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Tarcísio enfrenta dilema entre reeleição e esperar Flávio Bolsonaro em 2026

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Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, encara o ano eleitoral de 2026 com incertezas sobre seu caminho político. Publicamente, reforça que vai buscar a reeleição no Estado, onde as pesquisas indicam bom desempenho. Nos bastidores, entretanto, membros do Centrão e aliados financeiros consideram que ele pode tentar a presidência para impedir um quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O projeto presidencial de Tarcísio teve altos e baixos em 2025. Antes da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ser anunciada, o plano nacional do governador era visto como quase certo, mais por pressão externa do que por vontade própria. A entrada de Flávio mudou o cenário, tornando a candidatura presidencial de Tarcísio menos provável.

Aliados garantem que Tarcísio não enfrentaria Flávio Bolsonaro diretamente, e este não planeja desistir da disputa. Um membro próximo do governador comentou que a candidatura presidencial dependeria de várias condições difíceis, como a união dos partidos de centro-direita em torno de seu nome e a real chance de vencer Lula. Para Tarcísio, não valeria trocar segurança por incertezas.

Dirigentes e aliados afirmam que Flávio pode desistir se não se fortalecer eleitoralmente, porém ele saiu mais forte após ser indicado por Bolsonaro como sucessor. Pesquisas recentes mostram Flávio liderando entre presidenciáveis de direita, ficando atrás apenas de Lula no primeiro turno. No segundo turno, perde para Lula por dez pontos, mesma diferença de Tarcísio e do governador do Paraná, Ratinho Jr..

Um aliado do Palácio dos Bandeirantes avaliou que a pré-candidatura de Flávio, apesar do momento pouco usual, foi estratégica: tirou do centro da atenção a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o próprio Tarcísio, mantendo Bolsonaro em evidência e fortalecendo Flávio.

Para esse aliado, Flávio saiu maior na disputa e pode usar sua força para concorrer ao Senado ou ao governo do Rio. Se desistir da presidência para uma união da centro-direita, sairá ainda mais fortalecido.

Outra fonte próxima a Tarcísio acredita que a pré-candidatura de Flávio também pressiona Tarcísio a aceitar um vice com o sobrenome Bolsonaro ou a se filiar ao PL, o que ele resiste. Nenhum aliado descarta que Flávio leve a disputa até o fim para manter a direita sob o comando da família e firmar-se como sucessor do pai.

O maior problema para Flávio é sua rejeição alta, maior que a de Lula, limitando seu crescimento. Seu desafio é mostrar-se mais moderado que o pai e irmãos para ganhar apoio da centro-direita. O presidente do PP, Ciro Nogueira, resumiu a estratégia: “Flávio é o Bolsonaro que se vacinou”.

Tarcísio reafirmou apoio a Flávio em evento no Palácio dos Bandeirantes, destacando que o senador busca diálogo com governadores, Congresso, Judiciário e mercado, adotando uma linha econômica similar à de Paulo Guedes. Isso tem sido bem aceito.

Quando questionado se o evento era o lançamento da campanha de reeleição, Tarcísio evitou resposta direta, mas indicou que deve permanecer em São Paulo. “Engraçado, venho falando isso há muito tempo e o pessoal não acreditava”, afirmou.

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