Brasil
Tenente-Coronel Geraldo Neto nega acusação de feminicídio contra Soldado Gisele Alves em depoimento longo
Geraldo Neto, tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, preso sob suspeita de feminicídio da soldado Gisele Alves, afirmou novamente sua inocência durante uma audiência de mais de oito horas. Ele declarou que pretende demonstrar que a morte foi suicídio, apesar de um novo laudo pericial indicar o contrário.
Gisele Alves foi encontrada morta em 18 de fevereiro em seu apartamento na Barra Funda, São Paulo, onde morava com Geraldo Neto. A perícia apontou que o disparo fatal saiu da arma do tenente-coronel. Desde o início, ele sustenta que a soldado tirou a própria vida, versão refutada por três laudos periciais que descartam o suicídio, afirmando ser inviável que ela tenha se causado a morte.
Peritos contestaram relatos de Geraldo Neto dizendo que, ao ouvir um barulho, saiu do banheiro e encontrou a companheira caída na sala. Uma simulação mostrou que uma árvore de Natal posicionada no ambiente impedia a visão clara do local onde Gisele estava. O tenente-coronel alegou que a árvore já havia sido removida quando saiu do banho e acusou os investigadores de alterar a cena para incriminá-lo. Contudo, imagens das câmeras corporais dos policiais presentes e o relato de um bombeiro que atendeu a ocorrência mostraram a árvore intacta.
O mesmo bombeiro notou que não havia evidências de água no banheiro, contradizendo a alegação de Geraldo Neto de ter saído do banho após o suposto disparo. Ele também fotografou a posição da arma na mão da vítima, apoiada na coxa, o que ele achou suspeito.
Segundo a perícia, a soldado Gisele foi abordada por trás, imobilizada e alvejada a queima-roupa. Marcas no queixo dela são parte das evidências analisadas. Sangue foi encontrado no banheiro, numa toalha e na bermuda do tenente-coronel, que nega a autenticidade dessas provas, alegando que a cena foi alterada por pessoas que entraram no local.