Economia

Preço do limão segue alto na entressafra

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Mesmo durante a entressafra, o preço do limão permanece elevado para os consumidores, acima da média histórica. Isso ocorre principalmente devido à redução na produção, com produtores cobrando valores maiores para compensar as dificuldades enfrentadas na colheita.

Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), explicou à Agência Brasil que “o limão apresenta alta volatilidade nos preços, diferente de outras culturas. Atualmente, enfrentamos um período delicado, com chuvas atípicas que prejudicaram a floração no início do ano”.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que na região do cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço médio pago ao produtor pelo limão tahiti na caixa de 27,2 kg subiu de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho, chegando a R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4%. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o valor em agosto deste ano foi 71% maior.

O preço no atacado, no maior entreposto do país, a Ceagesp em São Paulo, teve um aumento de 374%, saindo de R$ 1,82 por quilo em maio para R$ 8,62 no auge em setembro. Na CeasaMinas, na Grande Belo Horizonte, a alta foi de 240%, de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo período.

Segundo a Conab, a dinâmica do mercado do limão normalmente apresenta pico da safra em janeiro e fevereiro, seguida de uma queda na produção entre março e abril, mantendo-se estável até o início da entressafra no final de maio, que se estende até meados de setembro, quando começa a nova safra.

O aumento nos preços neste ano ocorreu devido à redução da oferta no começo da entressafra, provocada pelo excesso de chuvas que comprometeu a qualidade e quantidade das frutas disponíveis e afetou a formação da próxima safra. A umidade elevada e os dias nublados fizeram com que as frutas fossem mais claras, dificultando a colheita.

Além disso, a demanda interna aumentou com as altas temperaturas em agosto e setembro, em meio à competição pelo limão entre o mercado nacional e externo, que exporta cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa.

A florada principal para a segunda metade do ano, ocorrida em julho, também foi prejudicada pelas chuvas intensas em regiões produtoras como Matão e Bebedouro, onde 68% da produção está concentrada. A produção relevante só deve ocorrer a partir de meados de novembro, segundo a Conab.

O excesso de chuvas afetou ainda o pegamento dos frutos das floradas anteriores, reduzindo a quantidade de limões que normalmente aliviaria a escassez de setembro e outubro.

A previsão é que os preços retornem à normalidade com a chegada da nova safra no final do ano. Na última semana, os valores na Ceagesp começaram a cair, mas ainda é cedo para confirmar essa tendência.

Renato Garcia Ribeiro também comentou que o principal impacto foi na produção e que as condições climáticas continuam desafiadoras, podendo afetar o próximo ano.

Especialistas alertam para o risco que o fenômeno El Niño forte no início de 2027 pode causar, com aumento de calor e déficit hídrico, estressando as plantas e comprometendo a floração da primavera e verão.

Até o momento, a Conab avaliou que o El Niño teve impacto baixo na produção deste ano. Durante julho, quando as chuvas e ventos atípicos afetaram a florada, o fenômeno ainda era de baixa intensidade, não sendo a principal causa das alterações no mercado, mas possivelmente contribuindo para o cenário atual.

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