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Novo plano de vacinação contra a poliomielite

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O Ministério da Saúde iniciará, a partir de 3 de agosto, a aplicação de uma segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos. Com essa atualização, o calendário vacinal contará com cinco doses da vacina inativada contra a poliomielite (VIP), oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Ministério, a introdução dessa nova dose visa aumentar a proteção das crianças e garantir que o Brasil continue livre da circulação do poliovírus. O país não registra casos da doença desde 1989 e, desde 1994, é reconhecido como área livre da circulação do vírus, junto aos demais países das Américas.

Quem deve se vacinar

Essa nova recomendação é destinada a crianças com menos de 5 anos. O esquema vacinal inclui três doses iniciais da VIP, administradas aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por dois reforços: o primeiro aos 15 meses e o segundo aos 4 anos.

Crianças com o esquema vacinal incompleto devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Nesses casos, os profissionais farão uma análise da caderneta de vacinação e indicarão as doses que ainda precisam ser tomadas. A imunização pode ser completada até a idade de 4 anos, 11 meses e 29 dias.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, esclarece que essa nova dose funciona como um reforço para a memória imunológica. “Os anticorpos diminuem com o tempo. A dose de reforço estimula essa memória imunológica e aumenta os níveis de anticorpos. Quanto maior essa quantidade, maior tende a ser a duração da proteção”, explica.

Por que é essencial continuar a vacinação?

Embora a poliomielite tenha sido erradicada no Brasil há quase 40 anos, o vírus ainda circula em algumas regiões do mundo. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países onde a doença permanece endêmica.

Flávia reforça que, enquanto houver circulação do vírus, é fundamental manter elevados níveis de anticorpos para garantir a proteção da população.

A especialista lembra que a vacinação tem também um papel coletivo: “É questão de proteção individual e coletiva. Mantendo altas coberturas vacinais, evitamos que, caso o vírus seja introduzido por viajantes, ele se espalhe no Brasil.”

A transição da gotinha para a vacina injetável

Desde novembro de 2024, o calendário nacional utiliza exclusivamente a vacina inativada contra a poliomielite (VIP), administrada por injeção. A antiga vacina oral, conhecida como “gotinha”, foi substituída após estudos científicos que apoiaram a alteração do esquema vacinal.

De acordo com Flávia, a vacina oral continha um vírus vivo atenuado, o que, embora seguro e eficaz por muito tempo, apresentava um risco muito raro de mutação que poderia causar a doença. Em contraste, a VIP utiliza vírus inativado, que não pode causar a doença nem sofrer mutações que o tornem infeccioso.

“A poliomielite está eliminada no Brasil, mas isso depende da manutenção de altas taxas de vacinação. Recomendamos que todas as crianças recebam as doses previstas no calendário, incluindo as da pólio”, enfatiza a especialista.

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