Brasil
Incêndios no Amazonas caem após trabalho conjunto
Equipes especializadas apagaram mais de 300 focos de incêndio no Amazonas nos últimos cinco dias, enfrentando diretamente as chamas que ameaçavam a região.
Após atingir um pico com 494 novos focos no dia 10 de outubro, o número diminuiu para 188 nesta sexta-feira (16), conforme dados do painel Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que 330 brigadistas atuam na operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além disso, foram mobilizadas 11 aeronaves, 32 veículos terrestres e 8 embarcações para auxiliar no combate às chamas.
De acordo com o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, os incêndios são consequência de ações humanas deliberadas e as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas já investigam as causas.
Entendendo o contexto
A diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, explica que a maior parte dos incêndios na Amazônia são provocados por atividade humana. A ignição natural por raios é rara, pois geralmente ocorre durante períodos de chuva quando a vegetação está úmida, dificultando a propagação do fogo.
O uso do fogo na vegetação é proibido por lei, exceto em casos específicos aprovados pela Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que exige autorizações legais.
O período de estiagem, de agosto a novembro, torna a vegetação mais suscetível ao fogo, o que historicamente aumenta os incêndios na região. Este ano, o aumento dos focos é notável, porém a comparação com 2025, que teve menos incêndios, pode influenciar essa percepção.
Influência do El Niño
O fenômeno climático conhecido como super El Niño, que aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, contribui para chuvas irregulares que agravam a situação dos incêndios na Amazônia.
Ane Alencar destaca que este fator, aliado à estação seca, tem favorecido a propagação do fogo. Ela também menciona um aumento no uso do fogo depois das eleições, o que pode não ser coincidência.
Questões de grilagem
Imagens de satélite revelam que muitos focos estão localizados em áreas de floresta próximas a Manaus, em terras públicas sem destinação socioambiental, sugerindo possível grilagem incentivando a ocorrência dos incêndios.
Ane Alencar alerta para a necessidade de intensificar o controle de novos focos nas próximas semanas, especialmente com a região ficando mais seca e os efeitos do El Niño se intensificando, afetando áreas como Manaus, Santarém, nordeste do Pará, norte do Maranhão, Amapá e Roraima.