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Brasil

Buzzi nega assédio citando problemas de saúde

Em uma decisão sem precedentes, o ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi punido nesta quinta-feira (6) por assédio sexual contra uma jovem de 18 anos e uma ex-assessora.

Uma das defensoras de Buzzi, Maria Fernanda Saad Ávila, pontuou inconsistências nos relatos das testemunhas de acusação. A defesa também argumentou que o ministro enfrenta dificuldades para se locomover e sofre de disfunção erétil, o que inviabilizaria a prática dos abusos.

Os ministros do STJ decidiram, por ampla maioria, pelo afastamento e perda do cargo de Buzzi. Ele já estava afastado cautelarmente há seis meses e foi submetido a processo administrativo disciplinar.

As queixas contra o ministro vieram de uma ex-funcionária de seu gabinete, que relatou toques e insinuações, e de uma jovem que afirmou ter sido importunada sexualmente.

O incidente teria ocorrido durante o recesso, quando Buzzi recebeu amigos em sua casa de praia em Balneário Camboriú (SC). A filha do casal, que se referia a ele como tio, relatou que o ministro tentou agarrá-la à força no mar.

Dificuldades para se locomover

Em entrevista, Maria Fernanda afirmou que o ministro tem limitações motoras e precisa de ajuda para se movimentar no mar. “Ele faz uso de bengala e palmilha por causa da diferença no comprimento das pernas. Na praia, ele não usava esses auxílios, e a própria jovem que fez a denúncia descreveu que em outras ocasiões ajudou o ministro a entrar no mar por suas dificuldades”, explicou a advogada.

Problema de saúde

Outro ponto usado pela defesa para rebater as acusações foi a condição de disfunção erétil sofrida por Buzzi. A defesa apresentou um laudo urológico para contestar a alegação de que uma das vítimas teria sentido o ministro com ereção.

Interesses na corte

Em abril, a defesa negou as denúncias e acusou a mãe de uma das denunciantes, que é advogada, de ter interesses em processos no STJ. Os advogados afirmaram que as alegações carecem de provas concretas e destacaram que as denúncias foram feitas por alguém com supostos interesses diretos em decisões do tribunal.

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Brasil

Queda histórica no desmatamento da Amazônia

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A Amazônia Legal apresentou no último ano o nível mais baixo de desmatamento da década, confirmando a tendência positiva observada desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (7).

Entre agosto de 2025 e julho do presente ano, foram desmatados apenas 2.874 km² na maior floresta tropical do mundo, representando uma redução de quase 37% em comparação ao mesmo intervalo anterior, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora a região via satélite desde 2016. No período anterior, o desmatamento somou aproximadamente 4.500 km².

Lula, candidato à reeleição em outubro, comprometeu-se a acabar com o desmatamento ilegal até 2030. ‘Os números indicam que, se mantivermos o ritmo atual com seriedade e investimento adequado, podemos alcançar essa meta’, afirmou durante a apresentação dos dados em São Paulo.

Durante o governo do antecessor, ex-presidente Jair Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu significativamente, atingindo um pico de 12.500 km² em agosto de 2022. Em agosto de 2025, essa cifra já havia sido reduzida para 5.100 km², menos da metade do valor anterior.

‘Neste país, tratamos a questão climática com grande responsabilidade, pois não negamos a realidade. Estamos testemunhando os efeitos das mudanças climáticas’, declarou Lula nesta sexta-feira, referindo-se aos eventos climáticos extremos.

O presidente busca apresentar um resultado ambiental positivo a poucos meses das eleições, visando assegurar um quarto mandato. Pesquisas recentes indicam uma leve liderança de Lula em um possível segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.

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Brasil

OAB/DF apresenta instrumento para identificar níveis de violência contra a mulher

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A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) lançou na sexta-feira (7) o Violentômetro Jurídico, um recurso que funciona como um guia para entender os diferentes graus de violência que mulheres podem sofrer.

O lançamento ocorreu durante o seminário “20 anos da Lei Maria da Penha: Inovações Legislativas, Desafios e Novos Horizontes”, evento realizado no mesmo dia em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou vinte anos.

O material detalha três fases da violência contra a mulher: “Fique Atenta”, “Proteja-se” e “Fuja”.

Para cada fase, são descritas as formas de agressão e os sentimentos que a vítima geralmente experimenta.

Começa com sinais de violência psicológica e moral, como humilhação em público, controle sobre o vestuário e redes sociais, passando por dano patrimonial e chantagem emocional ou sexual.

No estágio mais grave, encontram-se agressões físicas diretas, abuso sexual, ameaças com armas e tentativas de homicídio.

Segundo a diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, que apresentou o Violentômetro, esta iniciativa representa um avanço na proteção às mulheres no Distrito Federal.

“O Violentômetro Jurídico serve para nomear atitudes que muitas mulheres ainda não reconhecem como violência. Ele demonstra claramente que a agressão não começa com o tapa. Já inicia na humilhação, no controle e na mentira. Reconhecendo estes primeiros sinais, a mulher pode procurar ajuda antes que a situação piore. É uma ferramenta de prevenção e, sobretudo, de fortalecimento”, explicou Nildete.

Durante o evento, a OAB-DF recebeu o selo “Nós Por Elas”, concedido pelo instituto com o mesmo nome.

Essa certificação reconhece a ordem como uma instituição dedicada a promover ambientes mais seguros, inclusivos e justos para as mulheres, especialmente aquelas que enfrentam violência doméstica e familiar.

Feminicídios no Brasil e Distrito Federal

Em 2025, o Brasil registrou 1.571 casos de feminicídio, o maior índice desde 2015. No Distrito Federal, foram contabilizados 29 casos.

A representante do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Cláudia Braga Núñez, destacou que o elevado número no DF se deve a um protocolo da Polícia Civil que investiga todos os homicídios contra mulheres com enfoque de gênero.

“Enquanto a média nacional de classificação como feminicídio é em torno de 40%, aqui, esse número chega a 60%. Isso mostra que nossas instituições estão atentas e que há menos subnotificação, o que evidencia uma atuação integrada e eficaz”, afirmou a promotora de Justiça.

20 anos da Lei Maria da Penha

A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, ressaltou que, duas décadas após a sanção da Lei Maria da Penha, é fundamental discutir as atualizações legais e avançar para garantir proteção real às vítimas.

“A Lei Maria da Penha é considerada uma das melhores do mundo, mas ainda enfrentamos um número elevado de casos de violência contra mulheres, mesmo após 20 anos da sua promulgação”, admitiu a advogada.

Isabelle defende que a educação da população é a melhor forma de enfrentar essa questão.

“Há um problema estrutural — o machismo e o patriarcado — que continuam a oprimir as mulheres”, explicou.

A advogada destaca que a instrução também é chave para que as mulheres reconheçam seus direitos e saibam identificar situações de agressão.

Ela também ressaltou o fortalecimento do suporte oferecido pelas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs), Patrulhas Maria da Penha e equipes multidisciplinares que incluem psicólogos e assistentes sociais, além da atuação conjunta da OAB com essas entidades e do suporte da Casa da Mulher Brasileira.

Onde buscar auxílio

Mulheres que enfrentam violência ou desejam ajudar podem obter informações na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. Esse serviço orienta sobre direitos e indica localidades próximas, como delegacias especializadas, centros de referência, defensorias públicas e unidades de saúde. Também recebe e direciona denúncias aos órgãos responsáveis.

A vítima pode registrar ocorrência e pedir medidas protetivas em qualquer delegacia de polícia.

Em casos de urgência, deve-se ligar para o 190, número da Polícia Militar do Distrito Federal.

A Patrulha Maria da Penha é uma iniciativa das polícias militares em várias regiões que acompanha mulheres com medidas protetivas, realizando visitas regulares, oferecendo orientações e fiscalizando as ordens judiciais.

Atualmente, o Brasil possui 13 Casas da Mulher Brasileira, espaços que concentram diversos serviços especializados para atender mulheres em situação de violência, evitando que elas precisem procurar ajuda em múltiplos locais.

Além disso, o Ministério das Mulheres contabiliza outras 38 Casas da Mulher Brasileira em processo de construção ou contratação por governos estaduais e municipais.

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Brasil

Pais participam menos da criação dos filhos, revela estudo

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Metade dos brasileiros acredita que os pais atualmente estão menos envolvidos na criação dos filhos do que nas gerações anteriores. Entretanto, oito em cada dez brasileiros consideram a presença dos pais muito importante na vida dos filhos.

Instituto Nexus conduziu o estudo entrevistando 2.013 pessoas de várias regiões do Brasil. A pesquisa mostrou diferenças de percepção entre homens e mulheres sobre o papel do pai.

Entre as mulheres, 56% acham que os pais estão menos presentes hoje, enquanto 31% pensam que a participação deles aumentou. Entre os homens, 44% acreditam que a presença dos pais é maior e outros 44% acreditam que diminuiu.

Sobre a importância da paternidade, 81% dos homens e 73% das mulheres avaliam como alta ou muito alta para o desenvolvimento dos filhos.

Quanto à faixa etária, 82% dos jovens entre 16 e 24 anos consideram a paternidade importante, percentual que cai para 62% entre pessoas com 60 anos ou mais.

O estudo também analisou o que define um “bom pai”: 49% da população acredita que a principal característica é estar presente diariamente. Em seguida vêm educar com limites (19%), demonstrar afeto (8%), ser exemplo (7%) e garantir segurança financeira (3%).

Mais mulheres (53%) indicam a presença diária como essencial para definir um bom pai, enquanto entre os homens esse índice é 45%. A educação com limites é priorizada por 21% dos homens e 17% das mulheres.

O contato diário entre pai e filho é valorizado especialmente por pessoas entre 16 e 40 anos (55% a 56%). Já os mais velhos consideram a educação como a característica mais importante, com destaque nas faixas de 41 a 49 anos (24%) e 60 anos ou mais (26%).

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, comenta: “O brasileiro já compreendeu que ser um bom pai significa estar presente diariamente, e não apenas prover financeiramente. O desafio está em transformar essa ideia em prática.” Ele acrescenta: “O fato de metade da população perceber os pais de hoje como menos presentes que no passado mostra que a fala mudou antes do comportamento nas famílias.”

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