Economia
Pix e outros sistemas próprios ganham atenção global
O sistema Pix do Brasil chamou a atenção do governo dos Estados Unidos durante a administração do presidente Donald Trump, sendo usado como argumento para a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras. A administração americana alegou que o Pix representa uma ameaça às empresas dos EUA, pois é um sistema de pagamento que é ao mesmo tempo operado e regulado pelo governo brasileiro. Além disso, argumentaram que forçar empresas americanas a aceitar o Pix seria uma prática comercial injusta.
No Brasil, o Pix foi criado para facilitar o acesso da população a métodos de pagamento, porém, internacionalmente, surgem cada vez mais iniciativas com o intuito de diminuir a dependência de fornecedores americanos.
Na União Europeia, a ideia de um euro digital, lançada em 2020, avançou significativamente em 2023, em resposta às tensões crescentes com os Estados Unidos no governo Donald Trump. Em junho, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu em Bruxelas aprovou um plano para o lançamento experimental da moeda digital pelo Banco Central Europeu (BCE), previsto para 2027, com circulação até 2029.
Recentemente, o BCE selecionou 36 empresas de serviços de pagamento, incluindo Deutsche Bank e UniCredit, para iniciar os testes piloto do euro digital. Esta medida visa fortalecer a autonomia europeia no setor financeiro, reduzindo a dependência de empresas americanas como Visa e Mastercard.
Alessandro Giovannini, assessor do projeto do euro digital no BCE, destacou que atualmente quase dois terços dos pagamentos com cartão na zona do euro são processados por empresas estrangeiras, e que 13 dos 21 países do bloco não possuem sistemas nacionais próprios para pagamentos do dia a dia. Segundo ele, o euro digital pretende diminuir esta dependência, fortalecendo de forma permanente a soberania da Europa.
Além dos sistemas de cartões, carteiras digitais populares como Apple Pay, Google Pay e PayPal são controladas por companhias americanas. O aumento das stablecoins, principalmente denominadas em dólares, promovidas pelo governo dos Estados Unidos, também gerou apreensão em autoridades europeias.
Recentes ações do governo americano geraram preocupação na Europa, como a imposição de sanções a juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), incluindo o francês Nicolas Guillou, que foi impedido de usar seu cartão Visa.
Desde a proposta da Comissão Europeia em 2023, houve discussões durante mais de dois anos para que os Estados-membros definissem uma posição comum. Enquanto alguns parlamentares apoiavam uma solução privada, prevaleceu a decisão de que o BCE lideraria a infraestrutura da moeda digital. No Brasil, da mesma forma, a infraestrutura do Pix é pública e mantida pelo Banco Central.