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Aumentam casos de agressão política contra mulheres em mês de luta

Tanto organizações sociais quanto instituições governamentais registraram um crescimento significativo nos casos de agressões políticas de gênero durante o mês em que se celebra o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que esses ataques aumentaram onze vezes entre 2022 e 2026, passando de 15 para 177 processos.

A data, comemorada em 10 de junho, foi criada para lembrar o momento histórico de 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para denunciar o aumento da violência de gênero no país.

No atual cenário eleitoral brasileiro, levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global aponta 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, ocorridas no último domingo (4), o que representa um caso a cada nove horas. Desses, 70 tiveram mulheres como vítimas, equivalendo a 52,2%.

Dos 102 casos envolvendo apenas candidatos, 60 vítimas eram mulheres (58,8%). Apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas, mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência.

Segundo a Central de Atendimento à Mulher, Disque 180, foram registradas 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026.

Mulheres negras e pardas são as mais afetadas. Das denúncias, mais de 53% (842) referem-se a violência contra mulheres dessas etnias, seguidas por 590 (37,72%) denúncias contra mulheres brancas, e 132 (8,44%) contra mulheres de outras raças.

Em setembro, organizações civis entregaram ao TSE diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026, incluindo violência física, verbal, ameaças de morte e estupro.

Caso exemplar

As ameaças de morte e violência sexual contra a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o grave cenário. Ela denunciou receber ataques machistas, racistas e ameaças de estupro durante a campanha. Além disso, seus dados pessoais foram expostos, levando seu partido a contratar segurança armada para protegê-la.

Ana Elisa Santos Silva, 21 anos, foi a deputada federal mais jovem eleita em Minas Gerais e a segunda mais votada no estado, recebendo 524.219 votos.

Ministério da Mulher

A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Participação Política do Ministério da Mulher, Sandra Kennedy, relaciona a violência política contra mulheres a uma realidade mais ampla de misoginia, violência doméstica e feminicídio na sociedade.

“As violências políticas são, no fundo, problemas estruturais que ameaçam a vida e tentam desencorajar a participação política feminina”, afirmou.

Outros exemplos

  • O assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-SP), mulher negra e LGBTQIA+, em março de 2018 no Rio de Janeiro.
  • A deputada estadual de São Paulo Isa Penna (Psol-SP), que foi vítima de importunação sexual pelo deputado Fernando Cury em dezembro de 2020.
  • A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que sofreu ataques machistas de um então deputado federal em 2014.
  • A retirada da escolta armada da deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) em julho de 2026, apesar das ameaças recebidas.
  • As frequentes interrupções das falas das senadoras Simone Tebet e Soraya Thronicke durante sessões do Senado em 2021.

Orientações para denúncias

Mulheres que enfrentam violência política ou que tenham conhecimento de ocorrências podem utilizar diversos canais para denunciar, entre eles:

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito, sigiloso e disponível 24 horas, com atendimento por telefone, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail central180@mulheres.gov.br e videochamada em Libras;
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público;
  • Procuradoria-Geral Eleitoral por meio do Ministério Público Federal;
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • Polícia Federal via canal Comunica PF e delegacias estaduais;
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União para assistência e orientação jurídica.

Em casos de emergência, deve-se ligar imediatamente para a Polícia Militar pelo telefone 190.

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Brasil

Acidente na BR-393 no Rio de Janeiro deixa cinco mortos e nove feridos

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Cinco pessoas perderam a vida na manhã de sábado (10) em um grave acidente registrado às 6h30 no km 252 da rodovia BR-393, localizada em Barra do Piraí, região sul do estado do Rio de Janeiro. Conforme informações do Corpo de Bombeiros, entre as vítimas estão um garoto, um homem e três mulheres.

Nove pessoas tiveram ferimentos leves e foram transportadas para hospitais. Entre elas, uma menina de oito anos e uma mulher foram levadas pelos bombeiros ao Hospital Maria de Nazaré, em Barra do Piraí. Os demais feridos foram encaminhados à Santa Casa, que fica na mesma cidade. Ainda não há detalhes sobre a condição de saúde dos envolvidos.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), um caminhão tombou na via e ainda envolveram-se outros quatro veículos no acidente. A pista ficou totalmente bloqueada, sem previsão para reabertura.

Até as 9h20, as equipes de resgate continuavam trabalhando para retirar duas pessoas presas às ferragens. Às 10h27, o time iniciou a operação para erguer o caminhão tombado.

A polícia civil do Rio foi acionada para realizar a perícia. A investigação está sendo conduzida pela 88ª Delegacia da região.

Outra ocorrência na Baixada

Em outro episódio, uma pessoa morreu e a via ficou parcialmente bloqueada no km 173 da rodovia BR-116, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, segundo informações da PRF.

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Brasil

Ministério Público processa Shell por enchentes e pede R$ 541 milhões

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O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma ação contra a Shell Brasil solicitando mais de R$ 541 milhões devido às enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul, causando a morte de quase 200 pessoas em 2024, conforme documento judicial obtido pela AFP na sexta-feira (9).

As fortes chuvas que caíram no sul do país entre abril e maio de 2024 causaram inundações sem precedentes. Além das 183 vítimas fatais, cerca de 500 mil pessoas ficaram desabrigadas e os prejuízos materiais foram enormes.

O MPF atribui à Shell Brasil responsabilidade proporcional à contribuição de sua controladora nas emissões globais de gases do efeito estufa, estimada em 2% do total histórico mundial.

“É a primeira vez que uma procuradoria nacional processa uma grande empresa petrolífera por uma catástrofe climática”, afirmou Maria Antonia Tigre, do Centro Sabin de Direito sobre Mudanças Climáticas da Universidade Columbia, à AFP.

A Shell Brasil mencionou por e-mail à AFP que ainda não foi oficialmente notificada sobre o processo.

Esta ação do Ministério Público brasileiro simboliza um avanço importante na luta judicial global contra as grandes empresas do setor petrolífero. O Instituto Preservar atua como coautor da ação.

De acordo com o MPF, a ação civil pública busca responsabilizar a empresa pelos danos ambientais, morais e materiais decorrentes do evento climático extremo que atingiu o estado do Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024.

A petroleira precisa responder por sua contribuição histórica e contínua às emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas à exploração, produção e venda de combustíveis fósseis.

Além disso, a Shell enfrenta outra ação judicial no Reino Unido movida por vítimas de um tufão nas Filipinas.

O Ministério Público requer R$ 270,5 milhões para danos ambientais e morais climáticos, além de R$ 270,5 milhões para danos materiais, totalizando cerca de R$ 541 milhões.

Thales Miola, advogado do Instituto Preservar, destacou: “Os custos dos impactos climáticos não podem recair somente sobre a sociedade e sobre os que perderam tudo na tragédia. Os grandes poluidores, que contribuem significativamente para as emissões de gases do efeito estufa e para as mudanças climáticas, devem também ser responsáveis pelos prejuízos que ajudam a causar.”

Nos últimos anos, várias organizações têm promovido processos jurídicos para que grandes poluidores sejam responsabilizados e indenizem as vítimas das mudanças climáticas, conforme a proporção de suas emissões de gases de efeito estufa.

Este princípio foi reafirmado no ano anterior pela Justiça alemã no caso do agricultor peruano Saúl Luciano Lliuya contra a empresa energética alemã RWE. Embora os juízes tenham recusado as indenizações no caso individual de Lliuya, abriram precedente para que outras ações semelhantes possam ser propostas.

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Fumaça de incêndios faz Manaus fechar escolas

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A cidade de Manaus, com 2,3 milhões de habitantes, suspendeu nesta sexta-feira as aulas da rede municipal devido à fumaça proveniente de centenas de incêndios florestais que prejudicaram a qualidade do ar, segundo informou a Prefeitura.

A região amazônica está sofrendo os impactos do fenômeno climático El Niño, que eleva as temperaturas e provoca secas na área. A prefeitura de Manaus associou a piora na qualidade do ar aos 749 focos de incêndio registrados na última quarta-feira no estado do Amazonas.

“Tanto a fumaça quanto o calor realmente causam problemas respiratórios. Dá aquela agonia”, relatou ontem à AFP o servidor público Erlan de Santos, 55 anos.

O fechamento das escolas tem como objetivo proteger a saúde, a segurança e o bem-estar dos estudantes, dos profissionais de educação e de toda a comunidade escolar, destacou a Prefeitura, sem informar uma data para reabertura.

A temperatura chegou a 40°C e as autoridades orientaram que a população evite exercícios ao ar livre.

No mês anterior, Manaus permaneceu por vários dias sob a fumaça dos incêndios. O estado do Amazonas contabilizou 3.700 focos de incêndio em setembro, quase quatro vezes mais que no mesmo mês de 2023, conforme dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O fenômeno El Niño este ano é especialmente intenso, com um pico esperado para dezembro. Proteger a Amazônia é essencial para conter o aquecimento global.

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