Conecte Conosco

Notícias

Julgamento de extradição de Carla Zambelli vai ser em 18 de dezembro na Itália

Michele Oliveira
FOLHAPRESS

A justiça da Itália adiou para 18 de dezembro o começo do julgamento sobre a extradição da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão foi tomada em uma audiência na Corte de Apelação de Roma nesta quinta-feira, dia 4. O tribunal vai analisar se aceita o pedido da defesa para usar novas provas a favor da deputada.

Os advogados italianos querem incluir cerca de 70 documentos, entre eles textos que falam sobre a natureza política dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados no Brasil, um relatório dizendo que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi sancionado nos Estados Unidos pela Lei Magnitsky, além de reportagens sobre as condições dos presídios brasileiros. Alguns documentos são antigos e outros anônimos.

Entre os documentos está também um parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) apresentado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que afirma que Zambelli sofre perseguição política por parte de Moraes.

A defesa na Itália já afirma que Zambelli é vítima de perseguição política no Brasil e, por isso, não pode ser extraditada. O advogado italiano Alessandro Gentiloni, representante do Brasil pela Advocacia-Geral da União, se opôs à inclusão dos documentos, alegando irregularidades nos prazos e formatos.

Na audiência do dia 18, a Corte de Apelação decidirá se aceita ou não as novas provas. Se aceitar, o julgamento será adiado para avaliação do conteúdo pelo Ministério Público e representantes do Brasil. Se rejeitar, o julgamento da extradição pode começar naquele mesmo dia.

Zambelli participou da audiência desta quinta e está presa desde o fim de julho no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma. O julgamento foi adiado na semana anterior devido à greve dos advogados penalistas da cidade.

O Ministério Público italiano, em documento de outubro, é favorável à extradição, argumentando que todos os requisitos legais estão cumpridos.

Zambelli fugiu para a Itália em junho para evitar uma punição de dez anos de prisão relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça e à emissão de um mandado falso contra Moraes. Ela também foi condenada a cinco anos por porte ilegal de armas e constrangimento ilegal. Os dois casos fazem parte do mesmo processo de extradição.

Após a decisão da Corte de Apelação, ambas as partes podem apelar para a Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano. Depois, o governo italiano, por meio do Ministério da Justiça, fará a decisão final sobre a extradição, com prazo de 45 dias para se manifestar. Após isso, as partes ainda podem recorrer ao Tribunal Administrativo Regional para contestar a decisão do governo.

O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, disse em novembro que a decisão final deve sair por volta de março de 2026, e que o processo será concluído em menos de um ano desde a prisão, respeitando todos os recursos e direitos de defesa.

Zambelli tem dupla cidadania e afirmou que seu passaporte italiano a tornaria “intocável”, impedindo seu retorno ao Brasil.

Desde que foi presa, ela teve dois resultados negativos na justiça italiana: a Corte de Apelação rejeitou seu pedido de prisão domiciliar ou liberdade por risco de fuga, e a Corte de Cassação manteve a decisão de prisão em outubro.

Publicidade
Clique aqui para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cultura

Mário Hélio assume vaga na Academia Paraibana de Letras

Por

O escritor e jornalista Mário Hélio assumiu na última sexta-feira (31) seu posto como membro da Academia Paraibana de Letras, marcando mais de quarenta anos dedicados à literatura, jornalismo cultural, história e antropologia. Ele agora ocupa a Cadeira nº 15, anteriormente de Francisco Pereira da Silva Júnior. A cerimônia foi no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa.

Eleito em abril, Mário Hélio ingressa na principal instituição literária da Paraíba após uma carreira de destaque nacional. Com grande parte de seu trabalho realizado em Pernambuco, mantém forte ligação com a cultura paraibana, tema central em seu recente livro “Mosaico Paraibano”, uma coletânea de ensaios sobre escritores, artistas e personalidades que ajudaram a formar a identidade cultural da Paraíba. Este livro foi lançado na própria Academia pouco antes de sua eleição, fortalecendo seus laços com a instituição.

Trajetória

Nascido em 1965 em Sapé, na Zona da Mata paraibana, Mário Hélio iniciou sua carreira literária cedo. Com menos de 20 anos, ganhou o Prêmio Literário Cidade do Recife de poesia, que resultou na publicação de seu primeiro livro, Livrório/Opus Zero, em 1995. Desde então, sua obra abrange poesia, ensaio, crítica literária e de arte, biografia, história cultural e antropologia.

Formado em Comunicação Social, mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, Mário Hélio também atua como professor, pesquisador e editor, dedicando-se especialmente às relações entre literatura, memória, religiosidade e cultura popular.

Na imprensa cultural, é uma referência importante, tendo colaborado na criação e fortalecimento de publicações renomadas como as revistas Massangana, Continente e Pernambuco, reconhecidas pela qualidade editorial e cobertura cultural.

Desempenhou cargos na administração pública cultural, incluindo diretor de Cultura da Fundaj e atualmente é superintendente de Periódicos e Projetos Especiais da Cepe, que lidera políticas públicas de edição e difusão do livro no Nordeste.

Seu trabalho intelectual inclui dezenas de publicações que transitam entre história e literatura. Obras de destaque incluem O Recife melhor do que Paris, um poema-retrato do Recife dos anos 80/90; Brasil Profundo, Espanha Negra, pesquisa sobre manifestações religiosas; Cícero Dias – Uma vida pela pintura; e A História Íntima de Gilberto Freyre, estudo profundo sobre o sociólogo.

Inclui também estudos sobre escritores como João Cabral de Melo Neto, entre outros artistas e intelectuais brasileiros, sempre com rigor documental e linguagem acessível, sendo um divulgador importante da história cultural brasileira. Participa de instituições nacionais e internacionais dedicadas à literatura, pesquisa e memória cultural.

Em 2023, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras, tornando-se um dos poucos escritores a integrar simultaneamente academias literárias de estados diferentes.

A eleição e posse foram vistas como reconhecimento de uma carreira multifacetada. Recebido pelo acadêmico Francisco de Sales Gaudêncio, da Cadeira nº 18 da APL, Mário Hélio representa a ligação entre tradições literárias da Paraíba e Pernambuco, que ao longo do século XX compartilharam projetos, revistas e movimentos culturais que construíram o Nordeste como polo intelectual nacional.

Discursos na Cerimônia

Durante a cerimônia, os discursos enfatizaram a literatura como meio de preservar e construir memória. No discurso de acolhida, Sales Gaudêncio destacou a trajetória de Mário Hélio que transcende a literatura, envolvendo pesquisa, jornalismo e preservação cultural.

Enfatizou o retorno do novo membro à Paraíba como um reencontro com suas raízes e a importância da Academia Paraibana de Letras: “Entrar nesta Casa é receber uma herança e assumir um compromisso. Cada cadeira conta uma história, cada patrono representa uma tradição e cada acadêmico integra uma comunidade que vai além do presente. Aqui convivem vivos e mortos; os escritores e aqueles que deixaram de escrever, mas continuam falando por meio de suas obras.”

Mário Hélio, por sua vez, desviou o foco da homenagem pessoal para uma reflexão sobre o tempo, símbolos e a responsabilidade coletiva ao entrar na academia: “Ao ser eleito, o novo integrante deve aceitar as responsabilidades em prol do coletivo. Sem isso, ingressar numa academia seria apenas uma confirmação de egos.”

Continuar Lendo

Esporte

Atleta olímpico Daniel Ferreira é encontrado vivo após 44 dias desaparecido

Por

O ex-maratonista Daniel Ferreira do Nascimento foi localizado com vida no último sábado (1º). O ex-atleta, que representou o Brasil na maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi encontrado na zona leste da cidade de São Paulo. Com 28 anos, o corredor conhecido como Danielzinho estava desaparecido desde 19 de junho de 2026.

Ele foi visto pela última vez em Paraguaçu Paulista, no interior paulista. Após 44 dias de sumiço, um pedestre o reconheceu na Rua Dr. Ubaldino do Amaral, no bairro do Belenzinho, em São Paulo. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada e, após a checagem, o próprio Daniel confirmou sua identidade. O reencontro com os familiares aconteceu no 30º Distrito Policial, situado no Tatuapé.

Durante o período em que esteve desaparecido, familiares e amigos organizaram diversas campanhas nas redes sociais na tentativa de encontrá-lo.

Além de participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, Daniel é detentor do recorde sul-americano na maratona, estabelecido com o tempo de 2:04:51 em abril de 2022, na cidade de Seul, Coreia do Sul. Este feito quebrou o recorde brasileiro e sul-americano anterior, que durava 24 anos e pertencia a Ronaldo da Costa, que completou a Maratona de Berlim em 1998 com 2:06:05, um recorde mundial na época. A marca de Daniel é a mais veloz já obtida por um maratonista não africano.

Em abril de 2023, Danielzinho garantiu o índice para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, ao terminar em quarto lugar na Maratona de Hamburgo, com o tempo de 2:07:06. Contudo, em julho de 2024, pouco antes dos Jogos, ele foi suspenso preventivamente após um teste surpresa da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) indicar substâncias anabolizantes em seu organismo.

Foram encontrados resíduos de drostanolona, metenolona e nandrolona, hormônios anabolizantes. Devido a esses resultados, Daniel foi suspenso e impedido de participar das Olimpíadas. Em maio de 2025, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) anunciou uma suspensão de cinco anos para o corredor, retroativa a 15 de julho de 2024, data do teste positivo. Assim, o atleta está afastado das competições até julho de 2029.

Continuar Lendo

Mundo

Milei acusa Lula de corrupção e roubo

Por

O presidente da Argentina, Javier Milei, reafirmou neste domingo (2) suas acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o como corrupto e ladrão, uma semana após suas declarações causarem um atrito diplomático entre as maiores economias da América do Sul.

Milei declarou em uma entrevista à emissora LN+ que Lula foi condenado por crimes de roubo e corrupção, tendo cumprido pena, o que justifica chamá-lo de preso. Ele ainda ressaltou que a soltura de Lula decorreu de um erro administrativo no processo, e não por inocência.

Continuar Lendo

Trending