Cultura
Céline Dion volta aos palcos com força renovada
Céline Dion, a talentosa cantora canadense, retoma sua carreira após um longo período afastada devido a problemas de saúde, iniciando um novo capítulo de sua vida marcada por desafios, emoções intensas e a devoção inabalável dos fãs.
Em 12 de abril, a artista de 58 anos apresenta seu primeiro show entre os 16 programados na Plenitude Arena, uma vasta área para eventos localizada nos arredores de Paris. Além disso, há outros dez espetáculos previstos para maio.
A intérprete esteve longe dos palcos por mais de seis anos, desde que teve que suspender a turnê iniciada em 2019, impactada inicialmente pela pandemia e posteriormente por questões médicas.
Desde 2022, Céline Dion enfrenta a síndrome da pessoa rígida, uma doença neurológica sem cura que provoca rigidez muscular e espasmos dolorosos.
Mesmo com esses desafios, a cantora surpreendeu o mundo ao se apresentar na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em julho de 2024, cantando o clássico “Hymne à l’amour” de Édith Piaf, com a Torre Eiffel como cenário.
Por causa de sua condição de saúde, Céline, cinco vezes ganhadora do Grammy e com cerca de 260 milhões de discos vendidos mundialmente, teve que adiar seu retorno, inicialmente previsto para 2025.
“Sinto-me ótima, minha saúde está boa… estou forte, canto bastante e até danço um pouco”, declarou ela em março, nas redes sociais, ao anunciar suas apresentações em Paris.
O sucesso de Titanic
Céline Dion superou momentos difíceis com muita coragem e determinação.
O ano de 2016 foi particularmente doloroso pela perda de René Angélil, seu mentor, marido e pai de seus três filhos, o homem que acreditou em seu talento quando ela ainda era uma criança na pequena cidade de Charlemagne, próxima a Montreal, no Canadá francófono.
Nascida em 1968, a caçula de uma família grande e humilde de 14 filhos, Céline revelou desde cedo seu dom para a música.
Com 12 anos, sua mãe, carinhosamente chamada de “Mama Dion”, enviou uma fita cassete para Angélil, um agente artístico.
“Quando ouvi aquela voz, jamais tinha escutado algo igual. Para mim, é a voz mais bela do mundo”, disse Angélil no futuro.
Para financiar o primeiro álbum da cantora, ele hipotecou sua casa, dando início a uma carreira brilhante digna de um conto de fadas.
Já adulta, sua história de amor com René, que era 26 anos mais velho, foi alvo de grande repercussão pública e da mídia. Casaram-se em 1994 numa cerimônia elegante na Basílica de Notre-Dame, em Montreal, transmitida ao vivo pela televisão.
Três anos depois, o mundo se encantou com “My Heart Will Go On”, da trilha sonora do filme Titanic, de James Cameron. A canção se tornou o maior êxito de sua carreira.
A relação especial que Céline mantém com a França começou ainda em 1983, quando participou de um popular programa de televisão no país.
“Ela chegará longe. Guardem esse nome”, profetizou o apresentador Michel Drucker.
O álbum que gravou em 1995 com o renomado artista francês Jean-Jacques Goldman, intitulado “D’eux” e que inclui a música “Pour que tu m’aimes encore”, é até hoje o disco em francês mais vendido no mundo, com cerca de 10 milhões de cópias comercializadas.
Céline Dion expressou a esperança de que seu legado continue vivo: “Tenho fé de que minhas músicas serão sempre ouvidas e cantadas mesmo após minha partida”, declarou em um documentário lançado em 2025.
Cultura
Leilão dos pertences de Brigitte Bardot arrecada mais de 5 milhões de reais na França
Um leilão com 285 itens pessoais de Brigitte Bardot arrecadou 953.531 euros (aproximadamente R$ 5,5 milhões) em Paris nesta segunda-feira. O valor final superou em quase 20 vezes a estimativa inicial de cerca de 50 mil euros, conforme informou a casa de leilões Millon. Cerca de três mil pessoas, da França e do exterior, registraram-se para participar da venda.
Entre os objetos estavam chapéus de palha, óculos, camisolas e outros artigos que pertenciam às duas residências da atriz em Saint-Tropez, no sudeste francês, e ao seu apartamento em Paris. Os recursos arrecadados serão destinados à Fundação Brigitte Bardot e a Nicolas-Jacques Charrier, seu único filho.
O leiloeiro Alexandre Millon comentou: «Brigitte Bardot foi, mais uma vez, uma incrível alquimista: transformou uma estimativa de 50.000 euros em quase um milhão, incluindo despesas.»
As coleiras para os cães da atriz tiveram valor muito acima do esperado. Avaliadas inicialmente em 30 euros, foram arrematadas por uma compradora russa por 9,4 mil euros.
Também foi vendido um autorretrato da atriz por quase 40 mil euros. Um conjunto com três bichos de pelúcia, representando filhotes de foca — símbolo da relação de Brigitte Bardot com a causa animal — alcançou cerca de 2,2 mil euros.
«Esta venda é uma continuação natural daquela que ela organizou em 1987 com seus objetos mais valiosos para fundar sua instituição. A luta dela persiste por meio desses leilões», disse Ghyslaine Calmels, diretora geral da Fundação Bardot, ao término do evento.
O último marido da atriz, Bernard d’Ormale, criticou o leilão dois dias antes da realização, considerando-o «escandaloso».
Ele declarou: «São artigos pessoais, por que realizar essa venda? Para os animais? Parece uma piada… É uma falta de respeito à memória de Brigitte».
Apesar disso, a fundação desmentiu suas afirmações e informou que a venda foi autorizada em junho, inclusive com a aprovação de d’Ormale, que na época presidia o conselho administrativo da instituição.
Cultura
Escritora Maria Carolina Morais apresenta coleção de contos Boi Morto
Uma celebração de aniversário. Tempestade e alagamentos. Veículos, detritos e árvores levadas pelas águas. No meio desse cenário, um boi que parece morto, mas com os olhos abertos, como se ainda estivesse vivo.
Esta é a premissa do livro Boi Morto (Cepe), escrito pela escritora Maria Carolina Morais. Esta é a segunda obra da autora e a primeira lançada pela editora pernambucana. O livro contém seis contos que descrevem situações comuns, porém de maneira invulgar.
O cenário de destruição e o boi entre os objetos arrastados pela enxurrada criam uma tensão entre a experiência pessoal e a paisagem em decadência, que permeia toda a atmosfera da obra, que será lançada neste sábado (26), às 14h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), localizada no Derby.
Contos independentes e interligados
Organizado por vozes femininas, o livro apresenta histórias autônomas mas com conexões sutis entre personagens que reaparecem e se deslocam ao longo dos textos.
“Essas narrativas de Maria Carolina Morais, construídas com independência e delicada coesão, revelam uma voz sólida em um livro profundo e surpreendente”, destaca o editor da Cepe, Diogo Guedes.
Segundo ele, a autora desenvolve uma prosa com moderação, que destaca as facetas trágicas e cômicas do cotidiano.
Experiência pessoal da autora
Maria Carolina enfatiza que as mulheres centrais das histórias refletem suas próprias experiências.
A escritora comenta que essas personagens são pessoas que ela encontrou e que, de alguma forma, ressoam dentro dela. O protagonismo feminino não foi um plano prévio, mas sim algo que surgiu naturalmente durante o processo criativo.
“Acredito ser uma expressão corporal de uma vivência que consegui externalizar”, explica.
Sobre o livro
Com 184 páginas, os primeiros textos de Boi Morto começaram a ser escritos em 2020, durante a pandemia da Covid-19.
Em 2023, os últimos contos foram finalizados.
Os contos se passam também no Recife, mencionando locais reais como a Rua Padre Lemos, em Casa Amarela, e a Praça Fleming, na Jaqueira.
Em meio a enchentes, relações familiares, violência e recordações, o livro retrata uma cidade íntima e estranha, onde os personagens buscam soluções para suas vidas.
Sobre a autora
Maria Carolina Morais é escritora, tradutora, pesquisadora e professora. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui pós-graduação pela PUC-SP.
Além disso, é mestre e doutoranda em Teoria da Literatura pela UFPE.
Informações do lançamento
O lançamento do livro acontecerá no sábado (26), às 14h, na Fundaj (Derby), localizada na Rua Henrique Dias, 609.
O exemplar estará à venda por R$ 70 no evento.
Cultura
Como nasce um perfume? Perfumista Veronica Kato explica o processo criativo
Anualmente, no dia 21 de setembro, comemoramos o Dia do Perfumista. Este profissional, também chamado de “nez” (que significa nariz em francês), possui uma habilidade única para identificar diferentes notas aromáticas. Ele é o responsável por criar as fragrâncias diversas que tornam uma marca ou pessoa reconhecível pelo cheiro.
Quantas vezes você já associou uma lembrança a um aroma particular? O perfume é mais que um simples produto; é uma marca sensorial.
Conversamos exclusivamente com Veronica Kato, a perfumista chefe da Natura há 20 anos, que é a mente por trás das fragrâncias da empresa durante essas duas décadas. Aqui estão algumas curiosidades sobre sua profissão e sobre a criação dos cerca de 40 aromas lançados por ano pela grande empresa de perfumaria brasileira.
Kato é formada em farmácia bioquímica e destaca que a criação de um perfume pode partir tanto das qualidades das matérias-primas quanto da intenção de despertar sensações específicas.
Ela também ressalta que a Natura foi a primeira empresa brasileira a usar a ‘oud’, uma madeira rara árabe, que está muito em alta na perfumaria mundial desde cerca de 2017.
Início do processo de criação
“A inspiração geralmente vem de um conceito ou tema que queremos transmitir na nova fragrância. Às vezes, esse impulso nasce de um ingrediente. Por exemplo, recentemente combinamos ingredientes da Amazônia com os do Nordeste, misturando baunilha amazônica, brasileira e de Madagascar.”
Tendências na perfumaria
“Observamos a tendência gourmet, onde a baunilha é protagonista, misturando notas doces com salgadas, além do uso crescente de diferentes castanhas, como pistache e castanhas brasileiras.
Também há o retorno das flores, mas de maneira mais abstrata e criativa. Criamos perfumes que misturam, por exemplo, gardênia brasileira, jasmim da Índia, peônia dos EUA, flor do mel do México e paramela da Patagônia, uma combinação bastante inusitada.”
Criando fragrâncias para despertar emoções
“Sim, criamos fragrâncias pensando em provocar emoções específicas. Este ano, lançamos três perfumes da marca Humor chamados Amor Mood Booster, que querem estimular sentimentos como ânimo, confiança e boas energias. Usamos ingredientes cítricos como mexerica, bergamota, grapefruit, limão, além de rosa e notas amadeiradas.”
Testes das essências
“Fazemos testes às cegas em São Paulo e Pernambuco, utilizando um aparelho que capta a sensação imediata do usuário assim que ele sente o perfume, sem que ele tenha tempo de pensar muito. A primeira impressão é sempre a mais verdadeira.”
Dica da perfumista
Evite esfregar os pulsos ao aplicar o perfume, pois isso pode quebrar as moléculas da fragrância e alterar sua alquimia cuidadosamente planejada.
O que é preciso para ser perfumista
“O perfumista é treinado para memorizar milhares de aromas e acordes olfativos. Mesmo quando o olfato não está perfeito, ele consegue trabalhar por causa da experiência. No aprendizado, o perfumista estuda os clássicos e investiga as sensações que cada ingrediente pode transmitir, como notas florais, amadeiradas e frutadas.”
A evolução do perfume no corpo
“O perfume muda ao longo do dia no contato com a pele, pois suas notas aparecem em três fases: saída, corpo e fundo. É um processo de alquimia olfativa que evolui com o tempo.”
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