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Ibovespa recua a 183 mil pontos com fuga de ativos de risco no exterior

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Durante a tarde desta quinta-feira, o Ibovespa aprofundou suas perdas e atingiu o piso de 183 mil pontos, refletindo uma deterioração do cenário externo para ativos de risco, especialmente nos mercados emergentes. O aumento contínuo no preço do petróleo trouxe à tona preocupações inflacionárias e a consequente elevação dos juros, levando os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa, aguardando pesquisas eleitorais no Brasil.

No encerramento da sessão, o Ibovespa caiu 0,99%, fechando em 183.965,91 pontos, com mínima no dia em 183.834,97 pontos, e um volume financeiro de R$ 19 bilhões.

Embora as bolsas americanas tenham apresentado desempenho superior, os mercados emergentes encerraram o dia negativos: o EEM, principal ETF desses mercados, caiu 0,70% em Nova York. Este movimento ocorreu em meio ao forte avanço dos títulos públicos norte-americanos, com o título de 10 anos chegando a 5,20%.

Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office, comenta que o comportamento dos mercados locais reflete tanto a aversão global ao risco quanto o cenário político-eleitoral nacional. O aumento do Brent para US$ 106,60 o barril (+3,41%) geralmente favorece a Petrobras, mas a queda das ações da empresa indica receio quanto à necessidade de ajuste na política monetária doméstica diante do panorama externo.

Além disso, os mercados foram impactados pelas recentes notícias envolvendo o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). O envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro ganhou novo capítulo após informações indicarem uma viagem entre a Flórida e Brasília, em 2025, em um avião que incluía o ex-banqueiro entre os cotistas. Essa revelação é vista como negativa para a imagem do senador, podendo afetar sua popularidade na disputa eleitoral.

Nas pesquisas eleitorais mais recentes, o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro apresentam um empate técnico. Os investidores observam as reais chances de uma chapa conservadora ganhar força, o que seria interpretado como um compromisso mais rigoroso com a política fiscal.

Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Fami Capital, destaca que o cenário combina fatores externos e internos complexos, incluindo a tensão crescente entre EUA e Irã. Isso gera preocupação com uma possível atuação contracionista do Federal Reserve, aumentando ainda mais os juros e impactando investidores estrangeiros. O mercado, diante das incertezas e das notícias eleitorais, corrige seus indicadores.

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