Mundo
MSF: Situação dos médicos em Gaza permanece difícil mesmo após trégua
As condições enfrentadas por médicos e pacientes em Gaza permanecem severas apesar de quase dois meses de trégua no território palestino, afirmou o presidente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Israel e o movimento islamista Hamas declararam uma trégua em Gaza em outubro, com intermediação dos Estados Unidos. O acordo prevê a entrada de ajuda humanitária no território devastado por uma guerra de dois anos e ameaçado por uma crise humanitária.
“A situação continua tão difícil como sempre”, declarou à AFP Javid Abdelmoneim, referindo-se à realidade dos profissionais de saúde nos hospitais de Gaza, no domingo (7), durante o Fórum de Doha sobre diplomacia.
“Embora ainda realizemos cirurgias, partos e tratemos ferimentos, isso é feito com recursos e medicamentos inferiores ao padrão, resultando em um atendimento de qualidade menor”, explicou.
Abdelmoneim, que trabalhou como médico em Gaza em 2024, qualificou a trégua como uma espécie de cessar-fogo temporário, destacando que palestinos continuam morrendo diariamente em confrontos com Israel.
Durante a trégua, 376 palestinos faleceram em Gaza, conforme autoridades de saúde locais, além de três soldados israelenses.
“Observamos pacientes feridos nas emergências onde atuamos na Faixa”, acrescentou o presidente da MSF.
Organizações humanitárias pedem a ampliação da ajuda em Gaza, mas Israel tem rejeitado pedidos para liberar a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, para entrada de suprimentos.
Ajuda humanitária utilizada como instrumento político
Abdelmoneim destacou que desde o início da trégua a assistência não atingiu níveis necessários.
“Não houve mudança significativa; a ajuda está sendo utilizada como uma moeda de troca e arma, o que para nós caracteriza um genocídio contínuo”, afirmou.
A MSF indicou que suas equipes têm encontrado evidências de genocídio em Gaza, informação negada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel.
A escassez de suprimentos e a destruição de hospitais dificultam o atendimento médico adequado no território.
“Esses fatores causam maior incidência de infecções, aumento nas internações e riscos elevados de complicações”, ressaltou Abdelmoneim.
Desafios de segurança para profissionais de saúde no Sudão
Adicionalmente, o presidente da MSF alertou sobre a insegurança dos profissionais de saúde no Sudão, onde forças paramilitares tiveram avanços em El Fasher, capital de Darfur do Norte, após um cerco de 18 meses.
Testemunhas relataram graves atrocedior e ataques constantes contra serviços e suprimentos de saúde independente do controle territorial.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou sobre mortes de mais de 460 pacientes e acompanhantes em uma maternidade durante a captura de El Fasher, além do sequestro de seis trabalhadores da saúde.
Abdelmoneim declarou que ambas as partes do conflito devem garantir liberdade, proteção e acesso à ajuda humanitária para população e profissionais da saúde.
As equipes da MSF que recebem deslocados no Sudão e no Chade relatam histórias de violência sexual, perseguição étnica, extorsão e evidências de fome.
A organização apoia a demanda do Conselho de Direitos Humanos da ONU por investigação das violações ocorridas em El Fasher.
Abdelmoneim pediu a todos os Estados membros que apoiem essas investigações para responsabilizar os envolvidos.
Mundo
Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos
A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.
Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.
Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.
Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.
A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.
Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.
Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.
As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.
O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.
Mundo
Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul
Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.
“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.
A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.
Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.
O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.
“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.
Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.
Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.
O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.
No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.
Mundo
Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.
Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.
“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.
As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.
“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.
A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.
Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.
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