empresa da família, que constavam das notas. Ele justifica o uso dos automóveis para “evitar a ampliação do uso da verba de gabinete com aluguéis de veículos” e que os gastos nos postos citados ocorrem por questões logísticas. “Vale ressaltar que este parlamentar não utiliza toda a verba disponibilizada, tendo mensalmente sobras acumuladas”, afirma, em nota.
O senador ainda afirmou que atividade parlamentar não se restringe a dias úteis, “estando o parlamentar em contato constante com sua base para atender às demandas postas”. Giordano também afirmou que os gastos com alimentação ocorrem no exercício de atividades parlamentares e que as refeições mencionadas estão ligadas ao cumprimento do mandato, estando em conformidade com a lei.
A reportagem localizou recibos com placas de veículos em nome do filho do senador, Lucca Giordano, de empresa da família e do próprio parlamentar as notas citam o senador como cliente. A maioria dos comprovantes, porém, não especifica o carro abastecido.
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