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Líder da UE quer ação conjunta para reforçar fronteiras após crise em Ceuta

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, solicitou nesta segunda-feira (3) uma atuação conjunta dos países europeus para aprimorar o controle nas fronteiras externas da União Europeia após a crise migratória em Ceuta e as tensões diplomáticas envolvendo várias nações do bloco.

Em carta endereçada ao presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, von der Leyen enfatizou que o acontecimento evidenciou a importância de reforçar as fronteiras nos pontos vulneráveis.

Entre as providências em estudo, destacou a necessidade de intensificar a vigilância e, quando indispensável, implementar barreiras físicas para restringir o acesso irregular.

O líder do governo espanhol ressaltou, entretanto, que a proteção das fronteiras externas da UE é uma responsabilidade compartilhada entre os 27 Estados-membros.

A chegada em grande número de migrantes a Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, gerou um debate acalorado dentro da União Europeia.

Alguns países, como Itália e Dinamarca, sugeriram até a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, que garante a livre circulação entre a maioria dos países europeus. A Espanha considerou essa posição egoísta e solicitou uma reunião dos ministros do Interior da UE, marcada para ocorrer virtualmente na terça-feira (4).

O encontro terá como objetivo analisar os acontecimentos em Ceuta e desenvolver uma resposta unificada da Europa diante dos desafios da imigração irregular, afirmou von der Leyen.

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Mais de 170 migrantes salvos ao atravessar o Canal da Mancha

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Barcos da França e do Reino Unido resgataram 173 migrantes nesta terça-feira (4) na costa de Boulogne-sur-Mer, no norte da França, depois que a embarcação onde estavam começou a pegar fogo ao tentar cruzar o Canal da Mancha, informaram autoridades locais.

“Um pequeno barco incendiou-se na fronteira entre as águas francesas e britânicas, fazendo com que as pessoas a bordo pulassem na água”, informou a prefeitura de Pas-de-Calais, acrescentando que, até o momento, não há registro de mortos.

Esta operação foi uma das maiores ações de resgate marítimo desde que começaram as travessias pelo Canal da Mancha em barcos improvisados, em 2018.

Inicialmente, as autoridades marítimas francesas informaram o salvamento de 157 pessoas, mas o número foi atualizado para 173 no final da tarde. Alguns migrantes sofreram queimaduras, arranhões ou contusões, porém nenhum ferimento grave, declarou o responsável pelos serviços de resgate, Thierry Darras.

A embarcação havia partido na segunda-feira de Veules-les-Roses, no departamento de Sena Marítimo (norte), segundo a Prefeitura Marítima do Canal da Mancha e do Mar do Norte (Prémar).

Na noite de segunda-feira, cinco passageiros que precisavam de atendimento foram socorridos e desembarcaram em Boulogne-sur-Mer, declarou a Prémar. Os outros ocupantes recusaram a ajuda oferecida pelas autoridades francesas.

Na manhã de terça, quando o barco se aproximava do Reino Unido, o motor incendiou-se e a condição da embarcação piorou rapidamente, completou a Prémar.

Vários barcos foram mobilizados para o resgate, incluindo embarcações e um bote salva-vidas britânico, informou um porta-voz da guarda costeira do Reino Unido.

Os sobreviventes, envolvidos em mantas vermelhas, desembarcaram em Boulogne-sur-Mer e foram levados a ônibus especiais, conforme testemunhou uma jornalista da AFP.

A associação de apoio a refugiados Utopia 56 afirmou que cerca de 50 mulheres e crianças que estavam a bordo chegaram à tarde a Calais, no norte da França, sem ter acesso a alojamento emergencial.

Este resgate serve como alerta sobre o perigo dessas travessias e a crueldade dos criminosos que trafegam pessoas nessas condições, comentou o secretário de Justiça do Reino Unido, Alex Norris.

Até o momento, pelo menos 15 pessoas perderam a vida nas travessias ilegais pelo Canal da Mancha em 2026, conforme contagem da AFP.

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Ex-guerrilheiros colombianos receiam pelo futuro com De la Espriella no poder

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Derlis Aizama e Daniel Paredes se apaixonaram durante seu tempo na guerrilha e após deixarem as armas, construíram uma vida familiar na Colômbia. Agora, eles se preocupam que esse sonho seja ameaçado com a posse do presidente de extrema direita, Abelardo de la Espriella, marcada para 7 de agosto.

O casal faz parte dos muitos ex-rebeldes que aceitaram recentemente um acordo entre uma dissidência das antigas Farc e o presidente eleito de esquerda, Gustavo Petro, com o objetivo de iniciar a transição para uma vida civil.

Após esse acordo, o país elegeu De la Espriella como presidente. Como advogado, ele prometeu desfazer qualquer negociação com grupos ilegais, pois acredita que a paz

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Crise diária em Cuba exige soluções criativas

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Os cubanos historicamente têm mostrado muita resiliência e criatividade para lidar com as dificuldades, encontrando soluções improváveis, mas essa constante adaptação tem um elevado custo psicológico em meio à maior crise vista na ilha em décadas.

No coração de Centro Habana, Mayumis Núñez passa as noites deitada numa cama improvisada em frente ao antigo edifício onde viveu por muitos anos.

Há três semanas, uma parte do prédio centenário desabou, tornando o local inabitável. Desde então, Mayumis não tem outro lugar para dormir.

Dormir ao ar livre a deixa extremamente cansada, mas o que mais lhe perturba é a incerteza sobre quando essa situação terminará.

“Imagine não conseguir descansar, passar de um dia para o outro sem alívio”, diz Mayumis Núñez, 44 anos.

Cada manhã, ela sobe até o que restou do apartamento para tomar banho — se houver água suficiente apesar dos frequentes apagões —, trocar de roupa e se preparar para o trabalho.

Para muitos cubanos, garantir água, comida, transporte e até uma noite inteira de sono no calor sufocante do verão tem se tornado um desafio diário. Desde que Washington aplicou um bloqueio ao fornecimento de petróleo para Havana em janeiro, as condições de vida se agravaram consideravelmente.

Além das dificuldades materiais, muitas pessoas relatam um sentimento de esgotamento por tentar resolver as situações diárias repetidas vezes, sem energia para pensar no futuro.

Estresse acumulado e esgotamento

No hospital Calixto García, em Havana, onde há anos funciona uma clínica especializada em tratamento de estresse, os médicos têm notado os reflexos da crise nas consultas.

Grupos formados por estudantes, aposentados e profissionais compartilham há meses as mesmas preocupações: apagões frequentes, dinheiro escasso, familiares migrados e planos adiados.

Dentre eles está Claudia Sifredo, estudante de pedagogia de 29 anos, que suspendeu projetos pessoais, como sair da casa dos pais, um sonho hoje difícil de realizar.

“Tudo está confuso… a situação atual traz tanto estresse e incerteza que nem sabemos como encarar o dia a dia”, explica.

Para lidar, ela conta que a terapia tem ajudado a focar no que pode controlar. “Preciso aprender a conviver com esse ambiente que não posso mudar agora.”

Para Tania Peón, diretora de Saúde Mental de Havana, uma grande parte da população vive hoje em estado constante de alerta.

“As pessoas gastam energia tentando resolver necessidades básicas”, explica.

Esse esforço contínuo se torna uma sobrecarga. “É estresse sobre estresse”, destaca.

As famílias tentam encontrar formas de enfrentar a escassez, mas o nível de exaustão é muito alto.

Jovens também têm demonstrado preocupação crescente, fase de vida habitualmente marcada por construção de projetos e expectativas.

“Vimos aumento nos comportamentos suicidas entre adolescentes neste semestre”, alerta Peón, destacando que, embora não seja apenas resultado da crise, está relacionada ao contexto de pressão e incerteza que muitos jovens enfrentam.

Dificuldades e esperança

Na ilha de cerca de 9,4 milhões de habitantes, sinais de deterioração na saúde mental já eram visíveis antes da recente crise energética.

Estudos de 2025 com adultos indicaram níveis severos de depressão, ansiedade e estresse correlacionados diretamente com apagões prolongados.

Leandro Wanton, um guia turístico de 45 anos desempregado após o colapso do setor, admite que a frustração aparece frequentemente.

“Tem dias que acordo com vontade de explodir”, conta.

Ao lado do companheiro Roberto Ronda, chef de cozinha de 49 anos, tenta manter um pequeno negócio de alimentação em Havana Velha, onde os apagões atrapalham horários e estragam alimentos, tornando os dias imprevisíveis.

“Não há paz nem descanso”, afirma Roberto. “A saúde mental vai se desgastando.”

Ele também se mostra inseguro quanto ao futuro: “é incerto, a não ser que ocorram mudanças radicais no país”.

Em Consolación del Sur, na província de Pinar del Río, cerca de 150 km de Havana, o agricultor Fidel Maqueira passa as noites vigiando seus bois para evitar roubos, enquanto enfrenta apagões, falta de água e de recursos para suas plantações, além do aumento dos preços.

“Estamos vivendo tempos muito difíceis. Estamos à beira de perder a cabeça, não há tranquilidade”, afirma.

Para continuar, ele tenta “não pensar demais nos problemas” e resolver as situações com os poucos recursos disponíveis.

Quando anoitece em Havana, Mayumis Núñez volta a se deitar em frente ao prédio parcialmente destruído.

No dia seguinte, ela repetirá a rotina: subir ao que resta do apartamento, se preparar para o trabalho e tentar resolver os problemas da vida cotidiana.

Assim seguirá, dia após dia, buscando uma forma de sobreviver e dar um jeito nas dificuldades que a persistente crise impõe.

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