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Segredo Mantido na Apuração de Flávio Bolsonaro no Caso Dark Horse por Ordem de Mendonça

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar a participação do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, no financiamento do filme “Dark Horse”, que trata do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta investigação permanece confidencial em razão de processos em curso na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República.

A decisão de Mendonça segue a diretriz do presidente do STF, Edson Fachin, que encaminhou o processo para Mendonça ressaltando a importância de manter em sigilo apenas as diligências indispensáveis ao andamento do caso.

A apuração envolve possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Embora a existência da investigação sobre o filme fosse pública, o foco na atuação de Flávio Bolsonaro ganhou destaque com a retirada do sigilo do processo principal. O candidato nega quaisquer irregularidades, afirmando que os fundos empregados foram de origem privada.

A decisão, tomada em julho, só foi divulgada recentemente após a divulgação dos documentos pelo STF. O inquérito está integrado ao caso Master.

Mensagens obtidas pelo portal ‘Intercept Brasil’ revelam que Flávio solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro 131 milhões de reais para a produção do filme, dos quais 60 milhões já teriam sido pagos, segundo planilhas da Polícia Federal.

A investigação foi iniciada pela Polícia Federal e autorizada pela Procuradoria-Geral da República.

“A Polícia Federal requer a instauração de procedimento sigiloso vinculado ao inquérito 5026 para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos conexos, supostamente cometidos pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, relacionados ao financiamento do filme ‘Dark Horse’ junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro.” Esta foi a determinação autorizada pelo ministro Mendonça.

Flávio Bolsonaro continua a negar envolvimento em qualquer irregularidade associada ao filme, mantendo esta posição durante compromissos de campanha em Roraima.

O detalhamento financeiro do filme ainda não foi apresentado por completo. A produtora do documentário submeteu à Justiça os relatórios de despesas, porém os detalhes do financiamento, que passou pelo fundo Heavengate sediado nos Estados Unidos, permanecem desconhecidos.

Documentos apresentados à Justiça indicam que o ex-marqueteiro de Flávio, Marcello Lopes, transferiu 1 milhão de reais para a produtora Go Up, responsável pelo filme, entre novembro e dezembro de 2025, conforme notificações da movimentação financeira à Polícia Federal.

Existem duas investigações distintas no STF envolvendo o financiamento do filme. Sob a relatoria de Mendonça, está o desdobramento do caso Master, que detalha conversas em que Flávio Bolsonaro cobra repasses de Vorcaro.

Esta investigação tenta comprovar se os fundos do banqueiro, envolvidos em fraudes milionárias no Banco Master, foram direcionados para a produção do filme através do fundo americano. Também existe suspeita de que valores foram usados para despesas no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Recentemente, Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como ‘Mineiro’, proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa utilizada para transferências financeiras entre Daniel Vorcaro e a produção do filme. Segundo informações da delação, ‘Mineiro’ realizou sete transferências que somaram cerca de 12,3 milhões de dólares ao fundo Heavengate, a pedido de Vorcaro.

Além disso, há outra linha de investigação sobre repasses irregulares de emendas parlamentares. Na última quinta-feira, o ministro Flávio Dino determinou uma operação que atingiu o deputado Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up.

Frias teria destinado 2 milhões de reais em emendas para o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, em 2024, valores que foram pagos em 2025. A suspeita é que essas verbas tenham sido desviadas para custear a produção do filme por meio de um complexo esquema envolvendo várias empresas.

A Polícia Federal aponta que esta investigação revela uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados, que alegadamente desviaram recursos de forma fraudulenta e sem comprovação dos serviços realizados. Este esquema teria operado até julho de 2026 e envolve crimes como peculato, falsificação documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações.

Levantamentos financeiros indicam movimentações de centenas de milhões de reais entre as empresas integrantes deste esquema irregular.

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