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PF investiga esquema da Conafer que desviou R$ 708 milhões de aposentados para ganhos ilícitos

O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre a atuação da Conafer na Operação Sem Desconto indica que um esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS resultou no desvio de mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas. De acordo com a PF, os valores eram rapidamente desviados para empresas de fachada e usados para lucros indevidos dos envolvidos na organização, além de pagamento de propinas a agentes públicos.

O documento, que serviu de base para o indiciamento de 48 pessoas, destaca que as evidências apontam que os crimes envolvidos constituem o núcleo da organização criminosa que desviou esse montante dos beneficiários do INSS. O dinheiro era transferido velozmente para empresas ligadas aos integrantes do esquema e usado para fins ilícitos e corrupção.

Em mais de 800 páginas, o relatório detalha uma estrutura supostamente liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, com participação de operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos que asseguravam o funcionamento da fraude. A organização implementava descontos sem autorização nos benefícios previdenciários e, em seguida, escondia a origem dos recursos com a ajuda de empresas dos investigados.

A Conafer teria arrecadado mais de R$ 700 milhões entre 2019 e 2024 com os descontos associativos. Conforme a PF, o dinheiro entrava nas contas da entidade e era distribuído rapidamente para empresas controladas pelos operadores financeiros do grupo. O relatório aponta que aproximadamente 91% deste valor, cerca de R$ 644 milhões, foi repassado a investigados e empresas relacionadas a eles.

Dois principais grupos foram identificados como responsáveis pela movimentação dos recursos: um liderado por Cícero Marcelino de Souza Santos e sua esposa Ingrid Pikinskeni Morais Santos, cujas empresas receberam mais de R$ 312 milhões; e outro formado por Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e sua irmã Lucineide dos Santos Oliveira, envolvidos no gerenciamento das empresas que também receberam dinheiro e colaboraram na ocultação dos bens do grupo.

Parte dos valores desviados era usada para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos para garantir a manutenção da fraude. A investigação afirma que esses pagamentos foram realizados por intermédio de empresas e representantes de fachada, uma estratégia para disfarçar a movimentação financeira. Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes.

A PF destacou que os valores desviados serviam para remunerar agentes públicos e políticos considerados essenciais para o bom andamento do esquema, apelidados por Carlos e Cícero como “Heróis”, “Notáveis” ou “Amigos”.

O relatório foi remetido ao ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República avaliar o material e decidir sobre o oferecimento de denúncia contra os envolvidos.

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Cultura

Mário Hélio assume vaga na Academia Paraibana de Letras

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O escritor e jornalista Mário Hélio assumiu na última sexta-feira (31) seu posto como membro da Academia Paraibana de Letras, marcando mais de quarenta anos dedicados à literatura, jornalismo cultural, história e antropologia. Ele agora ocupa a Cadeira nº 15, anteriormente de Francisco Pereira da Silva Júnior. A cerimônia foi no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa.

Eleito em abril, Mário Hélio ingressa na principal instituição literária da Paraíba após uma carreira de destaque nacional. Com grande parte de seu trabalho realizado em Pernambuco, mantém forte ligação com a cultura paraibana, tema central em seu recente livro “Mosaico Paraibano”, uma coletânea de ensaios sobre escritores, artistas e personalidades que ajudaram a formar a identidade cultural da Paraíba. Este livro foi lançado na própria Academia pouco antes de sua eleição, fortalecendo seus laços com a instituição.

Trajetória

Nascido em 1965 em Sapé, na Zona da Mata paraibana, Mário Hélio iniciou sua carreira literária cedo. Com menos de 20 anos, ganhou o Prêmio Literário Cidade do Recife de poesia, que resultou na publicação de seu primeiro livro, Livrório/Opus Zero, em 1995. Desde então, sua obra abrange poesia, ensaio, crítica literária e de arte, biografia, história cultural e antropologia.

Formado em Comunicação Social, mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, Mário Hélio também atua como professor, pesquisador e editor, dedicando-se especialmente às relações entre literatura, memória, religiosidade e cultura popular.

Na imprensa cultural, é uma referência importante, tendo colaborado na criação e fortalecimento de publicações renomadas como as revistas Massangana, Continente e Pernambuco, reconhecidas pela qualidade editorial e cobertura cultural.

Desempenhou cargos na administração pública cultural, incluindo diretor de Cultura da Fundaj e atualmente é superintendente de Periódicos e Projetos Especiais da Cepe, que lidera políticas públicas de edição e difusão do livro no Nordeste.

Seu trabalho intelectual inclui dezenas de publicações que transitam entre história e literatura. Obras de destaque incluem O Recife melhor do que Paris, um poema-retrato do Recife dos anos 80/90; Brasil Profundo, Espanha Negra, pesquisa sobre manifestações religiosas; Cícero Dias – Uma vida pela pintura; e A História Íntima de Gilberto Freyre, estudo profundo sobre o sociólogo.

Inclui também estudos sobre escritores como João Cabral de Melo Neto, entre outros artistas e intelectuais brasileiros, sempre com rigor documental e linguagem acessível, sendo um divulgador importante da história cultural brasileira. Participa de instituições nacionais e internacionais dedicadas à literatura, pesquisa e memória cultural.

Em 2023, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras, tornando-se um dos poucos escritores a integrar simultaneamente academias literárias de estados diferentes.

A eleição e posse foram vistas como reconhecimento de uma carreira multifacetada. Recebido pelo acadêmico Francisco de Sales Gaudêncio, da Cadeira nº 18 da APL, Mário Hélio representa a ligação entre tradições literárias da Paraíba e Pernambuco, que ao longo do século XX compartilharam projetos, revistas e movimentos culturais que construíram o Nordeste como polo intelectual nacional.

Discursos na Cerimônia

Durante a cerimônia, os discursos enfatizaram a literatura como meio de preservar e construir memória. No discurso de acolhida, Sales Gaudêncio destacou a trajetória de Mário Hélio que transcende a literatura, envolvendo pesquisa, jornalismo e preservação cultural.

Enfatizou o retorno do novo membro à Paraíba como um reencontro com suas raízes e a importância da Academia Paraibana de Letras: “Entrar nesta Casa é receber uma herança e assumir um compromisso. Cada cadeira conta uma história, cada patrono representa uma tradição e cada acadêmico integra uma comunidade que vai além do presente. Aqui convivem vivos e mortos; os escritores e aqueles que deixaram de escrever, mas continuam falando por meio de suas obras.”

Mário Hélio, por sua vez, desviou o foco da homenagem pessoal para uma reflexão sobre o tempo, símbolos e a responsabilidade coletiva ao entrar na academia: “Ao ser eleito, o novo integrante deve aceitar as responsabilidades em prol do coletivo. Sem isso, ingressar numa academia seria apenas uma confirmação de egos.”

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Esporte

Atleta olímpico Daniel Ferreira é encontrado vivo após 44 dias desaparecido

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O ex-maratonista Daniel Ferreira do Nascimento foi localizado com vida no último sábado (1º). O ex-atleta, que representou o Brasil na maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi encontrado na zona leste da cidade de São Paulo. Com 28 anos, o corredor conhecido como Danielzinho estava desaparecido desde 19 de junho de 2026.

Ele foi visto pela última vez em Paraguaçu Paulista, no interior paulista. Após 44 dias de sumiço, um pedestre o reconheceu na Rua Dr. Ubaldino do Amaral, no bairro do Belenzinho, em São Paulo. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada e, após a checagem, o próprio Daniel confirmou sua identidade. O reencontro com os familiares aconteceu no 30º Distrito Policial, situado no Tatuapé.

Durante o período em que esteve desaparecido, familiares e amigos organizaram diversas campanhas nas redes sociais na tentativa de encontrá-lo.

Além de participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, Daniel é detentor do recorde sul-americano na maratona, estabelecido com o tempo de 2:04:51 em abril de 2022, na cidade de Seul, Coreia do Sul. Este feito quebrou o recorde brasileiro e sul-americano anterior, que durava 24 anos e pertencia a Ronaldo da Costa, que completou a Maratona de Berlim em 1998 com 2:06:05, um recorde mundial na época. A marca de Daniel é a mais veloz já obtida por um maratonista não africano.

Em abril de 2023, Danielzinho garantiu o índice para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, ao terminar em quarto lugar na Maratona de Hamburgo, com o tempo de 2:07:06. Contudo, em julho de 2024, pouco antes dos Jogos, ele foi suspenso preventivamente após um teste surpresa da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) indicar substâncias anabolizantes em seu organismo.

Foram encontrados resíduos de drostanolona, metenolona e nandrolona, hormônios anabolizantes. Devido a esses resultados, Daniel foi suspenso e impedido de participar das Olimpíadas. Em maio de 2025, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) anunciou uma suspensão de cinco anos para o corredor, retroativa a 15 de julho de 2024, data do teste positivo. Assim, o atleta está afastado das competições até julho de 2029.

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Mundo

Milei acusa Lula de corrupção e roubo

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O presidente da Argentina, Javier Milei, reafirmou neste domingo (2) suas acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o como corrupto e ladrão, uma semana após suas declarações causarem um atrito diplomático entre as maiores economias da América do Sul.

Milei declarou em uma entrevista à emissora LN+ que Lula foi condenado por crimes de roubo e corrupção, tendo cumprido pena, o que justifica chamá-lo de preso. Ele ainda ressaltou que a soltura de Lula decorreu de um erro administrativo no processo, e não por inocência.

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