Mundo
Houthis atacam base na Arábia Saudita e Irã nega envolvimento na guerra do Iêmen
Os houthis do Iêmen realizaram nesta segunda-feira (14) uma nova série de ataques com mísseis e drones contra alvos militares na Arábia Saudita, enquanto o Irã rejeitou qualquer participação na retomada da guerra civil no país.
Recentemente, o grupo assumiu o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, região de grande importância estratégica após o conflito entre Estados Unidos e Irã ter restringido o trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Os houthis declararam que lançaram dezenas de drones e mísseis contra a Arábia Saudita, levando a Defesa Civil saudita a emitir alertas nas cidades de Khamis Mushait e Abha.
Em seguida, outros ataques com mísseis lançados pelos houthis no oeste do Iêmen resultaram na morte de oito soldados das forças do governo iemenita, conforme informaram fontes militares da administração sediada em Aden à AFP.
Um morador de Khamis Mushait relatou à AFP ter ouvido fortes explosões que causaram incêndios. “A verdade é que não conseguimos dormir nada”, disse ele.
Riade respondeu com cerca de cinquenta ataques, conforme comunicado dos houthis.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, líder de fato do reino, recebeu nesta segunda-feira em Jidá o chefe do Comando Central americano (Centcom), o almirante Brad Cooper, para discutir “os últimos acontecimentos na região”, segundo a agência oficial saudita SPA.
Na terça-feira, ele viajará ao Egito para se encontrar com seu homólogo Abdel Fatah al-Sisi, conforme anúncio da Presidência egípcia.
Guerra regional mais ampla
O Estreito de Bab el-Mandeb tornou-se crucial para as exportações de petróleo sauditas devido ao bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, mas os houthis declararam um bloqueio marítimo contra Riade.
A escalada do conflito no Iêmen ocorre em meio a uma diminuição das tensões na guerra regional. O presidente americano, Donald Trump, afirmou novamente nesta segunda-feira que está aberto a negociações com o Irã para encerrar o conflito.
“A enfraquecida nação iraniana deseja fazer um acordo, rápida e desesperadamente. Decidirei se os Estados Unidos vão ou não se envolver, ideia à qual permanecemos abertos”, declarou Trump em sua rede Truth Social.
Uma reunião agendada para esta segunda entre os países do Golfo e o Irã sobre o futuro do Estreito de Ormuz foi adiada, e Teerã acusou Riade de usar o Iêmen como pretexto para postergar as negociações.
O Irã apoia há anos os houthis, que considera parte de seu “eixo de resistência” contra Israel, inclusive fornecendo armas e tecnologia. Entretanto, analistas divergem quanto ao grau de envolvimento iraniano na escalada dos combates.
“O Irã não intervém nos assuntos iemenitas”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, aos jornalistas.
O Irã já ameaçou abrir “novas frentes”, incluindo Bab el-Mandeb, mas Baqaei ressaltou que os houthis são “totalmente independentes” e “tomam suas decisões com base em seus próprios interesses”.
A ofensiva dos houthis elevou novamente o preço do petróleo para mais de 100 dólares (cerca de 530 reais) por barril.
Atualmente, a longa rota pelo Canal de Suez e contornando a África é a única passagem segura para que o petróleo saudita chegue aos mercados asiáticos.
Uma semana de ataques intensos
A prolongada guerra civil do Iêmen esteve em grande parte estagnada por quatro anos antes de se intensificar em julho, momento em que os houthis permitiram o pouso de um avião iraniano no país, apesar do controle saudita do espaço aéreo.
Dessa forma, tornaram-se os últimos atores a integrar o conflito regional.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, declarou nesta segunda-feira que os ataques recentes visaram “hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso e depósitos de munição” na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, em retaliação aos bombardeios sauditas.
Os houthis tomaram a capital, Sana’a, em 2014, no início da guerra civil, obrigando o governo a transferir-se para Aden, no sul. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão que interveio ao lado do governo, realizando ondas sucessivas de ataques aéreos.
O conflito mergulhou o país em uma das piores crises humanitárias do mundo.
Em 2025, a ONU alertou que 17 milhões de iemenitas enfrentavam dificuldades para se alimentar, e outro milhão estava em situação de fome grave.
Nesta segunda-feira, a agência de migração da ONU informou que o retorno dos combates forçou 93.864 pessoas a abandonarem suas residências.
Mundo
Microsoft lança regras para uso responsável da inteligência artificial
A divisão de inteligência artificial da Microsoft divulgou na segunda-feira (14) um conjunto de diretrizes que define normas para a operação de seus sistemas de IA, diante do crescente receio em relação aos riscos dessa tecnologia.
Este documento é fundamentado no conceito de “IA humanista” defendido pela empresa, que consiste em criar sistemas que estejam sempre sob controle humano, evitando que atuem de forma independente.
Conforme explicado pela companhia, o princípio fundamental é que “as pessoas têm prioridade sobre a IA”.
A divulgação do código ocorre em meio a preocupações com a segurança, motivadas por recentes campanhas de ataques virtuais coordenados em larga escala, executados com o auxílio de agentes de inteligência artificial, indicando que o setor não pode adiar a implementação de medidas preventivas.
A Microsoft não fez referência direta ao episódio de julho, quando dois modelos da OpenAI escaparam de um ambiente de testes isolado e conduziram ataques autônomos ao repositório de códigos Hugging Face, uma plataforma colaborativa e comunidade dedicada a projetos de código aberto na área de IA e aprendizado de máquina.
O conjunto de regras foi lançado poucos dias depois do ensaio publicado pelo diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, que pediu às empresas de IA que limitassem intencionalmente as capacidades de seus modelos.
Essas diretrizes serão implementadas nos modelos internos MAI da Microsoft, apresentados como uma alternativa às tecnologias da OpenAI, usadas pela empresa há vários anos.
Mundo
EUA revogam regras ambientais para usinas em encontro do G20
O governo do presidente Donald Trump retirou os limites para as emissões de carbono de usinas de energia que utilizam carvão e gás, marcando a mais recente iniciativa de desfazer políticas que buscavam conter as alterações climáticas. A EPA confirmou nesta segunda-feira (14) a exclusão das normas estabelecidas pelo governo anterior para essas usinas.
As modificações, anunciadas durante uma reunião de ministros de Energia do G20 em Houston, reversam as ações implementadas na administração do presidente Joe Biden.
Além disso, o governo propõe bloquear regulamentações futuras para o setor energético, que é responsável por cerca de 25% das emissões de gases de efeito estufa no país.
“Por mais de 15 anos, as administrações Obama e Biden lutaram contra o carvão para acabar com uma fonte confiável e acessível de energia”, declarou nesta segunda o administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Lee Zeldin.
“A administração Trump chegou para defender a energia dos Estados Unidos e garantir que as luzes permaneçam acesas sem pesar no bolso”, acrescentou.
O anúncio foi saudado por representantes da indústria presentes no encontro em Houston.
A decisão veio após o registro de temperaturas recordes em agosto e o verão mais quente da história dos Estados Unidos.
Especialistas afirmam que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global, agravado neste ano por um intenso fenômeno El Niño, além das atividades humanas.
“Eles estão priorizando os ganhos da indústria de combustíveis fósseis e negligenciando completamente a saúde e o bem-estar da população”, declarou à AFP Rachel Cleetus, da organização União de Cientistas Preocupados.
“A EPA abandonou sua missão principal de forma cruel”, afirmou.
O governo anulou as normas de 2024 da era Biden, que foram baseadas na Lei do Ar Limpo para controlar a poluição de gases de efeito estufa em usinas de carvão existentes e novas usinas a gás. Essas regras, implementadas em abril de 2024 pela EPA, exigiam uma redução de até 90% nas emissões de dióxido de carbono ao longo do tempo, obrigando as usinas a adotarem tecnologia de captura de carbono.
Na nova regulamentação, a EPA argumentou que essas exigências eram inviáveis e os prazos, muito curtos.
A segunda parte do pacote inclui uma proposta que retira a autoridade da EPA para regular emissões de gases de efeito estufa no setor energético.
A proposta ainda afirma que, mesmo que a agência tivesse essa competência, regular essas emissões seria ineficaz para combater as mudanças climáticas globais.
Essa proposta se baseia na decisão de revogar em fevereiro a Declaração de Perigo de 2009, que reconhecia os gases de efeito estufa como ameaça à saúde pública. A revogação foi oficializada em fevereiro de 2026, no âmbito das normas para veículos.
A EPA afirmou que a revogação geraria uma economia de 310 bilhões de dólares (aproximadamente 1,6 trilhão de reais), com a segunda proposta resultando em economia adicional de 370 milhões de dólares (cerca de 2 bilhões de reais), valores que críticos prometem revisar.
Trump frequentemente descreve as mudanças climáticas causadas por atividades humanas como uma “farsa”. Sua administração retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima e anulou normas sobre emissões de gases para veículos.
Meredith Hankins, especialista jurídica do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, comentou: “Nosso governo ignora os sinais claros ao nosso redor: pessoas enfrentam diariamente os efeitos das mudanças climáticas, mas o governo simplesmente não se importa, dizendo que isso não é seu problema e que a próxima geração deve resolver”.
Margie Alt, diretora-executiva da Campanha de Ação Climática, afirmou em comunicado que ao eliminar os limites para uma das maiores fontes de poluentes das mudanças climáticas, o governo desprezou o consenso científico e abandonou o papel essencial da EPA, colocando em risco a vida e o bem-estar de todos.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, qualificou a mudança das normas ambientais como um desastre e anunciou que tomará providências para protegê-las.
Mundo
EUA possuem armas no espaço, diz Força Espacial
Os Estados Unidos confirmaram pela primeira vez que possuem armamentos posicionados no espaço, conforme declarado pela Força Espacial nesta segunda-feira (14).
Um porta-voz da Força Espacial informou que os Estados Unidos têm armas de controle espacial em órbita, que são capazes de proteger a Força Conjunta contra possíveis ameaças hostis, sem detalhar os sistemas específicos.
Essas armas servem para disputar e dominar o espaço, podendo influenciar as capacidades dos oponentes. Segundo o comunicado, esses recursos podem ser usados tanto para defesa quanto para ataque.
Washington considera a Rússia e a China, seus dois principais rivais geopolíticos, como potenciais ameaças aos interesses americanos no ambiente espacial.
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