Brasil
PF diz que Canella é líder político e organizador de quadrilha ligada ao Comando Vermelho
A Polícia Federal qualificou o deputado eleito Márcio Canella (União), preso na manhã desta quinta-feira, como um líder político e organizador de alto nível de uma quadrilha associada ao Comando Vermelho. Conforme os investigadores, Canella funcionava como uma ligação entre o governo, uma rede de postos de combustíveis usada para lavagem de dinheiro do crime organizado e os membros do grupo alvo da mais recente fase da Operação Unha e Carne.
Além disso, a PF explicou que a quadrilha envolvendo Canella apresenta uma diversidade econômica e uma estratégia geopolítica que ultrapassam as divisões comuns entre facções. A corporação menciona que o grupo formou conexões operacionais com milícias e o tráfico de drogas para assegurar controle territorial e proteção política.
“A participação de Márcio Canella nesse sistema paramilitar está evidenciada através de ações concretas de favorecimento e cooptação. Um exemplo disso foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por ligações com milícias para cargos de secretários municipais em Belford Roxo”, destacou a Polícia Federal ao solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a autorização para a operação que resultou na prisão de Canella.
A PF também revelou que Canella recebe rendimentos oriundos de crimes praticados pela quadrilha. Foram apreendidos diversos relógios de luxo, dois veículos de alto padrão, seminovos, e duas motocicletas caras, indicando indícios de lavagem de dinheiro conforme as investigações.
Há ainda gravações amplamente divulgadas que mostram um ambiente de cooperação ilícita entre um capitão da Polícia Militar, Alessander Ribeiro Estrella Rosa, e líderes do Comando Vermelho, identificados como Edgar Alves de Andrade (apelido “Doca”) e José Severino da Silva Júnior (apelido “Soró”). Essas gravações evidenciam que o oficial atuava como intermediário das demandas da administração municipal liderada por Márcio Canella.