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Cultura

SBT substitui especial de Zezé Di Camargo por episódio novo de Chaves a pedido do cantor

O SBT optou por trocar o especial musical de Natal com Zezé Di Camargo, que já estava gravado, por um episódio inédito da série mexicana Chaves, para exibição na televisão aberta no Brasil. O programa chamado “É o Amor”, que seria exibido nesta quarta-feira à noite, foi retirado da programação após solicitação do próprio artista. O pedido foi motivado pela presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do STF Alexandre de Moraes durante o lançamento do novo canal jornalístico “SBT News” na última sexta-feira (12).

Este episódio de Chaves tem tema natalino e será apresentado logo após o Programa do Ratinho, por volta das 22h30, conforme anunciado pela emissora. A série, muito popular no SBT desde 1984, ficou fora da grade entre 2020 e 2024 devido a questões relacionadas aos direitos autorais.

Após o evento, Zezé Di Camargo compartilhou um vídeo em suas redes sociais criticando a participação de autoridades e fazendo duras declarações contra a administração atual do SBT, que está sob a direção das filhas de Silvio Santos. Ele expressou que a emissora estaria contrariando os princípios do seu fundador.

“Filho que não honra os pais, para mim, não existe […] Vocês estão, desculpe, se prostituindo”, afirmou o cantor no vídeo divulgado.

Na cerimônia também estavam presentes políticos conservadores, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. Em resposta às críticas, uma das dirigentes do SBT declarou à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que houve desconforto interno com o uso do termo “prostituição” para definir uma companhia gerida por seis mulheres.

Ela ressaltou que Silvio Santos sempre manteve relações institucionais com governantes e autoridades de diferentes posições políticas ao longo da história do canal. O especial gravado também contava com participações de artistas renomados como Alexandre Pires e Paula Fernandes.

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Cultura

Saberes tradicionais chegam à sala de aula: valorização na universidade

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A educação superior no Brasil está prestes a passar por uma transformação significativa. Uma iniciativa conjunta entre instituições de ensino superior, o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Educação (MEC) busca reconhecer o Notório Saber como um meio de integrar mestres e mestras das culturas populares e tradicionais nas universidades, não somente como convidados, mas como professores oficialmente reconhecidos e remunerados.

Essa proposta é liderada pelo Consórcio do Notório Saber, fundado em 2025 e coordenado pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE). Esse grupo reúne universidades e institutos federais para desenvolver uma política nacional nesse sentido.

Em Pernambuco, um dos principais articuladores desse movimento é Adiel Luna, poeta cantador e mamulengueiro, que recebeu o título de Notório Saber pela Universidade de Pernambuco (UPE).

Em diálogo com diversas universidades e mestres de outros estados, Adiel Luna acompanha a montagem da Rede Nacional do Notório Saber e destaca que o debate ultrapassa a mera valorização simbólica.

“O ponto central dessa discussão é a justiça epistêmica. Trata-se de retirar o saber popular do papel de algo meramente folclórico ou exótico, equiparando-o ao conhecimento acadêmico. É reconhecer que esses mestres e mestras realmente têm algo valioso para ensinar e transmitir”, ele declara.

A iniciativa visa quebrar um paradigma que, historicamente, validou somente os conhecimentos gerados no meio acadêmico.

“Esses mestres também realizam pesquisas, atuam no ensino e fazem extensão. Nosso objetivo é que esse conhecimento seja considerado igualmente importante”, explica o professor Aterlane Martins, do IFCE e coordenador-geral do consórcio.

Ele esclarece que a meta é tornar as instituições pluriepistêmicas, ou seja, abrir espaço para diferentes formas de conhecimento e criar condições para que mestres e mestras possam exercer suas funções de forma efetiva nas universidades.

Adiel Luna, mestre de saberes tradicionais, é um dos protagonistas dessas articulações que vêm acontecendo através do Consórcio do Notório Saber.

Além do reconhecimento formal

O Consórcio do Notório Saber está atuando em várias áreas, incluindo a realização de um diagnóstico nacional sobre a utilização do Notório Saber nas universidades, a promoção de experiências conjuntas entre mestres e professores, e a coordenação entre o MinC e o MEC para a criação de uma portaria interministerial com diretrizes nacionais.

Além disso, foi criada a Rede Nacional do Notório Saber, que continuará a fortalecer essa mobilização.

Segundo Aterlane Martins, o reconhecimento formal é apenas uma fase do processo. “Não adianta oferecer um diploma se isso não garantir que esses mestres possam continuar transmitindo seus conhecimentos. Reconhecimento, inclusão e remuneração devem andar juntos”, destaca.

Atualmente, instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) já contratam mestres reconhecidos pelo Notório Saber, enquanto outras os envolvem em projetos de ensino, pesquisa e extensão, com a perspectiva de expandir esse modelo em todo o país.

O aprendizado deve ser mútuo

Em Pernambuco, o mestre artesão carnavalesco Manoelzinho Salustiano, também reconhecido com o título de Notório Saber pela UPE em 2021, demonstra entusiasmo com a iniciativa, mas alerta para a necessidade de respeitar a dinâmica da cultura popular. “A universidade da cultura popular acontece no próprio terreiro da cultura popular”, aponta.

Ele reforça que, antes de inserir mestres nos campi, as instituições precisam estar dispostas a visitar os territórios onde esses conhecimentos são produzidos. “Primeiro, a universidade deveria ir até o mestre; depois, o mestre vai à universidade”, defende.

Manoelzinho observa que o foco deve ser nos mestres mais experientes e lembra que há diferentes formas de atuação. “Alguns mestres podem ministrar uma disciplina completa; outros, uma aula-espetáculo ou palestra. O essencial é que haja respeito e pagamento justo.”

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Cultura

Quando a fala se torna ensino: o caso UFMG e o mestre Gil Amâncio

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A universidade brasileira começa a questionar uma de suas barreiras mais rígidas: quem realmente possui autoridade para ensinar.

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essa transformação teve um marco importante com o artista, pesquisador e mestre da cultura negra Gil Amâncio, que se tornou o primeiro a conquistar o título de Doutor por Notório Saber e garantir uma vaga como professor efetivo.

Esse resultado é fruto de uma política construída ao longo de muitos anos e formalizada pela Resolução Complementar nº 01/2020 da UFMG, que reconhece oficialmente os mestres e mestras de saberes tradicionais.

De acordo com o pró-reitor de Cultura da UFMG, Fernando Mencarelli, essa resolução representa o esforço de aproximar a universidade dos conhecimentos ancestrais. “A inclusão epistêmica destes saberes acontece há bastante tempo e é bastante abrangente dentro da instituição”, destaca.

Para Fernando Mencarelli, a UFMG tornou-se um modelo nacional ao conceder doutorados, não apenas certificações, para os detentores desses saberes.

Da experiência à carreira acadêmica

Com quase cinquenta anos dedicados à arte negra, educação e pesquisa, Gil Amâncio recebeu seu título de Doutor por Notório Saber em 2023. Essa certificação o habilitou a concorrer em condições iguais no concurso para professor de música na Escola de Teatro da UFMG, onde foi aprovado.

Para o mestre, essa mudança representa mais do que uma vitória pessoal. “Uma coisa é oferecer uma oficina e partir. Outra é integrar o cotidiano acadêmico”, afirma.

Ele acredita que a presença constante de mestres tradicionais amplia o repertório dos alunos e quebra um histórico em que “a história da população negra foi contada por mãos brancas”, dando voz aos próprios protagonistas desses saberes.

Uma transformação que ultrapassa Minas Gerais

O modelo adotado em Minas serve de inspiração para instituições que desejam transformar homenagens simbólicas em participação efetiva na vida acadêmica. Na Universidade de Pernambuco (UPE), o reconhecimento por Notório Saber é vigente desde 2020 e já concedeu o título honorífico a 89 mestres.

Segundo o coordenador de Cultura na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC/UPE), Renan Cabral, e a coordenadora do Núcleo de Diversidade e Identidades Sociais (NDIS/UPE), Mariana Valença, o próximo passo é garantir que esse reconhecimento se traduza em participação contínua no ensino, pesquisa e extensão.

Mariana Valença ressalta: “Vejo isso como uma ruptura fundamental para construirmos uma sociedade mais justa e menos desigual.” Renan Cabral complementa: “Esse processo é uma importante redescoberta para a educação”.

Para ambos, iniciativas como o Consórcio do Notório Saber têm potencial para solidificar políticas públicas capazes de redefinir a produção do conhecimento nas universidades brasileiras.

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Cultura

Samantha Morton recupera esperança em Hollywood com papel em A Odisseia

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Após anos consolidando sua carreira no cinema independente, Samantha Morton vive um momento significativo em sua trajetória profissional. Aos 49 anos, a atriz retornou ao centro das atenções ao interpretar a feiticeira Circe no filme A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan. Mais do que um papel importante, a participação no longa trouxe para Samantha uma renovada esperança em sua permanência na indústria cinematográfica de Hollywood.

Reconhecida por duas indicações ao Oscar, a atriz revelou que enfrentou fases instáveis na carreira, chegando a ficar um ano sem novos projetos após concluir as filmagens. Em entrevista ao podcast Happy Sad Confused, Samantha Morton refletiu sobre os desafios da profissão e o impacto positivo que esse sucesso teve em sua vida.

Durante a entrevista, ela contou que o reconhecimento pelo desempenho em A Odisseia renovou sua confiança no futuro.

“Foi um resgate de esperança e fé”, disse a atriz ao ser questionada sobre o significado desse retorno. Ela ressaltou que persistir e continuar entregando bons trabalhos pode abrir portas, mesmo após anos enfrentando obstáculos.

Samantha também compartilhou que ficou aproximadamente um ano afastada da atuação depois de concluir o longa e comentou que, apesar de contar com uma equipe experiente de agentes, a carreira artística ainda é marcada por muitas incertezas.

“Estou com 49 anos e, embora acredite no meu talento, sei que há muitos bons artistas por aí”, afirmou.

A relação com Christopher Nolan

Em entrevista à revista Variety, Samantha Morton revelou que ficou emocionada ao saber do interesse do renomado diretor Christopher Nolan em tê-la no elenco de A Odisseia.

Ela mencionou que sua equipe, que a acompanha desde os 19 anos, trabalhou por décadas para aproximá-la de grandes cineastas, enquanto Samantha consolidava sua carreira majoritariamente no cinema independente.

A atriz recordou ter enfrentado dificuldades financeiras em vários momentos, incluindo períodos em que não sabia se conseguiria pagar a hipoteca ou quando voltaria a atuar.

Samantha também comentou que papéis como o de Circe se tornam mais escassos conforme avança na carreira.

“Continuo atuando bastante, mas principalmente em produções independentes ou séries de televisão”, explicou.

Reconhecimento no set de filmagens

O desempenho da atriz chamou atenção durante as gravações. Conforme relatado por Christopher Nolan, Samantha recebeu uma ovação espontânea do elenco e da equipe após uma de suas cenas, algo que o diretor não presenciava desde a atuação de Heath Ledger como Coringa em O Cavaleiro das Trevas.

Este destaque gerou especulações entre críticos sobre uma possível indicação da atriz ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Efeitos práticos e valorização do trabalho artesanal

Em entrevista à Vanity Fair, Samantha Morton contou que uma das principais cenas envolvendo sua personagem Circe foi realizada inteiramente com efeitos práticos, sem o uso de computação gráfica.

A cena, na qual Circe transforma os homens de Odisseu em porcos, teve seu realismo valorizado pela experiência da atriz como assistente de mágico na juventude, o que a fez admirar ainda mais o trabalho manual envolvido na produção.

Enquanto comemora o sucesso comercial de A Odisseia, que já ultrapassou 912 milhões de dólares em bilheteria mundial, Samantha destaca uma questão frequente em Hollywood: a diminuição das oportunidades para atrizes mais maduras. Nos últimos anos, artistas como Kirsten Dunst e Carrie Coon também falaram abertamente sobre os desafios que enfrentam com o passar da idade na indústria do cinema.

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