Cidades
Peixe-boi é visto na Praia do Cupe em Ipojuca e banhistas tocam no animal, o que não é recomendado
Um peixe-boi foi avistado na Praia do Cupe, localizada em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, atraindo a atenção de diversos banhistas ao redor.
O fato ocorreu no último sábado (27) e foi registrado por pessoas que frequentavam o local. As imagens e o comportamento dos presentes rapidamente ganharam destaque nas redes sociais.
Em um dos vídeos, observa-se uma grande concentração de guias turísticos e visitantes próximos ao animal, que frequentemente é tocado enquanto permanece na água.
A presença do peixe-boi atrai diversas pessoas e embarcações, algumas até passando por cima do mamífero, limitando seus movimentos e causando estresse ao animal.
O Manual de Boas Práticas de Interação com Sirênios no Brasil, desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), orienta para que as pessoas não toquem nos peixes-bois.
Risco de extinção
O biólogo André Maia explicou à Folha de Pernambuco que a orientação do CMA e do ICMBio visa proteger a espécie da extinção.
Ele ressaltou que os peixes-bois costumavam ser vistos com mais frequência no litoral de Pernambuco, mas as atividades humanas impactaram negativamente esse cenário, reduzindo os avistamentos.
André Maia também destacou que os animais silvestres, como o peixe-boi, são resguardados por leis ambientais, e que a interação inadequada por parte das pessoas pode prejudicar sua sobrevivência.
Apesar do nome, o peixe-boi é um mamífero e precisa sair da água para respirar. Nas gravações, é possível ver várias pessoas apoiadas no animal, como se estivessem em uma prancha, impedindo que ele suba à superfície para respirar.
André Maia afirmou que a respiração pulmonar do peixe-boi exige que ele deixe a água, e que impedir isso pode causar sufocamento.
Além disso, o contato humano pode remover a camada protetora natural da pele do animal, deixando-o vulnerável a microrganismos, como bactérias, o que aumenta o risco de infecções.
Segundo o especialista, é provável que o peixe-boi estivesse mais calmo devido ao contato anterior com humanos, porém esse tipo de interação pode levar o animal à morte.
Posição da Prefeitura de Ipojuca
A equipe da Folha de Pernambuco tentou obter informações adicionais junto à Prefeitura de Ipojuca sobre o ocorrido e sobre possíveis ações realizadas para conscientizar os banhistas quanto à importância de não interagir com animais como o peixe-boi, mas ainda não obteve resposta.