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Onildo Almeida, 97 anos, tem Forrock remasterizado e Feira de Caruaru renovada

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Era como se o tempo tivesse parado por alguns momentos. Os anos de 1950 estavam prestes a chegar, trazendo à tona tudo que há no mundo, tal como descrito por seu autor, quase sete décadas após ter sido gravada e popularizada internacionalmente pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Ouvir um trecho já teria sido uma grande honra, mas a música continuou… Onildo Almeida, aos 97 anos, divertia-se enquanto recitava os versos que terminavam com “u”, homenageando um dos Patrimônios Culturais Imateriais do Brasil, a Feira de Caruaru.

Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

O acontecimento aconteceu no programa da radialista Simone Mendes na Rádio Folha, em 1º de dezembro, onde o compositor e poeta caruaruense Onildo Almeida estava bem-disposto como um jovem.

“Ainda não envelheci”, dizia ele com orgulho, referindo-se aos seus “quase 98 anos”.

Onildo estava acompanhado pela cantora Kira Aderne, líder da banda de rock Diablo Angel, que criou, junto com o compositor, uma versão moderna da canção eternizada por Gonzaga.

Onildo Almeida e Kira Aderne | Crédito: Divulgação

Seu Luiz se emocionou
“Dei a fita para ele e depois perguntei se ele havia ouvido a música. Ele respondeu ‘que música?’. Fiquei triste. Então entreguei para a Marinês e ela lançou”, relembra Onildo sobre a canção “Meu Beija-Flor”, que fez sucesso pela voz da cantora pernambucana.

Em outro momento, Gonzaga ouviu a música e chorou. “A Hora do Adeus”, cuja letra conta a história de um artista prestes a encerrar a carreira. (…) Ele ouviu, saiu e fiquei pensando se teria desaprovado, mas na verdade ele estava na esquina chorando”, conta Onildo.

Forró e rock juntos?

O forró se uniu ao rock em um híbrido chamado “Forrock”, disco lançado por Onildo nos anos 1980, durante o auge do Rock in Rio, onde o forró ganhou guitarras e novas batidas.

Reeditado em outubro pela Polymusic com remasterização de Hélio Rozenblit, esse álbum é mais um registro pioneiro dos ricos sons nordestinos em solo sudestino.

“Me incomodava que ele não tivesse um disco disponível nas plataformas digitais”, confessa Kira, idealizadora dessa iniciativa para resgatar a carreira do mestre.

Antes do relançamento do “Forrock”, Onildo e a cantora já haviam se unido musicalmente. Em junho deste ano, no São João de Caruaru, no Palco Azulão, eles apresentaram uma nova versão da “Feira”.

“Criamos uma melodia vocal nova, renovando esse clássico de 1956 (…). Comecei a explorar a obra de Onildo e não parei mais”, comemora Kira Aderne, vocalista do Diablo Angel, que mora na capital pernambucana.

De tudo que há no mundo…

“O matuto chegava, comprava um guarda-roupa, carregava nas costas e ia embora. Isso só acontecia na feira de Caruaru. Observei isso”, conta Onildo explicando a inspiração para a música, lembrando que “no final da avenida, perto do Colégio das Freiras, antigamente havia uma fila de carros à venda.”

“O que se busca em uma feira são mantimentos, não carros”, brinca ele, falando do principal patrimônio de Caruaru, narrado em canção de letra simples, mas com forte apelo popular.

“Ainda hoje as pessoas perguntam o significado de muitos termos usados na letra”, lembra Onildo, ressaltando expressões típicas da época, como “carça de arvorada”, “mó de menino” e “de tudo que há no mundo”.

“Assim como ‘Asa Branca’ tem seus termos característicos, como ‘que brasero, que fornaia’ ou ‘entonce eu disse’, explica o crítico musical José Teles, essas expressões particulares fazem parte do universo de canções nordestinas, que estão presentes nas obras de Onildo Almeida, um dos grandes ícones do forró em Pernambuco.”

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