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Lula vai defender a CNBB contra críticas de Flávio

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A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preparando uma declaração em apoio à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) após o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ter acusado membros da entidade de ajudar a divulgar uma informação falsa sobre a intenção dele de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, caso seja eleito.

Enquanto Lula quer aproveitar o episódio para sua campanha, seu adversário busca evitar conflitos com a Igreja e considera gestos de aproximação com o público católico, como uma possível reunião com padres nos próximos dias.

Em Goiânia, no domingo (27), Flávio afirmou que pessoas ligadas à CNBB teriam contribuído para espalhar a notícia falsa. Ele acusou o PT de incentivar essa versão e de manter uma “liga da mentira”.

“O PT já vinha divulgando essa fake news com o apoio de pessoas na CNBB, infelizmente. A verdade logo veio à tona”, declarou.

A CNBB respondeu rapidamente negando envolvimento na divulgação de informações falsas sobre as eleições e pediu que as acusações fossem provadas.

“Atribuir à CNBB participação na produção ou disseminação de desinformação sem evidências prejudica a instituição e não ajuda a manter a calma e responsabilidade necessárias neste processo eleitoral. Mentir não se combate com outra mentira”, afirmou a entidade.

Para o Partido dos Trabalhadores, a declaração de Flávio abriu uma oportunidade para se posicionar e emitir uma nota em apoio à CNBB. Um integrante da campanha considerou esse o erro mais grave do senador, pois ele provocou a entidade.

Segundo dados recentes, o Brasil tem mais de 100 milhões de católicos, representando quase 57% da população.

Em entrevista, Lula defendeu a importância da Santa e lembrou um episódio de 1995, quando um pastor evangélico chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na TV.

“Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Já houve quem chutasse a imagem dela, o que é inaceitável”, afirmou. “Ela continuará sendo Padroeira do Brasil porque o povo quer e tem fé.”

A polêmica se espalhou nas redes sociais, estimulada por discussões sobre um projeto de lei de quase 20 anos atrás que tentou retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Apesar da repercussão, Lula não planeja ir à basílica da padroeira ou postar fotos, para não ser acusado de usar a religião para fins eleitorais às vésperas do primeiro turno.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, católico praticante, deve visitar a catedral dedicada à padroeira nos próximos dias, com expectativa de que isso aconteça em breve.

Na noite de domingo, Alckmin gravou um vídeo em frente a uma igreja em São Paulo em que repudiou a ideia de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

“Enquanto eu e o presidente Lula estivermos governando, vamos proteger todas as religiões”, declarou.

Flávio Bolsonaro não deve se retratar nem pedir desculpas pelas declarações feitas, considerando que não fez acusações que justifiquem isso. A orientação é evitar que o conflito com a Igreja Católica se intensifique a poucos dias da eleição.

Em resposta às críticas da CNBB, Flávio deve reiterar que nunca defendeu medidas contra a Igreja e que a versão sobre a retirada do título é falsa.

A campanha do candidato está avaliando ações para se aproximar do eleitorado católico, incluindo possível encontro com padres e a presença de imagens da padroeira em eventos políticos.

Antes mesmo da controvérsia, o canal do candidato no YouTube promoveu uma transmissão com padres e outras lideranças religiosas para responder ao caso de Nossa Senhora Aparecida, destacando a importância da Igreja como instituição de apoio social e espiritual.

Também está em discussão a escolha de um padre para ser porta-voz em um direito de resposta sobre o episódio, com um texto preparado para reafirmar a posição do candidato.

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