Brasil
Investigação sobre aumento de incêndios criminosos no Amazonas
O governo federal está investigando uma ação criminosa deliberada por trás do aumento dos incêndios no estado do Amazonas, sem descartar uma ligação com o segundo turno das eleições presidenciais, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.
Desde o começo do mês, o número de focos de fogo no Amazonas quase dobrou em comparação a outubro de 2025, e a capital, Manaus, principal cidade da Amazônia Legal, está há dias coberta por fumaça.
A maior floresta tropical do mundo enfrenta este ano o desafio do fenômeno climático El Niño, que eleva as temperaturas e causa secas na região.
No último domingo, o ministro sobrevoou as áreas afetadas e observou centenas de focos de incêndio em áreas preservadas da floresta, distantes de regiões agrícolas.
Isso indica que não se trata de queimadas agrícolas descontroladas, comuns na Amazônia, mas sim de uma ação criminosa planejada para degradar áreas de floresta preservada e apropriar-se ilegalmente dessas terras, explicou Capobianco em entrevista.
Os responsáveis parecem agir de maneira organizada e intensa.
Capobianco também mencionou que existe a possibilidade de uma conexão direta com o período eleitoral, embora isso ainda esteja sob investigação.
O uso dessa informação em campanhas políticas sugere uma ligação potencial, ressaltou o ministro, sem entrar em detalhes.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou os incêndios no Amazonas, acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de negligência.
O segundo turno das eleições presidenciais no Brasil ocorre em 25 de outubro, entre o atual presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Na quarta-feira, Capobianco retornará a Manaus acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para identificar os responsáveis.
A polícia estadual do Amazonas também está investigando os incêndios.
Fumaça cobre Manaus
Dados do satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Amazonas acumula 1.608 focos de queimadas desde o início do mês, contra 874 em todo o mês de outubro de 2025.
Em setembro, foram mais de 3.700 focos, quase quatro vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.
Apesar disso, esses números ainda são próximos aos mínimos históricos registrados em 2025.
A grande quantidade de fumaça piorou muito a qualidade do ar em Manaus, que tem 2,3 milhões de habitantes, levando a prefeitura a fechar as escolas públicas desde a última sexta-feira.
O governo federal enviou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas para conter os incêndios, e está otimista em reverter a situação em poucos dias, afirmou o ministro.
Redução no desmatamento
João Paulo Capobianco ressaltou que a área desmatada na Amazônia diminuiu em cerca de 50% entre 2022 e 2025, indicando um progresso significativo na proteção da floresta.