Economia
Lucro dos planos de saúde sobe para 4,8 bilhões no terceiro trimestre
Leonardo Vieceli
Folhapress
As empresas que oferecem planos médico-hospitalares de saúde tiveram um lucro total de 4,8 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Esse valor é o maior registrado para o período de julho a setembro desde 2018, levando em conta valores sem ajuste pela inflação. O lucro subiu 64,4% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando foi de 2,9 bilhões de reais.
O lucro total inclui os resultados das operações, ganhos financeiros, bens patrimoniais e o impacto de impostos e participações.
Considerando apenas o valor gerado pelas atividades principais – ou seja, a diferença entre o dinheiro recebido das mensalidades e as despesas com atendimento, administração e vendas – o lucro foi de 2 bilhões de reais neste terceiro trimestre. Este é o maior resultado desde 2020, ano da pandemia, quando o lucro operacional chegou a 4,6 bilhões.
O lucro financeiro no período foi de 4,2 bilhões de reais, o maior desde 2018, beneficiado pelos juros altos e pelos ganhos em investimentos.
Jorge Aquino, diretor de normas e habilitação das operadoras da ANS, destacou que, apesar do bom momento para as empresas, ainda há preocupação com cerca de 7,5 milhões de beneficiários ligados a operadoras em situações especiais de acompanhamento financeiro e fiscal.
Resultado acumulado no ano
Com os números do terceiro trimestre, o lucro total das empresas de planos médico-hospitalares alcançou 17,2 bilhões de reais nos primeiros nove meses de 2025, o maior valor nominal para esse período desde que a série histórica começou.
O lucro pelas operações foi de 8,3 bilhões, mais que o dobro do registrado nos nove primeiros meses de 2024 (3 bilhões), ficando atrás apenas do valor recorde de 2020 (17,5 bilhões).
Já o lucro financeiro cumulativo no ano foi de 11 bilhões, também o maior da série iniciada em 2018.
O setor tem recebido muitas reclamações dos consumidores nos últimos anos, sobre cancelamentos e aumentos nas mensalidades. Por outro lado, as empresas ressaltam que os custos aumentaram devido à incorporação de novas tecnologias e ao envelhecimento da população, que pede mais atendimentos.
Em entrevista à Folha em outubro, o presidente da ANS, Wadih Damous, afirmou que quer entender por que o setor reclama mesmo tendo lucro. Ele defende uma regulação mais equilibrada, que considere tanto a saúde financeira das empresas quanto as necessidades dos consumidores.
Somando os planos médico-hospitalares, odontológicos e administradoras de benefícios, o lucro líquido no terceiro trimestre foi de 5 bilhões de reais, e no acumulado do ano até setembro, 17,9 bilhões, ambos os maiores em valores nominais desde 2018.
A ANS informou que o conjunto do setor teve receitas de 287,3 bilhões de reais no período, com lucro líquido acumulado de 17,9 bilhões, o que representa cerca de 6,2% da receita total, ou seja, para cada 100 reais recebidos, o setor teve 6,20 reais de lucro.
As administradoras de benefícios não operam planos diretamente, atuando como intermediárias entre as empresas e os clientes dos serviços.