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Líder do governo faz acordo para votar redução de penas do 8 de janeiro e causa desconforto entre aliados de Lula

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Thaisa Oliveira e Catia Seabra
Brasília, DF (FolhaPress)

Um acordo entre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), sobre a votação do projeto que reduz penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos ataques de 8 de janeiro causou desconforto dentro do governo.

O projeto foi aprovado nesta quarta-feira (17) no Senado por 48 votos a favor e 25 contra. Como a Câmara já aprovou, o projeto segue para sanção presidencial. O presidente Lula (PT) deve vetar o projeto por completo.

Senadores do governo queriam adiar a votação para o próximo ano, buscando mais tempo para a opinião pública e tentar mudar o resultado favorável à aprovação.

A intenção era conseguir até cinco dias de adiamento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com o apoio do presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), que é contra o projeto.

Antes da sessão, o senador Marcos Rogério (PL-RO) conversou com Wagner e Marinho e repassou um recado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): o PL da Dosimetria e outro projeto que aumenta a tributação deveriam ser votados no plenário ainda hoje.

Wagner e Marinho então concordaram que o governo não impediria a votação do PL da Dosimetria e a oposição não impediria a votação do projeto tributário, ambos podendo falar contra os projetos e orientar votos contrários, mas sem obstrução.

Esse acordo feito por Wagner antes da CCJ, e desconhecido pela maioria, gerou críticas e confusão ao longo do dia.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), procurou Wagner para reclamar, dizendo que estava surpresa com o acordo, já que Lula havia avisado que vetaria o projeto.

Gleisi também negou nas redes sociais qualquer negociação envolvendo a redução de penas para os condenados pelo STF.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que não há acordo e que Lula é contrário ao projeto, devendo vetá-lo.

Após reunião ministerial, Wagner admitiu ter feito um acordo de procedimento, sem consultar a ministra ou o presidente, e que a decisão final será do presidente.

Parlamentares que apoiam Wagner dizem que o governo não tinha votos suficientes para impedir a aprovação na CCJ.

Davi Alcolumbre teria avisado que queria a votação de qualquer forma para cumprir uma promessa feita a bolsonaristas.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), crítico do acordo, disse que o governo deu um presente de Natal aos golpistas, lembrando que Otto Alencar havia concordado em adiar a votação.

Renan declarou que nunca viu alguém em nome do governo fazer um acordo assim e presentear os golpistas de forma tão clara.

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