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Manifestantes protestam na França após vitória da extrema direita no 1º turno das eleições

Pessoas dispararam foguetes em Paris enquanto marchavam pelas ruas da cidade, passando por bombas de gás lacrimogêneo e latas de lixo em chamas

 

Manifestantes se reúnem na Place de la Republique, para protestar contra o crescente movimento de direita após a vitória do Reunião Nacional no primeiro turno das eleições gerais antecipadas em Paris, França, em 30 de junho de 2024
Mohamad Salaheldin Abdelg Alsayed/Anadolu via Getty Images

 

Dezenas de manifestantes reuniram-se na capital francesa na noite deste domingo (30), após os resultados iniciais do primeiro turno de uma eleição parlamentar que apontou o Reunião Nacional (RN), o partido de extrema direita de Marine Le Pen, como vencedor.

Os manifestantes dispararam foguetes em Paris enquanto marchavam pelas ruas da cidade, passando por bombas de gás lacrimogêneo fumegantes e latas de lixo em chamas.

O RN foi visto ganhando cerca de 34% dos votos, mostraram as pesquisas de saída da Ipsos, Ifop, OpinionWay e Elabe, em um enorme revés para o presidente Emmanuel Macron, que convocou as eleições antecipadas depois que sua chapa foi derrotada pelo RN nas eleições para o Parlamento Europeu no início deste mês.

As chances do RN de ganhar o poder na próxima semana dependerão dos acordos políticos feitos pelos seus rivais nos próximos dias. No passado, partidos de centro-direita e centro-esquerda uniram-se para manter o RN fora do poder, mas essa dinâmica, conhecida como “frente republicana”, é menos certa do que nunca.

(Produzido por Abdul Saboor e Feline Lim)

CNN

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Calor Extremo em Áustria: Nova Temperatura Máxima de 40,8°C Registrada

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A Áustria atingiu uma nova marca histórica ao registrar uma temperatura de 40,8°C na estação de Viena-Stammersdorf, conforme divulgado pelo serviço meteorológico GeoSphere Austria nesta terça-feira (4).

Esse valor ultrapassa o recorde anterior de 40,5°C, que foi medido em 8 de agosto de 2013, na estação de Bad Deutsch-Altenburg, localizada na parte leste do país.

O calor intenso, que especialistas associam às alterações climáticas provocadas pela ação humana, tem provocado o ressecamento das florestas e do solo na Europa, elevando a probabilidade de incêndios florestais.

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Catar culpa Israel por atrasar plano de paz em Gaza

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O Catar, que atua como mediador no conflito entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas, acusou o governo israelense de atrasar a implementação do plano de paz para a região da Faixa de Gaza.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, declarou aos jornalistas que o aumento dos ataques aéreos israelenses nos últimos dias em Gaza é uma tentativa de impedir a aplicação do plano e de bloquear soluções essenciais para o conflito.

O Conselho de Paz liderado por Donald Trump, responsável pela execução da segunda fase do plano de paz em Gaza, assegurou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que as tropas israelenses não se retirariam totalmente do território palestino até que o Hamas esteja completamente desarmado.

Israel manifestou na segunda-feira preocupações em relação a um acordo divulgado pelo presidente dos Estados Unidos e aceito pelo grupo islâmico na sexta-feira, que trata da segunda etapa do plano.

Este acordo relaciona o desarmamento do Hamas com uma retirada gradual dos militares israelenses de Gaza.

O Conselho de Paz afirmou que a retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) além de uma linha delimitada — que marca a divisão entre a área ocupada pelos israelenses, que compreende mais de 60% de Gaza, e o restante do território — não acontecerá enquanto o desarmamento completo não for alcançado, conforme o compromisso do Hamas com os mediadores.

Originalmente, uma versão preliminar do acordo mencionava a retirada total das tropas israelenses, mas essa informação foi revista posteriormente.

Ministros alinhados à extrema direita solicitaram uma votação no governo para rejeitar o acordo, argumentando que ele não corresponde ao que foi planejado inicialmente.

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Especialistas divergem sobre apoio do Marrocos à crise migratória em Ceuta

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Especialistas em relações internacionais apresentam opiniões divergentes sobre o envolvimento do Marrocos na recente crise migratória em Ceuta, cidade espanhola localizada na costa africana, que recebeu mais de 50 mil imigrantes nos últimos dias, resultando em aproximadamente 100 mortes.

O professor de História da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nuno Carlos de Fragoso Vidal, acredita que uma migração em massa para Ceuta não seria possível sem o consentimento do governo marroquino.

Ele comentou à Agência Brasil que o governo espanhol de Pedro Sánchez tem buscado maior proximidade com grupos de esquerda que apoiam a independência do Saara Ocidental, região controlada pelo Marrocos mas reivindicada pela Frente Polisário, grupo apoiado pela vizinha Argélia.

“O rei do Marrocos, Mohammed VI, demonstra insatisfação com esse apoio e teria decidido agir em retaliação. A migração em massa provavelmente contou com o aval das autoridades marroquinas, possivelmente motivada pela Frente Polisário, que recebe o apoio da extrema esquerda europeia”, explicou.

Controle

O especialista em assuntos europeus e ex-senador italiano, o ítalo-brasileiro José Luís Del Roio, avaliou que o governo marroquino mantém controle rigoroso sobre seu território, funcionando como um Estado policial capaz de impedir a movimentação de grandes grupos populacionais.

“Não é crível que deixem 80 mil jovens saírem e não tomem nenhuma providência. Se isso ocorreu, foi por vontade própria. O sistema marroquino é extremamente rigoroso no controle territorial, o que demonstra conivência do governo”, afirmou.

Para Del Roio, a migração em massa foi um evento planejado por forças poderosas, apontando Israel como principal suspeito. “Israel possui capacidade para organizar isso e está irritado com a posição do governo espanhol sobre Gaza e Cisjordânia”, declarou.

Juventude sem esperança

Em contrapartida, o professor de relações internacionais marroquino Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC (UFABC), destacou que não há evidências do envolvimento oficial do Marrocos na crise migratória.

Nadir ressaltou que o governo espanhol reconheceu em 2022 o projeto do Marrocos para o Saara Ocidental, o que teria suavizado as tensões entre os dois países.

Segundo ele, uma das causas da migração relaciona-se com a falta de perspectivas para os jovens marroquinos, refletindo falhas no desenvolvimento que afetam essa parcela da população.

“Nas ruas, percebo descontentamento com o aumento do custo de vida, escassez de oportunidades e dificuldades no acesso à saúde pública. Isso alimenta o sonho de emigrar para a Europa em busca de melhores condições de vida”, disse.

Inteligência espanhola

O jornal espanhol El País apurou que os serviços de inteligência da Espanha concluíram que o Marrocos não planejou o fluxo migratório, mas permitiu a passagem dos jovens em seu território, usando a situação para ganhos políticos.

As autoridades espanholas interpretam a omissão do governo de Rabat como um ato oportunista diante de uma crise já em andamento.

Em 2021, outra onda migratória do Marrocos para Ceuta envolveu mais de 10 mil pessoas, quando a Espanha acusou Rabat de enfraquecer controles fronteiriços para facilitar a imigração.

A crise em Ceuta tem sido usada para defender políticas europeias mais rígidas contra a imigração. O governo de Donald Trump chegou a responsabilizar as políticas da Espanha por facilitar a entrada ilegal em massa.

Ceuta e Melilla

O professor da UFRJ Nuno Carlos de Fragoso Vidal rejeita a ideia de que o rei Mohammed VI seja um instrumento do governo Trump ou de Israel.

Ele observa que a Espanha foi o único país europeu a se opor publicamente à guerra contra o Irã, inclusive fechando seu espaço aéreo para aeronaves militares dos Estados Unidos.

Para Vidal, a anuência marroquina na migração pode estar ligada a disputas territoriais, uma vez que Ceuta e Melilla são enclaves espanhóis em terras africanas reivindicadas pelo Marrocos, áreas estratégicas para o controle do Estreito de Gibraltar.

“Num momento em que o controle dos estreitos torna-se relevante geopolítica e geoestrategicamente, o Marrocos pode estarse aproveitando dessas disputas”, sugeriu Vidal.

Além disso, o reconhecimento do projeto do Marrocos para o Saara Ocidental pela Espanha não pacificou completamente as relações entre Rabat e Madrid.

Segundo o professor, a proximidade do governo de Pedro Sánchez com alas radicais da esquerda espanhola que apoiam o povo saarauí tem alimentado tensões.

A recente visita do primeiro-ministro espanhol à Argélia e um projeto de lei para conceder nacionalidade espanhola a saarauís nascidos durante a ocupação espanhola intensificam os atritos com o Marrocos.

Elogios da Espanha ao Marrocos

O governo espanhol tem valorizado a cooperação do Marrocos na crise, afirmando que, ao contrário de 2021, Rabat tem colaborado para a deportação dos imigrantes irregulares.

O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, declarou à RTVE que Marrocos tem se empenhado em impedir o fluxo de pessoas e garantir seu retorno, relatando que a maioria dos que entraram já voltou ao país.

Ele também acusou grupos internacionais reacionários de incentivarem críticas contra a Espanha nas redes sociais.

José Luís Del Roio destaca que o governo espanhol evita acusar diretamente o Marrocos para não agravar as tensões diplomáticas, dado que depende da colaboração de Rabat.

“Eles conhecem a situação, mas escolhem não aumentar a tensão, pois já existem conflitos com os EUA e Europa. A situação é complicada”, afirmou.

Já o presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesus Vivas, afirmou que Marrocos não é confiável e pediu que a Espanha e Europa exijam respeito às fronteiras do Marrocos.

Posicionamento do Marrocos

No domingo (2), o governo marroquino declarou oficialmente que a crise migratória foi provocada pela circulação de informações falsas.

O porta-voz do ministério do interior, Rachid El Khalfi, afirmou que os eventos não foram circunstanciais ou espontâneos, mas sim fruto da interação de diversos fatores.

Ele destacou a manipulação tendenciosa das redes sociais que disseminou notícias falsas tentando criar a impressão de acesso fácil e sem consequências ao espaço europeu.

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