Brasil
Queda recorde dos incêndios na Amazônia em 2025
Os incêndios na região amazônica do Brasil atingiram o nível mais baixo já registrado em 2025, após terem alcançado o ápice no ano anterior, conforme dados liberados nesta terça-feira (21) pela rede de vigilância ambiental MapBiomas.
Este resultado jamais visto desde 1985 representa uma notícia promissora para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a menos de três meses das eleições em que buscará sua reeleição.
Em 2024, a maior floresta tropical do planeta enfrentou uma crise grave, com 15,8 milhões de hectares queimados em meio a uma seca sem precedentes, que facilitou a propagação do fogo, iniciado predominantemente por ações humanas.
O Relatório Anual do Fogo divulgado pelo MapBiomas indica que a situação mudou no ano seguinte, quando a Amazônia teve apenas 3,1 milhões de hectares afetados pelas chamas, a menor área desde que os satélites começaram a monitorar a região, em 1985.
O panorama nacional também apresentou melhora, registrando a menor área queimada desde 2018, com 12,7 milhões de hectares. A proteção da Amazônia é vital para combater as mudanças climáticas, pois sua vegetação captura gases que intensificam o efeito estufa e o aquecimento global.
A geógrafa Ane Alencar, coordenadora do relatório do MapBiomas, declarou em entrevista que a redução nos focos de incêndio na Amazônia em 2025 foi algo fora do comum. Ela explicou que o atraso das chuvas em 2024 para 2025 impediu a formação de condições favoráveis para queimadas em áreas agrícolas.
Além das queimadas acidentais em pastos, práticas ilegais como o uso do fogo para desmatamento em garimpos também contribuem para o problema.
Outro fator importante para a diminuição dos incêndios foi a redução do desmatamento, que diminuiu as áreas suscetíveis à ignição do fogo. Também houve um impacto psicológico nas comunidades afetadas em 2024, que passaram a agir com mais cautela para evitar novos incêndios descontrolados.
Riscos futuros e outros biomas
O relatório destaca que a redução dos incêndios interrompe uma sequência de anos de aumento das queimadas, levando o país a um nível historicamente baixo de áreas queimadas.
No entanto, o Cerrado, que é o segundo maior bioma brasileiro e a savana com maior biodiversidade do mundo, manteve níveis semelhantes de fogo em 2025, alertou Ane Alencar.
A pesquisadora também recomendou atenção à possibilidade da ocorrência de um super El Niño neste ano, fenômeno que prolonga períodos secos, aumentando o risco de incêndios florestais.
Além da diminuição das queimadas, a Amazônia apresentou a menor taxa de desmatamento dos últimos dez anos no primeiro semestre de 2026, segundo dados oficiais.
Essa tendência vem se mantendo desde 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu com o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030. Apesar dos avanços ambientais que pretende mostrar antes das eleições, ele enfrenta críticas de ambientalistas devido ao apoio a um grande projeto de exploração petrolífera na Foz do Amazonas.