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Condenada pelo STF, Carla Zambelli diz que deixou o BrasilO

A parlamentar, condenada a 10 anos de prisão, anunciou em um programa no YouTube que vai ficar na Europa por ter cidadania europeia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

 

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (3/6) que deixou o Brasil poucos dias depois de ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão e à perda de mandato por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Eu queria anunciar que estou fora do Brasil. Já faz alguns dias. A princípio, buscando um tratamento médico, é um tratamento que eu já fazia aqui [sem especificar o lugar]. Vou pedir afastamento do cargo”, disse a deputada ao canal AuriVerde, no YouTube.

A parlamentar disse que vai ficar na Europa por ter cidadania europeia e que vai “denunciar a ditadura” que, segundo ela, o Brasil vive. Segundo a deputada, ela vai pedir licença não remunerada, assim como fez o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.

Embora esteja condenada pelo STF, Zambelli poderia viajar para fora do país. O passaporte dela foi liberado pelo Supremo e não há restrições a deslocamentos durante a fase recursal.

“Vou me basear na Europa. Eu tenho cidadania europeia, então estou muito tranquila em relação a isso. Gostaria de deixar bem claro que não é um abandono do país. Não é desistir do país. Muito pelo contrário: é resistir. É voltar a ser a Carla que eu era antes das amarras que essa ditadura nos impôs”, declarou a parlamentar.

“Vou levar isso em todos os países da Europa. Vou denunciar em todas as Cortes que a gente tiver na Europa”, completou.

Condenação ainda é contestada

Apesar de ter a perda de mandato determinada pelo STF, Zambelli não perdeu o cargo automaticamente. A perda da função de deputada só pode ser concretizada pela Câmara dos Deputados. O que já está valendo é a inelegibilidade da parlamentar por oito anos.

Mesmo condenada, a defesa da deputada entrou com recurso contra a decisão, tomada pela Primeira Turma da Corte. No recurso protocolado, os advogados de Zambelli alegam “cerceamento de defesa”, afirmando que não tiveram acesso completo a provas importantes para o caso, como os cerca de 700 GB de dados armazenados na plataforma “mega.io”.

A defesa pede que o STF reconheça esse ponto, conceda acesso integral aos documentos e, com base nisso, absolva a parlamentar. Foi solicitado, ainda, que sejam afastadas outras consequências da condenação, como a perda de mandato.

Condenação por invasão ao CNJ

A condenação mais recente de Zambelli, decidida por unanimidade pela Primeira Turma do STF, refere-se à invasão dos sistemas do CNJ em janeiro de 2023. Conforme a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da ação, que resultou na emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a Polícia Federal, o ataque cibernético foi executado pelo hacker Walter Delgatti Neto, que confessou ter agido sob orientação da deputada. Delgatti afirmou ter recebido um texto redigido por Zambelli para ser inserido no sistema, além de pagamentos que somam ao menos R$ 13,5 mil. A PF aponta que o hacker usou credenciais falsas para acessar os bancos de dados do Judiciário Federal.

A sentença da Suprema Corte prevê ainda a perda do mandato de Zambelli após o trânsito em julgado, ou seja, quando todos os recursos forem esgotados.

Mágoa de Bolsonaro

Em março, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atribuiu sua derrota eleitoral em 2022 a Zambelli, devido ao episódio em que ela perseguiu armada um homem na véspera do segundo turno de 2022.

“Aquela imagem, da forma que foi usada, da Carla Zambelli perseguindo o cara lá… Teve gente que [falou]: ‘O Bolsonaro defende o armamento’. Mesmo quem não votou no Lula [por causa de Zambelli], anulou o voto. A gente perdeu… A gente perdeu. Em São Paulo a gente estava bem [eleitoralmente]. A Carla Zambelli tirou o mandato da gente”, opinou Bolsonaro, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.

A deputada apenas respondeu: “Mais fácil botar a culpa em outra pessoa, quando você sai perdedor de alguma coisa”.

Síndrome rara de Zambelli

No dia 15 de maio, Zambelli disse que não iria sobreviver à pena estipulada pelo STF. Ela disse sofrer com uma série de problemas de saúde, incluindo uma síndrome rara, chamada Ehlers Danlos, que faz com que as partes do corpo saiam do lugar com facilidade, além de problemas cardíacos e depressão.

“Esse problema de saúde meu também tem sido prejudicado por conta de todo esse estresse”, disse a deputada. “Eu estou pegando vários relatórios dos meus médicos e eles são unânimes em dizer que eu não sobreviveria à cadeia. A gente vai apresentar isso num momento oportuno”, acrescentou, na ocasião.

Pedido de doações de Pix

No dia 19 de maio, Carla Zambelli publicou vídeo em suas redes sociais pedindo doações via Pix aos seguidores para, de acordo com ela, custear multas judiciais em processos nos quais foi condenada.

“Essa é uma batalha por todos nós”, escreveu Zambelli. Segundo ela, o pedido de ajuda foi feito com “coração apertado” e “coragem para enfrentar tudo de cabeça erguida”. A deputada afirmou, no vídeo, que não tinha condições de pagar sozinha as multas que lhe foram impostas com a condenação.

 

 

 

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Marinho garante a Fachin que não haverá retaliação no governo Flávio

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O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro para a Presidência, tem uma reunião nesta terça-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O objetivo do encontro é fortalecer o diálogo com a Corte em preparação para um possível governo do candidato do PL.

A principal mensagem que Marinho quer transmitir ao ministro é clara: em caso de vitória de Flávio, não haverá espaço para retaliações, mesmo que seus apoiadores continuem fazendo críticas a membros do tribunal.

O encontro está previsto para as 13h e representa uma continuação de uma iniciativa que Marinho já vinha levando adiante antes do primeiro turno das eleições, quando a possibilidade de vitória ainda era incerta. Desde então, ele tem buscado contato individual com diversos ministros, incluindo Gilmar Mendes, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e o próprio Fachin. Agora, pretende também agendar uma audiência com Cármen Lúcia.

Após o avanço de Flávio para o segundo turno com uma vantagem de dois pontos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o crescimento do PL no Congresso, aliados já debatem como será a relação do futuro governo com os demais Poderes. Nesse processo, Marinho tem assumido um papel importante como interlocutor junto ao Supremo, buscando um canal de comunicação que possa resistir às tensões acumuladas entre o bolsonarismo e a Corte.

Isso não significa, entretanto, que as críticas cessarão. Na segunda-feira, ao ser perguntado sobre a possibilidade de a campanha apoiar o impeachment de ministros do STF, Marinho evitou firmar essa posição, mas responsabilizou parte do tribunal pela atual tensão política.

“É lamentável que o Brasil esteja focado no Supremo Tribunal Federal neste momento, com tantos desafios à frente”, afirmou, destacando que alguns integrantes do tribunal se colocaram no centro das discussões políticas.

Marinho elevou o tom ao criticar ministros que, segundo ele, manifestam opiniões políticas fora dos autos e interferem na Justiça Eleitoral. Na visão do coordenador da campanha, parte do resultado das eleições pode ser interpretada como uma reação dessa postura.

“Estamos vendo um quadro lamentável de ministros que comentam política fora dos processos, demonstrando preferência por um espectro ideológico. Acreditamos que a resposta da sociedade a esse tipo de interferência explica parte do resultado eleitoral”, analisou.

Além disso, o papel de Marinho nessa interlocução está alinhado com suas próprias ambições para o próximo ano. Com a maior bancada na Câmara e crescimento no Senado, o senador é cotado para disputar a presidência da Casa, cargo que terá papel importante na análise de possíveis pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

A promessa que Marinho levará a Fachin não é nova. Durante o período eleitoral, especialmente em 7 de setembro, Flávio já havia descartado a ideia de usar o governo para perseguições, lembrando que o Senado tem a responsabilidade sobre processos de impeachment.

“Jamais usaria a caneta para vingança. O impeachment é decisão do Senado. O Supremo não precisa temer nada. Ele deve respeitar a Constituição. Da minha parte, não haverá retaliação”, afirmou o candidato.

Após a reunião, Marinho seguirá com Flávio para Goiânia, onde encontrarão o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e seu grupo político. Caiado e o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), devem declarar apoio ao candidato do PL.

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Grandes empresas de tecnologia violam regras eleitorais no dia da votação, indica pesquisa

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Redes sociais continuaram a exibir anúncios político-eleitorais e a sugerir conteúdos de candidatos neste domingo (4), data do primeiro turno das eleições de 2026.

O observatório das grandes empresas de tecnologia, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encontrou anúncios irregulares na Meta, no Kwai e no Google, além de recomendações impróprias de vídeos de candidatos no TikTok e YouTube.

Conforme as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é proibida a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet desde 48 horas antes até 24 horas após a eleição.

A regra também exige que as plataformas excluam dos seus sistemas de recomendação os canais e perfis de candidatas e candidatos registrados na Justiça Eleitoral, exceto nos casos previstos em lei.

O monitoramento foi realizado através de buscas manuais e automatizadas, utilizando termos relacionados às candidaturas e eleições, por meio das interfaces das bibliotecas de anúncios das plataformas e via API, uma ferramenta que acessa os bancos de dados oficiais dessas redes.

Meta

O levantamento identificou 568 anúncios veiculados irregularmente nas plataformas da Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp, Messenger e Audience Network) durante o período analisado.

Seis anúncios simulavam comunicações oficiais do TSE, usando nomes e imagens associadas à Justiça Eleitoral, e divulgavam uma falsa possibilidade de votação remota, seja pelo celular ou de casa.

Esses anúncios indicavam o voto digital como serviço oficial e mencionavam problemas de saúde, dificuldades de locomoção e condições climáticas adversas para incentivar o uso do serviço falso. Em alguns casos, os usuários eram direcionados a sites que solicitavam CPF para iniciar a suposta votação.

Kwai e Google

Na plataforma Kwai, o NetLab localizou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e quatro classificados como “em pausa” no repositório da plataforma, sendo que três haviam sido veiculados durante o período proibido, entre 1º e 3 de outubro.

Também foram identificados 45 anúncios cuja data final de exibição foi estendida até o dia da votação, vinculados a dez páginas de candidaturas. Anúncios que deveriam ter encerrado em 3 de outubro continuaram ativos no dia 4.

Apesar disso, o laboratório destacou que não foi possível confirmar totalmente estas irregularidades devido a divergências nos dados fornecidos pelo Kwai.

No Google, foi encontrado um anúncio que havia sido identificado anteriormente em 3 de outubro e permaneceu ativo irregularmente até o dia da votação.

YouTube e TikTok

Além dos anúncios pagos, sistemas de recomendação do TikTok, YouTube e Instagram foram acompanhados para verificar se conteúdos oficiais de candidatos continuavam sendo sugeridos.

Entre 3 e 4 de outubro, o TikTok recomendou 18 vídeos de sete candidatos, e o YouTube, 17 vídeos de seis candidatos. No Instagram, não foram observadas recomendações de vídeos de candidatos.

Transparência insuficiente

O NetLab indicou que algumas limitações das grandes empresas dificultam a fiscalização e responsabilização por eventuais irregularidades.

No caso da Meta, houve divergências entre os dados disponíveis na Biblioteca de Anúncios e aqueles obtidos via ferramentas de programação, com anúncios classificados como “inativos” aparecendo simultaneamente em listas de anúncios ativos.

No Kwai, a divergência de informações entre as fontes foi também constatada. Já Google, LinkedIn e TikTok disponibilizam informações limitadas para o acompanhamento contínuo da propaganda eleitoral.

Resposta das plataformas

Em nota, a Meta afirmou estar empenhada em proteger o processo eleitoral em suas plataformas e em conformidade com a legislação, destacando que o relatório não reflete a amplitude de seu trabalho.

O Kwai indicou que aguarda acesso aos conteúdos para avaliação e ressaltou seu compromisso com a integridade eleitoral, informando que adotou operação especial de moderação durante o período eleitoral, incluindo o silêncio e o dia da votação.

O TikTok reafirmou que proteger a integridade do ambiente digital nas eleições é prioridade, e que atua em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral, informando a remoção de 348.963 vídeos entre junho e setembro de 2026 por violações relacionadas à integridade cívica, eleitoral, desinformação e conteúdos gerados por IA.

O Google ressaltou seu apoio às eleições brasileiras ao conectar as pessoas a informações de qualidade e informou que desde 2024 proíbe anúncios políticos em sua plataforma no Brasil, aplicando suas políticas rigorosamente, explicando que apenas um anúncio foi identificado neste estudo, evidenciando o sucesso na prevenção de abusos.

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Lula vai buscar apoio da governadora Raquel Lyra, diz Marília Arraes

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Marília Arraes, senadora eleita por Pernambuco (PDT), declarou em entrevista na Rádio Jornal nesta terça-feira (6) que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno vai tentar conquistar o apoio de lideranças políticas sem alinhamento com o bolsonarismo, incluindo a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD).

Ela explicou que essa decisão foi tomada em um encontro realizado ontem em Brasília, reunindo o presidente Lula, seus apoiadores e representantes da esquerda, para discutir os rumos da campanha de reeleição.

“São necessários ajustes na comunicação e na articulação política para avançar e buscar o apoio de lideranças que ainda não têm uma postura bolsonarista definida, como a governadora Raquel Lyra, que foi citada na reunião como uma prioridade para esse apoio”, afirmou Marília.

A senadora garantiu apoiar a iniciativa de dialogar com Raquel Lyra em prol da reeleição de Lula, ressaltando que a disputa em Pernambuco já está decidida e o foco deve ser a coalizão nacional.

“Não há espaço para conflitos, é fundamental desmontar divisões. Defendo que os senadores de Pernambuco mantenham diálogo com a governadora para assegurar o apoio dela ao presidente Lula”, complementou.

Marília Arraes acrescentou ter telefonado para Raquel Lyra para parabenizá-la pela vitória e se colocou disponível para colaborar com sua administração.

“Caso a governadora aceite conversar, estarei pronta para esse diálogo. Quero contribuir para o progresso de Pernambuco, independentemente de quem esteja no comando. O candidato que apoiei não venceu, o resultado deve ser respeitado, e precisamos trabalhar juntos”, concluiu.

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