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Sindicatos da Caixa pedem fim da greve e retomada das negociações

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Confederações sindicais que representam empregados da Caixa Econômica Federal estão a favor de voltar a negociar e acabar com a greve antes do julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), previsto para a próxima segunda-feira.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Juvandia Moreira, expressou desapontamento com a decisão da Caixa de recorrer ao dissídio, destacando que isso não ocorria desde 2004.

— Valorizamos o diálogo, fazemos isso há 30 anos e esperamos conseguir um acordo até segunda-feira — afirmou Juvandia.

Associada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Contraf é a principal entidade representativa do setor financeiro no Brasil, englobando 8 federações e 104 sindicatos.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), Lorenço Prado, declarou que a greve já se estende por tempo considerável.

A paralisação nacional teve início em 10 de setembro, embora em alguns estados tenha começado dois dias antes. Ele também defende um acordo antes do julgamento do dissídio. Uma audiência entre as partes está marcada para este sábado. A Contec é vinculada à União Geral dos Trabalhadores (UGT).

— São 18 dias de greve, o movimento já dura bastante. Acreditamos que um acordo é possível — comentou Prado.

Apesar de a greve continuar conforme decisão dos trabalhadores nesta semana, os líderes sindicais não têm expectativas positivas e por isso reforçam a importância do diálogo.

Um dos principais pontos de divergência na negociação com a Caixa é o plano de saúde. Segundo Juvandia, há um déficit estimado em R$ 749 milhões para este ano e a direção do banco tenta transferir boa parte deste custo para os empregados, que rejeitam a proposta.

Ela mencionou ainda que os trabalhadores estão insatisfeitos com algumas medidas implementadas pela direção do banco ao longo do ano, tomadas sem consulta aos sindicatos.

Entre essas ações estão mudanças nas regras de pagamento de bônus por metas e venda de produtos, adoção de atendimento híbrido, tanto presencial quanto digital, com limite de tempo de cinco minutos para resposta ao cliente, além de aumento nas contribuições ao plano de saúde.

A sindicalista acredita que o acordo será possível desde que a Caixa apresente uma proposta melhor para o plano de saúde. Os trabalhadores defendem que o banco arque com 70% dos custos e os empregados com 30%.

Nesta sexta-feira, o ministro Maurício Godinho Delgado, do TST, acatou parcialmente o pedido da Caixa e determinou que a liderança da greve mantenha pelo menos 60% dos funcionários em atividade por agência, seja de forma presencial ou remota.

A multa por descumprimento da decisão foi estabelecida em R$ 100 mil por dia. As confederações já foram notificadas.

Essa medida atende parcialmente à solicitação da empresa, que pedia a manutenção de 80% do pessoal ativo, diante do impacto direto em serviços essenciais, como compensação bancária e pagamento de benefícios sociais.

O ministro rejeitou o pedido para proibir qualquer atividade dos trabalhadores que possa prejudicar o acesso às agências, ressaltando que a legislação exige que a greve ocorra de forma pacífica e que não há evidências de desvios ou abusos no movimento.

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