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The Economist recomenda que Lula não busque reeleição em 2026

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A revista britânica The Economist publicou um editorial em que sugere que o presidente Lula (PT) não deveria tentar se reeleger em 2026. Segundo a revista, mesmo com o Brasil mostrando força em suas instituições democráticas, o país merece opções melhores nas próximas eleições.

Em agosto, a revista destacou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o julgamento que o condenou por tentar levar a cabo um golpe de Estado, elogiando a resposta institucional neste caso como um exemplo de maturidade democrática.

O editorial desta terça-feira (30) argumenta que a principal razão para Lula abrir mão da disputa é a idade. Com 80 anos, mais quatro anos no cargo seriam um risco para o país. A publicação cita o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para destacar os desafios políticos e institucionais relacionados a líderes em idade avançada, mesmo reconhecendo que Lula aparenta estar em boa forma física.

A revista também lembra que Lula passou por problemas de saúde recentes, incluindo uma cirurgia cerebral em dezembro de 2024 após uma queda. Caso reeleito, teria 85 anos ao deixar o cargo.

“Apesar do talento político, é muito arriscado para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não protege do declínio da mente”, afirma o editorial.

Outro ponto apontado é o desgaste dos escândalos de corrupção ligados aos primeiros mandatos de Lula, que ainda influenciam o eleitorado. A política econômica do governo também é criticada por ser pouco ambiciosa e focada em programas de ajuda social, apesar de avanços como a reforma para simplificar os impostos.

“Embora a economia tenha crescido rápido, as políticas econômicas de Lula são medianas, focadas principalmente em auxílio aos pobres e com menos incentivos para as empresas, embora tenha agradado os empregadores com a simplificação tributária”.

Apesar das críticas, a revista reconhece que Lula continua favorito por não ter concorrentes fortes na centro-esquerda, e por não ter preparado um sucessor. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a ser considerado, mas não teria apelo eleitoral.

Pesquisa Datafolha de junho mostrou que, embora a maioria dos brasileiros acredite que Lula será candidato, 57% rejeitam a ideia, enquanto 41% a apoiam. Outra pesquisa de dezembro indica que a aprovação do governo está estável, com 32% vendo a gestão como boa ou ótima.

No campo da direita, a revista diz que Bolsonaro ainda tem influência política e tenta passar seu apoio ao filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pouco popular e deve perder para Lula.

A The Economist aponta como alternativa competitiva o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda não confirmou sua candidatura, mas aparece bem nas pesquisas, representando uma opção mais jovem e comprometida institucionalmente.

“O presidente faria um favor ao país e consolidaria seu legado, algo que Biden não fez, se anunciar que vai cumprir sua promessa e se afastar da eleição”, conclui a revista, sugerindo que, se Lula não se retirar, a direita precisará se unir em torno de um candidato capaz de superar a polarização política recente.

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